Coaching de Talentos como ferramenta de transformação social

Por: Carolina Gadelha Borges
11 Setembro 2014 - 02h09

A Política de Assistência Social no Brasil mostra muito claramente a necessidade de se considerar a importância das informações socioculturais, ambientais e familiares nas ações dos cidadãos, dentre outras. Porém, percebe-se como é fundamental conjecturar todo o histórico de vida que existe em cada um, com o propósito de fomentar sua vinculação a atitudes que demonstrem uma autonomia peculiar e segurança em seus quocientes. Toda e qualquer atividade desenvolvida com essa finalidade tem um longo e difícil caminho a ser percorrido por todos os envolvidos.
Atualmente, vê-se uma preocupação saudável pela sociedade para que os principais beneficiados dessa reação em cadeia sejam realmente atores de suas vidas, capazes de gerenciar suas conquistas e conflitos. O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) vem garantir legalmente o acolhimento de pessoas e famílias em estados de vulnerabilidade social, tanto na prevenção de riscos como no cuidado de quem já teve seus direitos violados, por exemplo, os casos de maus tratos, abuso sexual etc. Além disso, organizações do Terceiro Setor, em parceria com o poder público, cada vez mais se empenham em se articular de modo a oferecer serviços que incentivem o protagonismo social, multiplicando a ideia de que seja necessária a liberdade de cada indivíduo em criar, projetar e realizar seus sonhos pessoais e profissionais, desde que tenham clareza disso mentalmente.
Para tanto, é primordial que esses sujeitos procurem o autoconhecimento a fim de que possam realizar benfeitorias às suas vidas de forma assertiva. Assim, o coaching de talentos apresenta-se como uma ferramenta que, na teoria, pretende apoiar o indivíduo em sua existência, para que o mesmo atinja de modo satisfatório seus objetivos, fortalecendo prioritariamente suas competências, com base no presente e foco no futuro. Coach (Treinador) e Coachee (Treinado) estabelecem uma relação de confiança com comprometimento e responsabilidade no sentido de identificar habilidades e debilidades: respectivamente as primeiras são potencializadas, e as segundas, neutralizadas.
O conceito do coaching nasceu nas universidades norte-americanas para caracterizar um conselheiro particular, treinador que tem a função imprescindível de motivar e provocar o seu treinado através da arte de fazer perguntas, escutando sem julgamentos prévios e se certificando de que entendeu pontualmente o contexto das respostas. Enfatiza-se a importância de suas aptidões na realização de metas devidamente traçadas, levando em conta todo o histórico do indivíduo, fazendo-o reconhecer e agradecer o que herdou de melhor de seus antepassados familiares e gestores profissionais.
Basicamente, o treinado determina tarefas palpáveis para sua melhor qualidade de vida, gerando engajamento em realizá-las pois ele mesmo reconhece seu desprovimento. O sujeito é parabenizado pelos bons frutos conquistados e comemora-se cada etapa vencida porque cada resultado é reflexo de crescimento. Desenvolve-se então uma consciência pessoal de transformação, com feedbacks motivacionais e questionadores no intuito da mudança de atitudes, fortalecimento da autoestima, cuja estratégia norteadora é a construção de uma declaração de missão e visão do indivíduo, nos campos pessoal e profissional.
Usualmente, homens e mulheres são instruídos a reconhecer e transformar seus pontos fracos em pontos fortes, muitas vezes com grandes sacrifícios. Passam anos se martirizando porque não conseguem realizar tal tarefa e ficam presos à armadilha da autossabotagem, que não permite o passo seguinte em direção à realização de seus propósitos, a sentimentos negativos que impedem a efetivação de mudanças concretas em suas trajetórias. Na história infantil O Patinho Feio, como vítima do destino o personagem principal passou um longo tempo se lamentando que era mal-apessoado e desajeitado. Sua mãe não se mobilizou para fazer algo por ele, e ele ficou perturbado, até que um belo dia cresceu e descobriu a verdade sobre si mesmo: “o coitadinho” não era um pato esquisito e diferente dos outros, genuinamente era um cisne, um lindo cisne. Desde então, todos passaram a admirá-lo e a se curvar diante de tamanha beleza, inclusive o mesmo.
Contudo, busca-se prioritariamente consolidar o conceito de integralidade planetária, segundo o qual o ser humano precisa estar conectado de forma harmônica com ele mesmo, com o outro e com o meio ambiente, a fim de que atinja a felicidade plena em todos os seguimentos de sua vivência, percebendo qual sua contribuição para a melhoria do universo. Sabe-se da complexidade que o termo apresenta, porém, quando se busca o desenvolvimento de uma sociedade é substancial que todas as suas esferas estejam em congraçamento: pessoas, poderes público e privado, direitos e deveres sendo cumpridos por todas as partes.
Enfim, quando se fala em coaching de talentos como ferramenta de transformação social, defende-se a ideia de lapidar os diamantes perdidos em nossa coletividade. Identificar dons e virtudes em cada cidadão, no significado mais legítimo do termo, que possam auxiliá-los na realização de seus mais íntimos desejos, priorizando o que cada um tem de mais rico e executa com excelência, de forma prazerosa. Sem dúvida, dessa forma teremos um corpo social mais justo, ético e conhecedor de suas maiores fortalezas.

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