A reforma ortográfica, bitucas e sustentabilidade

Por: Livio Giosa
01 Novembro 2010 - 00h00
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A reforma ortográfica, bitucas e sustentabilidade

É para refletir. O que têm em comum essas palavras do título do artigo? Vamos por partes. Primeiro, a definição. Sustentabilidade é um princípio de
uma sociedade que mantém as características necessárias para um sistema social justo, ambientalmente equilibrado e economicamente próspero por um longo período de tempo.
Com esse entendimento, pressupõe-se a nova posição da sociedade sobre o tema em si e sobre a questão dos impactos das mudanças climáticas.
São mais do que notórias as alterações constantes, concretas e sérias que o clima vem demonstrando. O aquecimento global, à luz do aumento das emissões de CO², nos leva a novas atitudes individuais e coloca em jogo a necessidade imediata de mudanças de comportamento frente a esses impactos. E aí, uma coisa puxa a outra.
Veja e avalie essas duas situações: Com a reforma ortográfica, centenas
de milhares de livros de português estão condenados ao desuso. O que fazer com eles? Não dá para doar (pois não servirão para estudo), não dá para lê-los em salas de aulas ou séries. Realmente, não dá mais para utilizá-los. O que foi feito, então, desse imenso material? Foi tudo para o lixo!
Pouquíssima preocupação com a reciclagem, a destinação final dos exemplares que viraram resíduos não foi aproveitada na quase totalidade dos municípios do Brasil. Cena comum, que teve atenção e tristeza dos poucos preocupados com o meio ambiente e nenhuma atenção dos executivos públicos e sua gestão sustentável.
Por outro lado, a proibição do fumo nas áreas fechadas, por meio de lei em vigor no Estado de São Paulo, teve um fim comum a todos os fumantes: quem praticar o vício, que o faça lá fora!
E aí, quem se prejudicou foram as cidades. Nunca se viu tantas bitucas de cigarros no chão! E o pior é que agora elas se concentram em quantidades incalculáveis em pontos comuns: portas de bares, restaurantes, shoppings, estações, prédios comerciais e outros locais de grande concentração.
O que antes estava disperso nas calçadas e sarjetas das ruas agora provoca muitos problemas. Sujeira total que se multiplica na chuva, estufando e entupindo todos os bueiros próximos. Não há nenhuma atenção para minimizar essa constatação, nem processo de reciclagem e nem uma criativa forma de destino, guarda e reuso desses resíduos.
A conclusão a que queremos chegar é que a questão da sustentabilidade deve, imediatamente, assumir uma condição prioritária na vida das pessoas e, principalmente, dos agentes públicos.
O livro e a bituca são duas amostras simples do quanto a falta de políticas públicas e conscientização da sociedade acabam influenciando o nosso dia a dia, mexendo com as nossas zonas de conforto e nos levando a novas escolhas, as quais darão o sentido exato da nossa vida que pode, sim, ser sustentável.
É o poder que temos de enxergar que novas atitudes deverão ser tomadas imediatamente para minimizarmos os impactos de nossas ações em relação ao meio ambiente e às emissões de carbono. Só assim teremos a certeza de estar abraçando a causa e tentando proporcionar um novo modelo de vida em sociedade.
E aí, certamente, os nossos filhos e netos, herdeiros do futuro, agradecerão.


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