Captando recursos com a pesquisa clínica

Por: Daniela Norcia
01 Setembro 2006 - 00h00

As pesquisas clínicas crescem no Brasil e colocam o país no caminho para a criação de medicamentos de qualidade internacional. Segundo a Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (Abracro), até 2005 cerca de 500 mil brasileiros participaram de estudos da área médica. “Isso possibilitou a ampliação do conhecimento das doenças e de seus tratamentos”, diz Charles Schmidt, médico Phd presidente da Abracro e diretor de Operações da empresa PRA International para a América Latina, uma das fundadoras da entidade.

Há hoje, no Brasil, cerca de mil pesquisas clínicas sendo realizadas e a maior parte visa desenvolver novos medicamentos mundiais. O país possui alguns centros de excelência mundiais, como de câncer, doenças do coração e mentais, e esse mercado de trabalho de pesquisa clínica deve se expandir ainda mais. “Neste sentido, está sendo criado o primeiro curso de pós-graduação, na Santa Casa de São Paulo, que conta com o apoio da Abracro. O intuito é fomentar a pesquisa e capacitar mais profissionais para atuar nessa área, que possui muito potencial”, explica Schmidt.

O Brasil é um dos países que seguem fielmente as regras internacionais de pesquisa clínica, que são conhecidas como Declaração de Helsinque. Ainda foram desenvolvidos regulamentos nacionais emitidos pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As pesquisas têm de ser acompanhadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), uma comissão especial que existe em cada hospital ou clínica habilitada, que, por sua vez, é subordinado ao Conselho Nacional de Saúde, um órgão do Ministério da Saúde. A responsabilidade pela aprovação dos estudos e qualidade dos produtos farmacêuticos é da Anvisa. Para Schmidt, “todo esse controle é muito importante para proteger os participantes”.


Fonte de renda
Esses processos representam fonte de renda para instituições públicas, privadas e sem fins lucrativos. Apesar de que, em geral, as pesquisas clínicas estão nas universidades, também clínicas particulares – sob autorização dos órgãos reguladores –, hospitais e santas casas realizam experimentos. “O custo de  desenvolver um medicamento, desde a descoberta de uma substância até colocá-lo na farmácia, é de US$ 800 milhões. Isso significa dinheiro para o Brasil e para todos os profissionais e instituições envolvidos”.

Os estudos podem ser financiados por universidades, indústrias farmacêuticas, fabricantes de equipamentos médicos e agências de pesquisas do governo. Podem também ser desenvolvidos pelas CROs, instituições que não têm ligação comercial com os produtos que pesquisam. Estudos internacionais, como os do Tufts Center for the Study of Drug Development, indicam que as CROs ampliam a velocidade e a capacidade do desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos. “A pesquisa clínica também contribui para o aprimoramento da equipe. Com o envolvimento dos médicos da casa, eles têm contato com novidades de primeiro mundo, oportunidade de aprimorar procedimentos, além de descoberta de novos procedimentos e condutas que aprendem com o auxílio da CRO”, explica Schmidt.

Os custos da pesquisa clínica envolvem a compra dos medicamentos, pagamento dos testes de laboratório e outros exames especializados, os materiais, a estrutura utilizada e os salários dos pesquisadores. “É por isso que a instituição que aplica a pesquisa clínica não ganha só com o estudo em si, mas também com o fornecimento de materiais e exames”, afirma Schmidt.

 

Participação voluntária
Nas pesquisas, toda participação das pessoas que recebem o tratamento é voluntária. O paciente recebe consultas, medicamentos e exames gratuitamente. As pesquisas, de alta qualidade, viabilizam a introdução das mais avançadas tecnologias de medicamentos no mercado brasileiro. Elas permitem o acesso de pacientes com baixo poder aquisitivo a remédios de última geração. Assim, os voluntários colaboram, ao se submeter à pesquisa para encontrar soluções de problemas de saúde pesquisados, e têm excelente oportunidade, ao receberem tratamento gratuito e de alta qualidade para a busca da cura de doenças graves.

Schmidt conta que é “muito importante que os pacientes saibam quais são os medicamentos que estão tomando e para que servem. Por direito, eles podem desistir, a qualquer momento, sem prejuízo para o tratamento que fazia antes de começar a pesquisa. Mas, ao sair, não é possível retornar”. Antes de participar de qualquer pesquisa clínica, é obrigatório que o possível participante assine um consentimento por escrito. Esse documento contém informações detalhadas sobre o objeto do estudo, os riscos e benefícios e representa a garantia do participante.

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