A empresa e a mobilização de voluntários

Por: Revista Filantropia
01 Julho 2010 - 00h00

Quando uma empresa incentiva a prática do voluntariado, ela espera a participação de seus colaboradores. Mas é possível mobilizar pessoas para a solidariedade?

Ao falar sobre voluntariado para um determinado grupo, sempre haverá pessoas familiarizadas com o tema, com uma experiência para contar. A solidariedade é algo muito presente na vida do ser humano; as pessoas atuam como voluntárias por diversas demandas internas, como: retorno social, motivos religiosos, preenchimento de tempo, reconhecimento, crescimento profissional, ideal, entre outras.

Por isso, a mobilização de voluntários tem retorno imediato a partir da convocação. Como base, em média 10% dos colaboradores de uma grande empresa realizam ações voluntárias quando a companhia organiza um Programa Empresarial de Voluntariado (PEV). Isso só acontece porque a empresa mobiliza, convoca, convida. Mas como convocar? Que mensagem se deve passar?

Inicialmente, deve-se levar em conta que muitos colaboradores já fazem ações voluntárias, independentemente do apoio da empresa. Por isso, conhecê-los e não tentar ensinar o “Pai Nosso ao vigário” é essencial. E isso se faz escutando o que eles já fazem, criando espaços para interação. Um PEV é uma oportunidade de transformação primeiramente do voluntário e, ao direcionar sua ação sem construir coletivamente, a empresa pode podar esse potencial criativo e de transformação individual.

Convocar é chamar para o diálogo aberto, sem imposições. Mas você pode estar se perguntando: e as pessoas que nunca fizeram ações voluntárias, como mobilizá-las? Para esse público é muito importante fazer um momento de sensibilização, com abordagem lúdica, informações e exemplos. O centro de voluntariado de sua cidade pode promover essa sensibilização.

Pessoas que têm vontade de ajudar, mas sempre dizem “não sei como”, estão abertas a participar do programa, mas precisam de um direcionador, um “empurrãozinho”. Nessas mobilizações os encaminhamentos são importantes, como a explicação formal dos passos seguintes e como será o apoio da empresa. Assim, antes de mobilizar é importante que a companhia saiba quais serão as políticas do programa, deixando para os colaboradores a decisão do que será feito de ações voluntárias.

Essa combinação de saber qual será a contrapartida da empresa, escutar quem já faz trabalho voluntário e sensibilizar novas pessoas é a chave ideal para iniciar um programa de voluntariado. Ao formarem um grupo, esses interessados terão a oportunidade de serem os gestores da iniciativa e responsáveis pela mobilização de outros colaboradores, criando um ciclo de sucesso para as ações voluntárias.

Ter a consciência de que ninguém motiva outra pessoa, e de que a motivação depende de cada um, é um passo importante que deve pautar as ações quando pensamos em voluntariado. Como promotores do voluntariado, é possível criar ambientes favoráveis de respeito e construção coletiva para que, em grupo ou individualmente, as pessoas encontrem sua maneira de agir.

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