Aos Mestres, Com Carinho

Por: Maria Iannarelli
08 Janeiro 2014 - 19h34

Vivemos tempos confusos e cheios de vibrantes opiniões e iniciativas, como um despertar coletivo para ações humanitárias e reivindicatórias dos direitos individuais e coletivos que chamam a atenção do mundo para o nosso país. Há perguntas e questionamentos vindos de outros cantos: se o país do futebol, do samba e das mulheres bonitas está acordando?

Será que todos estavam dormindo?

Ouvindo recentemente a música de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”, na gravação do próprio festival em que esta música concorria, constava um breve discurso do autor (idos dos anos 1960), que em determinado momento diz: “A vida não se resume a festivais”. Lembrei-me de uns tantos outros que trilharam estes caminhos e que, possivelmente, também tiveram muitas insônias.

Henfil, com sua arte e humor – ácido quando necessário – para fazer a crítica social em tempos bicudos. Seu irmão Betinho e a germinação da consciência de que a fome impede qualquer ascensão social digna desse nome, e a repercussão de suas ideias até os dias de hoje. Elis Regina cantando novos e antigos compositores, interpretando como “ninguém jamais na história deste país” e tocando o dedo nas feridas “abertas da América Latina”: “amigos presos, amigos sumindo assim pra nunca mais”. Gilberto Gil, Caetano Veloso, os Mutantes e a chegada da “Tropicália”, com modelos novos de arte e cultura e a tentativa de silenciá-los com o exílio. Thiago de Melo escrevendo com coragem, “Faz escuro mas eu canto”. Dom Helder Camara, Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Pedro Casaldáliga lutando pelos esquecidos, com olhar bondoso para os excluídos, com os mesmos olhos valentes que puniam com mãos de ferro ditatórias. Francisco Cândido Xavier... e assim por diante. O poeta Chico Buarque de Holanda ou “o gênio da raça”, nas palavras de Tom Jobim, numa imensa roda viva, sem muita escolha, teve de se autoexilar com sua família por um tempo, fora destas terras descobertas por Cabral.

E, sendo para recordar os meus tempos do cursinho pré-vestibular, quando nós, alunos, tínhamos cuidado ao falar, ouvir até, pois sempre poderíamos encontrar “hipócritas rondando ao redor”. A mestra Luiza Erundina (e tantos outros professores igualmente engajados) lecionando na minha graduação de Serviço Social e incutindo em minha formação a semente do inconformismo e da luta pela justiça social que permeou toda uma geração. Fernando Gabeira causando escândalo com sua sunga de crochê após retornar do exílio, junto com tantos outros vindos com os novos ventos da abertura. E tudo o que veio com esses novos ventos. Algumas vezes, com um bom perfume, e outras, com um cheiro nada agradável. Enfim, chegamos aos nossos dias...

O grande diferencial de hoje é que a divisão por partidos políticos partidários, parece não caber no atual modelo. Inevitável falar da doença crônica chamada corrupção.

O Facebook é uma boa ferramenta para medição de insultos, discussões saudáveis e radicalismos que marcam este momento tão vibrante. Para o bem e para o mal. Só o tempo dirá o que vai ficar disso tudo. A globalização e as novas tecnologias trouxeram situações irreversíveis no que se refere à comunicação e à necessidade de nos inserirmos e dar voz e vez, descontruindo velhos paradigmas de pseudoverdades absolutas.

E as nossas organizações sociais, como estão vendo o atual momento? Algumas têm idade suficiente para fazer parte desta história desde os idos dos anos 1960; outras se formaram ao longo deste caminho. Algumas estão engatinhando e outras trazem missões voltadas para ações consideradas impensadas pelas mais antigas. A nova configuração que poderá vir deste momento também colocará os trabalhadores sociais na berlinda. Novas tecnologias sociais, inclusivas e catalisadoras podem surgir daí.

Mais do que nunca o conceito de resiliência se mostra presente. O momento de tirar fortalezas das fraquezas. E das fortalezas, avanços sociais e novas formas de convivência. E fica a pergunta: estamos ou estávamos todos adormecidos? Afinal, “a vida não se resume a festivais”.

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