Banco de Alimentos

Por: Emiliano Milanez Graziano da Silva.
01 Julho 2004 - 00h00

Em 2003, durante um evento dedicado a jovens em situação de risco da periferia da cidade de São Paulo, serviu-se um lanche entre o café da manhã e almoço. O lanche era composto por uma maçã, uma banana e suco à vontade. Um integrante da equipe do Banco de Alimentos da Cidade de São Paulo, que lá estava desempenhando outras atividades, foi voluntário para auxiliar na distribuição dos kits. Ficou muito surpreso ao observar que muitas bananas eram jogadas no lixo, sem ao menos serem descascadas.

Intrigado com o fato, que se repetiu com muitos jovens, postou-se ao lado da lixeira e então pôde ouvir comentários como: “Banana é comida de macaco, não vou comer banana”. Este é apenas um exemplo de como a cultura afeta nossa alimentação e, principalmente, gera desperdício.

Também dentro das nossas casas desperdiçamos nutrientes valiosos, por falta de conhecimento ou simplesmente por não sabermos preparar os alimentos e utilizá-los de forma integral. É o caso dos talos, cascas e folhas que são descartados diariamente de nossas cozinhas.

Por outro lado, há muito alimento sendo desperdiçado da mesma forma no momento da compra. São produtos que nem chegaram ao ponto de venda, porque não apresentavam tamanho e formato adequados, embora conservassem suas características nutricionais intactas. Existem também aqueles que chegam ao ponto de venda, mas são amassados e apertados tantas vezes, que se tornam pouco atraentes e acabam sendo rejeitados pelo comprador.

O desperdício é figura comum no cotidiano do brasileiro. Nos anos 70, um pesquisador alemão calculou que, com o volume de alimentos que o Brasil desperdiçava, era possível alimentar toda a população de seu país. Mas como combater esse problema, cujas raízes culturais são tão presentes para nós?

Os bancos de alimentos surgem como solução e resposta a tal questão. Criados na década de 60 na cidade norte-americana de Phoenix, espalhando-se pela Europa, México e, mais tarde, no Brasil, os bancos de alimentos têm a missão de aproximar onde há o desperdício de alimentos de quem o necessita, realizando assim o atendimento aos carentes com comida de qualidade.

No caso brasileiro, os bancos de alimentos apresentam uma evolução do modelo inicial, até hoje praticado nos EUA. Alia-se o trabalho de técnicos responsáveis pela seleção dos alimentos ao trabalho de educação alimentar por meio de técnicas de aproveitamento integral dos alimentos.

Em São Paulo, o banco de alimentos é sustentado pela Secretaria de Abastecimento da Prefeitura Municipal. Ao todo, existem cerca de 60 bancos pelo país. Todas as capitais possuem seus bancos, além de algumas outras cidades, sendo que alguns são patrocinados pelas prefeituras, outros por empresas e a minoria, pelas próprias ONGs.

Todos os alimentos que, por algum motivo, não estão dentro dos padrões de comercialização são a matéria prima de um banco de alimentos. Não há estatísticas oficiais sobre o volume de alimentos desperdiçados somente na capital paulista, mas se sabe que apenas 70% do que foi produzido nos campos de todo o território nacional chegará à mesa do consumidor. Isso significa que 1,4% de nosso PIB é jogado no lixo indevidamente, deixando de saciar a fome de muitos e contribuindo para o aumento dos custos de comercialização – já que o desperdício estimado é incluído no cálculo do preço de venda.

Esses números são o combustível estimulante para a perseverança e multiplicação da ação dos bancos de alimentos no Brasil, que retiram diariamente alimentos de pontos parceiros de comercialização.

Os alimentos recebidos passam por pro-

cesso de seleção, armazenagem e, muitas vezes, reembalagem. Tal procedimento é feito por técnicos qualificados e treinados, a fim de se entregar o produto final às entidades assistenciais.

Esse processo tem a participação de diversas equipes de especialistas:

  • profissionais de marketing, que desenvolvem materiais para o convencimento e convencendo novos parceiros a se tornarem doadores;
  • profissionais de logística, que trabalham no agendamento e programação das retiradas em horários adequados às necessidades do parceiro e com os veículos adequados à estrutura e condições de tráfego;
  • profissionais de nutrição e saúde, atuantes na seleção e descarte, ou reembalagem, dos alimentos coletados. Garante-se, assim, a qualidade dos alimentos que serão entregues a carentes, ao mesmo tempo que se assegura ao doador que nada do que foi doado será indevidamente utilizado;
  • profissionais da educação, responsáveis pela formulação, aplicação e acompanhamento das atividades educativas de treinamento e qualificação dos atendidos em técnicas de manipulação adequada dos alimentos, de higienização de ambientes, pessoal e de alimentos, e de armazenamento. Além do desenvolvimento e aplicação de receitas de baixo custo e com o aproveitamento integral dos alimentos, a preocupação desses profissionais se volta a uma forma de elevar a nutrição da população, sem elevar os gastos com alimentação;
  • profissionais da assistência social e áreas afins, que atuam na seleção, classificação e acompanhamento das entidades ou pessoas atendidas pelo banco de alimentos, evitando que aqueles que mais precisam sejam deixados de lado e evitando os desvios indevidos.

Essas equipes muitas vezes se sobrepõem, dependendo do tamanho do banco de alimentos, que também contam freqüentemente com o trabalho de voluntários, formando o pelotão de esperança na luta contra o desperdício, a fome e a exclusão social.

Só em São Paulo já foram atendidas 350 mil pessoas. Para que as ONGs sejam beneficiadas com o recebimento de produtos do banco, elas precisam se cadastrar como receptoras dos centros de distribuição em qualquer subprefeitura. De fato, há fila de espera em praticamente todos os bancos da cidade, mas vale a pena o esforço.

Todos os alimentos que, por algum motivo, não estão dentro dos padrões de comercialização são a matéria prima de um banco de alimentos

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