Cinco mulheres e cinco grandes trabalhos

Por: Daniela Tcherniacowski
01 Janeiro 2004 - 00h00
Tania Rösing

Nesta edição, as cinco vencedoras do Prêmio Cláudia falam da importância de sua atuação para a sociedade e do reconhecimento de sua luta

Com o intuito de reconhecer a atuação de mulheres brasileiras, a revista Claudia realiza, desde 1996, o Prêmio Claudia. “Fazemos uma pesquisa enorme em todo o país para descobrir personalidades que, por talento, perseverança e capacidade de criar soluções originais, contribuem para melhorar a qualidade de vida do brasileiro”, explica Márcia Neder, diretora de redação da revista.

Em sua 8a edição, o prêmio se diferencia das anteriores ao perceber a necessidade de escolher não somente uma vencedora, como ocorria, mas cinco, de acordo com as áreas Ciências, Cultura, Negócios, Políticas Públicas e Trabalho Social.

Mais de 100 nomes foram apresentados a uma comissão de notáveis responsável pela seleção das finalistas. Entre os jurados estava, por exemplo, Reiko Niimi, representante do Unicef no Brasil, uma das encarregadas da indicação na área Trabalhos Sociais.

Em entrevista exclusiva concedida à Revista Filantropia, as cinco vencedoras contam mais detalhes de sua importante conquista.

Creuza Maria Oliveira (Trabalho Social) – Trabalhadora doméstica desde os 10 anos de idade, fundou em 1990 o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia, lutando pelos direitos de sua categoria e pela erradicação do trabalho infantil doméstico. Em 2001, levou a própria experiência a palestras na 3a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata, da ONU, em Durban, na África do Sul. Atualmente, Creuza é presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas e representante da Comissão Especial do Trabalho Infantil Doméstico. Em dezembro de 2003, também recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, concedido pelo governo federal através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, por seu empenho pelo fim do trabalho infantil doméstico.

Eloan Pinheiro (Políticas Públicas) Química carioca, a ex-diretora do Instituto de Tecnologia de Fármacos, o Far-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) enfrentou os laboratórios internacionais que produziam os caríssimos remédios do coquetel anti-Aids, fabricou genéricos, ameaçou quebrar patentes e chamou a atenção da imprensa americana e européia para sua batalha por preços mais justos. Hoje, compartilha sua conquista com a África e América do Sul, além de fazer parte da força-tarefa da ONU, traçando planos estratégicos para que todos tenham acesso à saúde. Eloan também está se unindo a ONG Médicos sem Fronteiras, a fim de lutar por melhor tecnologia para o tratamento de doenças negligenciadas, como a malária.

Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues (Negócios) – Há 12 anos à frente dos negócios da família, a empresária paulista transformou o Magazine Luiza em uma cadeia de 159 endereços e aumentou em dez vezes o faturamento da empresa. O processo de mudanças instituído por Luiza nos dois últimos anos rendeu ao Magazine a primeira colocação no ranking da edição As 100 Melhores Empresas para se Trabalhar, da revista Exame.

Magda Carneiro Sampaio (Ciências) A médica pernambucana, especialista em imunologia aplicada à pediatria, desenvolveu em conjunto com Luiz Rachid Trabulsi, microbiologista do Instituto Butantan de São Paulo, uma vacina contra a bactéria causadora da diarréia. O propósito é diminuir o número de crianças mortas pela doença, que atinge principalmente aquelas de famílias de baixa renda nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Devido a uma extensa pesquisa sobre a imunologia do leite materno, rico em anticorpos, o objetivo de sua atuação também é estimular a prática do aleitamento natural.

Tania Rösing (Cultura) – Idealizadora do evento cultural Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo (RS), a professora já levou ao sul do país mais de 200 renomados escritores na-cionais e internacionais. Em 22 anos de movimento, as Jornadas têm provocado o aumento de feiras do livro e bibliotecas em toda a região norte do Rio Grande do Sul e no oeste catarinense. Na última edição, a 10a Jornada Nacional de Literatura e a 2a Jornadinha Nacional de Literatura contaram com a participação de mais de 20 mil pessoas, entre adultos, crianças e adolescentes.

Revista Filantropia: A mulher já conquistou seu espaço no mundo?

Eloan: Infelizmente não, porque em muitos países ela ocupa um papel secundário. Além disso, há sociedades em que as mulheres não têm seus direitos reconhecidos. Eu vejo a mulher de hoje como uma guerreira, lutando num mundo desigual, onde a jornada de trabalho é dupla e o salário é menor que o dos homens.

Tania: As mulheres estão demonstrando, cada vez mais, competência em diferentes profissões e, a partir delas, têm assumido papéis de grande importância na sociedade. Mesmo assim, vai levar certo tempo para que algumas profissões possam oferecer um salário digno à mulher.

Magda: Na carreira acadêmica, por exemplo, a porcentagem de mulheres em posições de liderança (professoras titulares, reitoras, chefes de pesquisas) ainda é muito baixa. Da mesma forma, é irrelevante a presença da mulher na direção de grandes empresas. A carência de exemplos femininos bem sucedidos é, portanto, um aspecto a ser considerado para a boa formação das jovens brasileiras.

