Empresas e Opinião Pública

Administração & Planejamento
Por: Natascha Köster
09 Junho 2016 - 04h56

As organizações que aspiram à sustentabilidade devem dar ouvidos às opiniões externas

A conjugação das palavras Samarco e sustentabilidade rende mais de 139 mil resultados no buscador Google. A maioria remete-se a notícias, iniciativas ou eventos anteriores ao desastre ambiental de novembro último e transmite um tom positivo da atuação da companhia. A mineradora foi grande patrocinadora de inúmeros eventos centrados no tema das práticas responsáveis e sustentáveis organizados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e por várias outras entidades ao longo da última década. Diversos rankings regionais ou setoriais colocaram a empresa na liderança da governança ambiental e, até mesmo, três semanas antes da tragédia gerada pela corporação, ela ganhou o Prêmio Benchmarking pela sua prática ambiental. O contraste desses fatos com a história que se seguiu não poderia ser maior, nem com as suspeitas albergadas pela opinião pública local sobre o comportamento da indústria. O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco fez com que o Brasil vivesse recentemente um dos piores desastres ambientais da sua história. A lama tóxica da barragem percorreu mais de 850 quilômetros do Rio Doce, trazendo consigo, além da destruição do ecossistema do rio e de seus arredores, um lembrete do quão frágeis e insuficientes são a fiscalização e a legislação ambiental no país.

Esse desastre ecológico trouxe à tona...