Marquinhos

Por: Paula Craveiro
01 Maio 2008 - 00h00

Marcos Antônio Abdalla Leite, conhecido como Marquinhos, é um veterano nas quadras de basquete. Aos 56 anos, o atleta, que já atuou em times como Fluminense, Flamengo, Universidade Pepperdine (EUA), Gênova e Bolonha (Itália), possui em seu currículo nada menos que três olimpíadas, quatro Pan-Americanos, cinco Sul-Americanos, seis Mundiais Interclubes e quatro Mundiais, sendo campeão em 1979.
Entre 1978 e 1984, foi capitão da Seleção Brasileira de Basquete e, em 2000, selecionado para integrar a Seleção do Século. No ano passado, Marquinhos foi eleito o melhor jogador máster das Américas e o segundo melhor jogador máster do mundo.
Mas, além de ser bem-sucedido dentro das quadras, o atleta também mostra que é um campeão na arte de ajudar ao próximo. Atualmente, ele é presidente da Associação Maritacas em Ação e ainda participa do programa de intercâmbio Sports Partner Cities, desenvolvido pela associação em parceria com a Liga Urbana de Basquete (LUB) e a Public School Athletic League (PSAL), dos EUA.


Revista Filantropia: Quando começou sua história de engajamento social?
Marquinhos: Minha relação com projetos sociais começou em 1999, com a ONG Primeira Maritaca, direcionada a projetos socioambientais. Porém, por conta de outras atividades, o projeto foi suspenso. Até que, no início de 2007, foi realizada uma reunião com a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo (Seme), na qual o secretário Walter Feldman pediu para que a ONG fosse retomada.
Atualmente, como presidente da Associação Maritacas em Ação, meu envolvimento no projeto é integral. Porém, não realizamos nada sozinhos. Temos vários colaboradores, como membros da própria Maritacas, e parceiros, como a Liga Urbana de Basquete (LUB), do Rio de Janeiro. Também não me considero um mentor. Sou apenas um dos componentes que fazem o projeto acontecer.

Filantropia: Sua família também é envolvida em causas sociais?
Marquinhos: A família inteira é envolvida! Minhas filhas participam comigo dos projetos e dão suas opiniões, além de cada uma participar de um projeto diferente. Uma das minhas filhas, inclusive, está morando no Tibet há cinco meses. Inicialmente, a viagem foi feita com o intuito de estudar o budismo, mas, com os recentes problemas que os tibetanos estão enfrentando, ela acabou se tornando uma militante da causa.

Filantropia: Qual a sua visão sobre o Terceiro Setor no Brasil?
Marquinhos: Fico preocupado quando vejo que existem muitos oportunistas se “vestindo” de ONG para investir o dinheiro, que deveria ser direcionado a projetos, em benefício próprio. Isso é muito triste! Algumas ONGs servem apenas como fachada para o enriquecimento ilícito de alguns indivíduos. É por esse motivo que a Maritacas está ligada a uma Oscip, que responde ao Ministério da Justiça. Assim, nossa responsabilidade e integridade são enormes.

Filantropia: Em sua opinião, quais seriam os setores mais necessitados de atenção, tanto por parte do governo quanto das ONGs?
Marquinhos: Acredito que todos os setores no Brasil precisam de atenção, mas a saúde e a educação são os mais carentes. Por isso, creio que o esporte seja tão importante, pois auxilia na prevenção de doenças e leva a criança a um ambiente muitas vezes diferente do meio em que vive, mais saudável e ligado à cultura e educação.

Filantropia: Qual o maior problema social do país? Alguma sugestão sobre como resolvê-lo?
Marquinhos: Acredito que o maior problema que o Brasil enfrenta atualmente é a desigualdade social. Poucas pessoas têm muito, e muitas pessoas não possuem quase nada. Não sou contra as pessoas que possuem muito dinheiro, mas gostaria que todos tivessem mais acesso a essa riqueza. Gostaria que todas as pessoas fossem incluídas na sociedade. Sei que é difícil, mas não é impossível. Por isso, estou fazendo minha parte.

Filantropia: Quais são suas ideologias pessoais em relação ao desenvolvimento social do país e à melhoria da qualidade de vida da população?
Marquinhos: Eu não possuo uma ideologia. Acredito que as coisas acontecem naturalmente e você vai abraçando as causas que aparecem à sua frente, uma a uma. E creio também em uma força maior que nos direciona.
Há um ano e meio, me preocupava somente com a área empresarial, sem pensar na área de inclusão social e Terceiro Setor. Mas a vida me ensinou que não podemos ser tão radicais, que devemos ser maleáveis, e me direcionou às causas sociais, que hoje são muito importantes em minha vida.

Filantropia: Atualmente, além da Maritacas, você também está envolvido com o Sports Partner Cities. Conte um pouco sobre o projeto.
Marquinhos: O Sports Partner Cities (SPC) foi idealizado no início de 2008 pela Maritacas e pela LUB, que é a responsável pela chancela técnica no âmbito da cultura urbana. O projeto foi criado para alavancar o basquete no Brasil a partir do ambiente escolar, proporcionando aos técnicos brasileiros, principalmente aqueles que trabalham com a formação de crianças e adolescentes, informações privilegiadas sobre a inteligência esportiva norte-americana. O objetivo é mostrar que, por meio do basquete, podemos promover a inclusão social, combater a violência e mudar a cultura em relação à educação esportiva.

Filantropia: Quais são os objetivos e público-alvo do SPC?
Marquinhos: O SPC faz parte do Programa Esporte e Cultura Urbana da Seme e tem como foco a realização de diversas atividades para a difusão do streetball e da capoeira, modalidades genuinamente americana e brasileira, respectivamente, que serão usadas para promover o intercâmbio e para a formulação de políticas públicas a partir da cultura urbana. O público-alvo das ações são crianças e adolescentes da periferia.

Filantropia: O projeto será desenvolvido em quais localidades?
Marquinhos: O acordo prevê a visita de grupos de técnicos e atletas às escolas de Nova York e São Paulo, workshops, campings, treinamentos e participação em competições esportivas entre as duas cidades.

Filantropia: Você tem conhecimento sobre o Terceiro Setor nos EUA? Se sim, existe muita diferença entre EUA e Brasil?
Marquinhos: Não conheço muito bem o Terceiro Setor nos EUA, mas sei que ele é muito mais avançado que aqui no Brasil. Os projetos são mais sérios, visto que as verbas liberadas às entidades são realmente direcionadas aos projetos sociais. É claro que também existem os oportunistas, mas em escala bem menor devido à fiscalização.

Filantropia: Para você, qual o maior benefício que o esporte pode trazer a uma criança/adolescente?
Marquinhos: Acredito que o esporte é um meio de envolver a família e a educação das crianças, fatores essenciais para o desenvolvimento do cidadão. Contudo, muitas famílias estão desestruturadas. Então, esperamos reativar o convívio familiar saudável por meio do esporte e garantir que a criança tenha uma educação mais adequada, para que ela possa se tornar um cidadão incluído na sociedade.

Filantropia: Se você pudesse realizar apenas um desejo para melhorar o mundo, o que você pediria?
Marquinhos: Eu desejaria mais cumplicidade de ideais. Que as pessoas estivessem empenhadas e verdadeiramente comprometidas com alguma causa. Se todo mundo fizer sua parte, pelo menos com o que se comprometeu a fazer, teremos um mundo muito melhor.

Link
www.lub.org.br/sportspartner

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