Paula

Por: Elaine Iorio
01 Março 2005 - 00h00

Desde o dia 17 e fevereiro deste ano, crianças e adolescentes carentes de Diadema, Grande São Paulo, têm um motivo a mais para acreditar no futuro. Acostumados com uma vida de poucos recursos e sonhos, os jovens agora fazem parte do recém-inaugurado projeto Passe de Mágica, idealizado pela atleta Paula, que oferece aulas de basquete, noções de cidadania e ecologia.

Lançado em agosto do ano passado e com dois primeiros núcleos em Piracicaba, o programa chega agora a Diadema graças à parceria com a Farnell-Newark InOne, empresa que doará 1% do valor das compras acima de R$ 100 realizadas em seu site.

Além de coordenar o projeto, a ex-jogadora de basquete, que durante 22 anos encantou os amantes do esporte na seleção brasileira, é exemplo de determinação. Com um título mundial (1994) e uma medalha olímpica (prata em Atlanta), Paula sempre se destacou por suas habilidades e criatividade em quadra, características que lhe renderam o codinome mundialmente conhecido: Magic Paula.

Com o apoio de sua irmã, Branca, também ex-jogadora da seleção, Paula espera que o projeto proporcione o desenvolvimento de cada criança como cidadã, além de promover a disciplina, a sociabilidade e o respeito ao próximo.

Em entrevista à Revista Filantropia, ela conta mais sobre a criação e a viabilização de seu projeto social.

Experiência nas quadras e apoio de parcerias são as ferramentas de Magic Paula na formação de jovens carentes


Revista Filantropia: Quando e como nasceu a idéia do Passe de Mágica?
Paula:
Alguns anos antes de parar de jogar, a Branca e eu fizemos um “projetinho” e saímos à procura de parceiros. Antes mesmo de encontrar patrocínio, a proposta ganhou o nome atual, criação do Washington Olivetto. Depois de muitas idas e vindas, engavetamos a idéia e, somente em 2004, o sonho foi concretizado. Fui procurada para ser garota-propaganda da Cooperativa de Consumo (Coop), que iria instalar um supermercado em Piracicaba, e disse que só aceitaria a proposta se metade do meu cachê fosse destinada ao projeto.

Filantropia: Como foi o processo de concretização e quais as dificuldades enfrentadas?
Paula:
A maior dificuldade foi encontrar quem acreditasse e apoiasse o projeto. A partir daí, tudo ficou mais fácil. Unimos o que cada um tinha de mais forte: quem poderia ceder o espaço, a empresa para bancar os custos e a minha equipe para a formação e treinamento dos profissionais.
Filantropia: Quais as fontes de renda do programa e como é administrado?
Paula: O Senai Diadema (Manuel Garcia Filho) entra com a estrutura física e a assistência social; a Farnell-Newark InOne paga os profissionais, lanches, uniformes, assessoria de imprensa e marketing; e o Passe de Mágica cuida da coordenação, treinamento e acompanhamento do projeto.

Filantropia: Como é seu envolvimento com o Passe de Mágica? O que lhe traz mais satisfação?
Paula:
Assumo a função de gerenciar, acompanhar e observar as mudanças comportamentais dos jovens. Minha felicidade é saber que posso contribuir para um futuro melhor para eles, como cidadãos.

Filantropia: Na sua opinião, qual a importância da ação social para o desenvolvimento do país?
Paula:
Se cada um de nós fizer um pouco, doando-se em prol de mudanças, não seremos refém do descaso no futuro. A responsabilidade é de todos, mas, infelizmente, há muitos projetos bacanas com o mesmo foco dando tiros em direções diferentes. Devemos nos unir e fazer as parcerias se tornarem muito mais fortes.

Filantropia: Como você gerencia seu tempo entre as ações sociais e o trabalho?
Paula:
Não tem sido fácil. Além do projeto social, tenho meus negócios, faço palestras em empresas, administro o Centro Olímpico e minha vida pessoal. Quando a gente gosta do que faz, fazemos com prazer!

PARCEIROS VER TODOS