Campanha para um Natal mais FELIZ

Por: Thaís Iannarelli
01 Novembro 2003 - 00h00

Entidades filantrópicas organizam campanhas de Natal e transformam a data em ocasião especial para muitos

A sensação crescente de que é preciso melhorar a sociedade levou à cria­ção no Brasil de muitas organizações não-governamentais, que estimulam con­tinuamente a população a colaborar no auxílio aos desassistidos.

Administrar uma entidade não é tarefa fácil, seja em grandes capitais ou em pequenas cidades, principalmente devido à dificuldade na captação e na manutenção de fundos. Por tal motivo, a época do Natal é muito propícia para aguçar novas maneiras de se obter capital. É a oportunidade de se organizar campanhas que utilizem a criatividade e o trabalho dos atendidos. Diversas associações produzem cartões, artesanato, organizam festas e apresentações, tudo objetivando geração de recursos e implementação de projetos.

Essa data sensibiliza a todos, fazendo aflorar forte sentimento: o desejo comum de ajudar de alguma forma. Geralmente, é período em que as instituições recebem mais voluntários, doações e apoio de empresas.

Com tamanha mobilização de orga­nizações de todos os tipos e portes, de indivíduos das mais variadas classes sociais e das empresas privadas interessadas na causa social, nota-se que a intenção solidária é progressiva e deve ser bem canalizada para gerar bons frutos.

Pequenos grandes exemplos de ação

Entidades pequenas e menos co­nhe­cidas são de extrema importância para o desenvolvimento do Terceiro Setor, pois, como estão espalhadas pelo Brasil todo, têm grande capacidade de alcance na distribuição do bem ao trabalhar pela melhoria das condições de vida de enorme número de carentes. Já que amor e boa vontade são sempre doados e nunca estão em falta, é preciso aproveitar especialmente a celebração natalina para voltar a atenção à generosidade e ao esforço dessas pequenas batalhadoras.

Assim, demonstrações de solidariedade são claramente vista do Oiapoque ao Chuí, o que denota a intensa vontade de se oferecer novas oportunidades às comunidades, a exemplo das campanhas de Natal, que deixam transparecer esse empenho.

Alta Floresta – MT

A Fundação Altaflorestense de Resgate à Cidadania, localizada na cidade de Alta Floresta, a 800 quilômetros de Cuiabá, Mato Grosso, oferece assistência a crianças e adolescentes carentes, realizando trabalhos básicos de educação, lazer, saúde, cultura e preparação para o mercado de trabalho.

O Natal lá é sempre tratado como ocasião especial – “é quando a magia do momento fala mais alto”, relata Irene Duarte, presidente e coordenadora peda­gógica da instituição. Tal comentário se refere à campanha realizada para angariar brinquedos usados, que são doados às crianças. A qualidade das peças nem é notada por elas, afinal, “é brinquedo”. Todos os anos a fundação faz o “tiro de guerra”, ou seja, sai às ruas e pede ajuda de casa em casa para que haja a comemoração. O lanche é cedido por alguns “padrinhos”, como a Casa da Amizade, que sempre colabora nessa época do ano.

São Paulo – SP

Em São Paulo, a Casa Lar Novo Mundo cuida de crianças e proporciona alimentação, assistência médica e odontológica, educação, remédios e vestuário, além de garantir-lhes o bem-estar cotidiano. As celebrações natalinas só acontecem devido à boa vontade dos voluntários, que tomam iniciativas para ajudar a realizar uma grande festa. “Não há como planejar, na hora sempre tem alguém que ajuda”, diz a coordenadora do projeto, Ângela Cristina Gonçalves. Como exemplo, cita o Natal de 2002: “Houve um almoço com chester, refrigerante, sorvete e presentes para as crianças, tudo por meio de doações”. Desde a criação da entidade, em dezembro de 1998, voluntários nunca deixaram de colaborar.

