Aperfeiçoando os relatórios de sustentabilidade

Por: Cyrille Beller
01 Março 2005 - 00h00
A produção de relatórios extrafinanceiros – chamados internacionalmente de relatórios de sustentabilidade –, como balanços sociais e ambientais, já está se tornando uma prática anual para muitas empresas brasileiras. O relatório é a ferramenta de comunicação que possibilita o entendimento e acompanhamento do desempenho das empresas em suas várias dimensões. Deve ser entendido como uma ampliação de escopo – para refletir as dimensões social e ambiental – dos atuais relatórios anuais, que contêm informações sobre a estratégia e desempenho econômico e financeiro da empresa. Esse esforço de relato das organizações responde a uma demanda de transparência crescente quanto à maneira de dirigir os negócios e de atuar de forma responsável em relação à sociedade e ao planeta.

Como prática razoavelmente recente, a publicação desses relatórios enfrenta algumas dificuldades, como, por exemplo, a falta de padronização e a quantidade enorme de normas, leis e princípios de atuação social e ambiental, além de vários procedimentos de certificação. Apesar do lançamento de guias de elaboração, como o Guia de Elaboração de Relatório e Balanço Anual de Responsabilidade Social Empresarial, do Instituto Ethos, e internacionalmente o guia da Global Reporting Initiative (GRI), a elaboração do relatório de sustentabilidade é um exercício complexo. Frente às várias normas sociais e ambientais que são desenvolvidas e lançadas internacionalmente, como ISO, SA8000 e AA1000, às iniciativas como o Global Compact e às necessidades de implantação de sistemas de informação ricos em indicadores, mas desconectados da Responsabilidade Social Corporativa (RSC), as empresas têm dificuldades para encontrar o caminho da produção de relatórios de qualidade.

O reflexo dessa situação é que, em geral, os relatórios nacionais estão ainda muito focados em projetos sociais e, em conseqüência, a identificação dos impactos e das políticas de Responsabilidade Social Corporativa elaboradas é pouco presente, o que tende a desvalorizar o relatório perante os públicos potenciais e limita sua utilização como ferramenta de gestão ou de engajamento.

Para construir e melhorar os relatórios extrafinanceiros, as empresas precisam entender suas necessidades frente aos desafios dos negócios como um todo, integrando as questões sociais, ambientais e de governança. Antes de comparar os relatórios a benchmarks (teste que mede performance) usuais e levantar falhas, é preciso identificar e construir o “benchmark ideal” para a empresa, considerando as próprias necessidades, objetivos e peculiaridades.

O relatório de sustentabilidade é, antes de tudo, o reflexo do andamento da empresa no caminho da sustentabilidade. Além de uma peça de comunicação destinada à análise dos stakeholders da empresa, ele é também excelente ferramenta de gestão interna, pois permite medir, de maneira dinâmica, a evolução da empresa em relação a seus objetivos, constatar e corrigir erros de direcionamento ou de estratégia, definir e quantificar um esforço por meio do tempo. Um relatório bem elaborado pode tanto influenciar o comportamento e as decisões dos stakeholders, quanto permitir engajá-los, tornando-se uma ferramenta de gestão essencial à conduta de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
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