Revista Filantropia: O que é preciso para ser um líder e provocar mudanças?

Creuza: Ser democrático, ter respeito pelo outro, ter comprometimento e seriedade. É ainda saber trabalhar com o diferente, procurando se articular com qualquer grupo. O verdadeiro líder também deve ter ciência de que não é eterno e, assim, formar novos líderes.

Tania: Um líder é quem apresenta uma idéia importante, luta por ela e agrega pessoas em torno da mesma. Nessa perspectiva, posso dizer que exerço uma liderança, à medida que acredito na formação de leitores e na conseqüente modificação do país, a partir do respeito ao direito de todo cidadão de ser leitor.

CREUZA MARIA

Revista Filantropia: Os trabalhadores domésticos brasileiros tiveram muitas conquistas, como o direito à carteira assinada, férias e ao 13o salário. Quais desafios ainda faltam enfrentar?

Creuza: Temos muito a caminhar ainda. O reconhecimento atual da categoria é resultado de um trabalho que vem sendo feito desde 1966, com Laudelina Campos Melo, fundadora do movimento de empregadas domésticas em São Paulo. Apesar de ter ganhado o direito a tais benefícios, é preciso implementá-los. Segundo o IBGE, há seis milhões de trabalhadores domésticos, sendo a maioria formada por mulheres negras. Desse total, 90% não têm carteira assinada, nem recolhimento do INSS. Para a lei ser cumprida, o país deve ter fiscalização, o que é complicado, pois envolve o âmbito privado, ou seja, as condições dos domésticos só são checadas com mandado judicial e em caso de denúncia. Além de lutar para garantir efetivamente o acesso aos direitos, buscamos ampliá-los, propondo a inclusão do FGTS e a regularização da carga horária de trabalho, já que muitas trabalhadoras moram no próprio ambiente de trabalho e não têm o descanso respeitado. Continuamos batalhando também pela maior conscientização das trabalhadoras, procurando, inclusive, resgatar a auto-estima dessas mulheres.

Revista Filantropia: Como é possível erradicar o trabalho infantil doméstico? Qual o papel da sociedade nesse processo?

Creuza: Apenas agora que organizações como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Unicef perceberam a gravidade do trabalho infantil no âmbito doméstico, pois antes só discutiam a atividade em outras áreas. Há três anos, por exemplo, não se falava nisso. No Brasil, existe cerca de meio milhão de crianças e adolescentes de 5 a 18 anos somente no trabalho doméstico. Elas vivem em situação de risco por estarem sujeitas à violência física, psicológica, abusos sexuais e acidentes com fogo e objetos cortantes. Além disso, estão fora do ambiente fami-liar e da escola. A conscientização da população é fundamental. Geralmente quem emprega uma criança acha que ela tem mesmo de trabalhar pelo fato de ser pobre. É uma cultura que precisa mudar. Estar perto da família e estudar é o que fará a criança ter a possibilidade de sair da situação de pobreza e ser cidadã.

Revista Filantropia: A senhora é a favor das cotas universitárias para negros? Qual sua opinião sobre a polêmica que se criou em torno da definição de ser negro, num país tão miscigenado como o Brasil?

Creuza: Certamente sou a favor. Mas também deve haver, em paralelo, investimento na educação pública. Sobre a polêmica, creio que se trata de cada um se assumir ou não enquanto negro. Aí está implicado um aspecto maior, o da identidade. Por isso, é essencial a sociedade e o governo darem oportunidades ao negro para que ele se sinta orgulhoso de sua raça e possa assumi-la. Nos Estados Unidos, por exemplo, há cotas de participação de negros no cinema e nas novelas e, mais do que isso, na linha de frente. No Brasil, os poucos atores negros que participam de telenovelas muitas vezes aparecem como domésticas, motoristas ou seguranças. Colocá-los em papéis de maior destaque também ajuda a transmitir uma melhor imagem do negro. Por isso que defendo as cotas em outros setores, como nas empresas. É uma política afirmativa, que visa compensar as conseqüências da longa história de escravidão brasileira.

ELOAN PINHEIRO

Revista Filantropia: Como a senhora vê o trabalho das ONGs que têm como missão o combate à Aids?

Eloan: O papel das ONGs é essencial na chamada democracia participativa. O objetivo de ação normalmente se fixa em um resultado prático (o acesso ao medicamento, a prevenção, os diagnósticos epidemiológicos como ferramentas fundamentais nas definições de políticas de medicamentos e a universalização dos direitos). Poder impulsionar ações governamentais também é um trabalho muito enriquecedor das ONGs. Por entender a importância da atuação dessas organizações, estou lutando junto aos Médicos Sem Fronteiras pelo acesso ao medicamento como direito inalienável do ser humano e pelo desenvolvimento de remédios para as doenças negligenciadas pela grande indústria farmacêutica.

Revista Filantropia: Quais os maiores desafios para o combate à Aids? Em que o governo brasileiro peca?