Campinas – SP

Campinas é a cidade que acolhe a entidade Casa de Maria de Nazaré, fundada pelo Grupo de Oração da Catedral. A casa já funciona há 15 anos fazendo trabalhos socioeducativos com crianças e adolescentes carentes. Atualmente, graças à dedicação, compro­metimento e seriedade da diretoria, já existem quatro unidades, além da sede. Atendendo a mais de 400 crianças, o nascimento de Jesus sempre foi motivo para comemoração e, quando há con­dições, todas recebem presentes.

Neste ano, cada unidade fará uma confraternização diferente na comunidade em que atua. Além disso, a Casa de Maria de Nazaré vai organizar uma festa, o Natal na Praça, na Praça José Bonifácio, em frente à Catedral Metropolitana de Campinas. No evento haverá barraquinhas de salgados, lanches, pastéis, refrigerantes, doces e bolos, e também brincadeiras, como pescaria. A festa contará ainda com apresentações de artistas locais. A verba arrecadada será investida nos projetos.

Recife – PE

O objetivo do Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (CERVAC) de Recife, já com 15 anos de existência, é favorecer a inclusão social de deficientes. A instituição atende hoje a 232 crianças e adolescentes com diversas patologias, sendo as mais freqüentes a síndrome de Down, hidrocefalia e paralisia cerebral.

A preparação para o Natal começa antecipadamente, em novembro, com a avaliação do desenvolvimento de cada criança. Segundo o coordenador de comunicação Jairo Gomes, cada reação das crianças tem um significado especial. As áreas de trabalho, que são a estimulação sensorial e da mobilidade, a alfabetização, a atividade pré-escolar, artes e música, são as responsáveis pelas apresentações relacionadas à festividade, como dramatizações, danças e músicas. Enquanto isso, outra equipe organiza a Campanha de Apadrinhamento do Natal. Assim, os “amigos colaboradores” que querem presentear as crianças podem definir o tipo de presente de que elas mais necessitam. A festa acontece no dia 18 de dezembro, encerrando as atividades. A comemoração sempre foi feita dessa maneira. Jairo ainda comenta que, embora alguns anos sejam mais difíceis que outros, sempre existe aquela satisfação de estarem cumprindo uma missão.

E as grandes entidades

Com maior número de atendidos, mais reconhecimento e, na maioria das vezes, parcerias mais ativas, as grandes instituições também constituem parte importantíssima das ações sociais. Elas começaram pequenas, mas, ao conse­guirem expandir suas próprias dimensões, servem como ótimos exemplos de sucesso, motivando aquelas que estão ainda engatinhando.

Durante a época natalina acontecem festas, celebrações e diferentes atividades que, na verdade, em nada diferem das confraternizações de associações menores, pois a intenção é a mesma.

Um exemplo desse tipo de organização não-governamental é a Casa Perseverança, na cidade de São Paulo.

Com perseverança, tudo se alcança

O Serviço Social Perseverança foi fundado em 1973 e oferece serviços de assistência social e educacional a crianças e adolescentes carentes. Atualmente, a entidade possui oito creches, que ofe­recem atendimento médico, odon­tológico e alimentação cinco vezes ao dia, e três núcleos socioeducativos, nos quais crianças de 6 a 14 anos freqüentam a escola durante meio período e participam de atividades complementares no outro. Ao todo, a instituição atende a mais de 2 mil crianças.

A casa tem o hábito de organizar campanhas de Natal que coletam roupas, brinquedos e doces para serem distribuí­dos na festa. As “sacolinhas”, como são chamados os presentes, são oferecidas por colaboradores voluntários, freqüentadores da Casa Perseverança, Serviço Social e Centro Espírita.

O que vale é a intenção

Por mais que as atitudes tomadas pelas organizações sejam diferentes, o propósito de todos que militam em prol do social é sempre o mesmo: a vontade de fazer bem ao próximo e a de contribuir para que as diferenças sociais diminuam. O Natal, além de ser um período fértil para a arrecadação de verba, também é tempo de colocar em prática a palavra fraternidade.

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