Eloan: A política brasileira para Aids é muito bem estruturada e realiza um trabalho educativo de prevenção. O pecado do governo é não ter uma política industrial farmoquímica mais agressiva, que possibilite a fabricação local dos insumos terapeuticamente ativos (fármacos). Não há investimentos em desenvolvimento tecnológico no Brasil. A conseqüência é a dependência da importação, o que cria dificuldade de aplicar licença com-pul-sória e outros mecanismos de ação, quando os medicamentos atingem preços astronômicos. As empresas farmacêuticas dominantes do campo das inovações tecnológicas são multinacionais e continuam pouco sensibilizadas com a questão social. O lucro exagerado ainda é seu alvo. A idéia é não ficarmos à mercê dos grandes laboratórios e, assim, garantirmos à população acesso aos medicamentos.

Revista Filantropia: Qual sua opinião sobre o sistema de saúde público brasileiro no atendimento a soropositivos?

Eloan: Muito bom. Atualmente, no mundo inteiro, somente 400 mil pacientes soropositivos recebem tratamento. O Brasil atende cerca de 120 mil, ou seja, 30% do total mundial. Meu grande sonho é estender nossa experiência à África, onde a Aids mata anualmente mais pessoas que o total de mortos da Segunda Guerra Mundial.

LUIZA HELENA

Revista Filantropia: O Magazine Luiza busca estar incorporado aos conceitos de responsabilidade social? Quais ações já foram feitas nesse sentido?

Luiza: Somos associados ao Instituto Ethos e procuramos contribuir para o desenvolvimento social e educacional do país, destinando cerca de 4% do faturamento para investimentos em educação. Realizamos ações de incentivo aos nossos funcionários e práticas de cidadania, como: introdução à informática (todas as lojas têm microcomputadores ligados à internet para uso da comunidade); concursos culturais voltados ao desenvolvimento da cidadania junto a crianças de escolas públicas; parcerias com universidades; treinamentos; cursos; palestras e doações a entidades assistenciais.

MAGDA CARNEIRO

Revista Filantropia: O que é preciso para acabar com a mortalidade infantil?

Magda: Embora tenha caído significativamente nos últimos anos, a taxa de mortalidade infantil ainda é extremamente elevada em algumas regiões brasileiras. Infelizmente, a diarréia aguda continua sendo uma das principais causas desse panorama. As formas de combate são bem conhecidas: ampliação e melhoria da qualidade da assistência à saúde da gestante, do recém-nascido e do lactente; implantação de programas de educação para a saúde e, principalmente, melhoria das condições socioeconômicas da população. Entretanto, o incentivo à prática do aleitamento materno e o amplo acesso às vacinas são as medidas mais eficazes.

Revista Filantropia: Quais são suas metas para os próximos anos?

Eloan: Estou envolvida em três grandes projetos de pesquisa, que espero ver bastante desenvolvidos nos próximos dois ou três anos. Um deles é a análise da vacina oral contra Escherichia coli enteropatogênica (bactéria causadora da diarréia infantil), já testada em animais, e agora em pacientes adultos. Os outros são estudos: um aborda crianças com imunodeficiências primárias e o outro, os aspectos imunológicos do leite de mães asmáticas. Esse último projeto tem como objetivo trazer subsídios para o melhor entendimento da história natural da asma brônquica, cuja freqüência vem crescendo assustadoramente em todo o mundo.

TANIA RÖSING

Revista Filantropia: Qual a importância da leitura para transformar a realidade social de um país?

Tania: Dominar o ato de ler em sua amplitude – ler não só o texto escrito, mas o mundo e as diferentes manifestações culturais – é construir a cidadania e participar do crescimento da comunidade e do país de forma consciente. Daí ser fundamental o direito à leitura, de freqüentar bibliotecas, centros multimídias etc.

Revista Filantropia: Recentemente, o IBGE mostrou existir no Brasil cerca de 25 milhões de analfabetos com mais de 5 anos de idade. A senhora tem alguma proposta para diminuir esse número?

Tania: Os dados são alarmantes. Nossa caminhada de 22 anos tem buscado diminuir o número de analfabetos, especialmente os culturais. Para tanto, estamos propondo a construção do Portal das Linguagens, que deverá ser instalado no campus central da Universidade de Passo Fundo. Trata-se de um complexo educacional, científico, artístico-cultural, tecnológico e corporal, onde serão desenvolvidos movimentos alfabetizadores numa perspectiva interdisciplinar e intergeracional. A meta é formar leitores e observar as necessidades e características do leitor do novo milênio. A construção já foi iniciada com a edificação do Centro de Lazer e Cultura Popular. No entanto, precisamos do apoio financeiro de empresários, Estado e sociedade para contribuir com esse projeto inédito e inovador. Com ele, também procuramos substituir o velho circo de lona onde ocorrem as Jornadas Literárias, para aten-der às exigências dos leitores em formação.

“Eu vejo a mulher de hoje como uma guerreira, lutando num mundo desigual, onde a jornada de trabalho é dupla e o salário é menor que o dos homens”

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