Seja criativo para captar recursos

Por: Marcio Zeppelini
01 Março 2003 - 00h00
Folha de pagamento incontrolavelmente alta, contas de luz e água vencendo, despensa vazia, assim como a conta corrente. “Precisamos captar mais recursos”, diz um dos dirigentes, em uma das poucas vezes em que se consegue reunir o corpo diretivo da entidade. Em seguida, seguem para as idéias de como irão engordar aqueles dígitos, que constantemente aparecem em vermelho: Bingo! Inventou a roda, não? E partem, então, para a dura jornada de vender convites entre a comunidade, sem falar na árdua tarefa de coletar prendas para o sorteio. Como os bingos mais parecem programas de índio, muitos compram o convite e sequer comparecem, tornando o evento um grande fiasco. Não menos criativos são os bazares.

É necessário entender que a filantropia se tornou algo sério, não é mais caridade. É responsabilidade social (não querendo ser repetitivo, já que, agora, responsabilidade social é moda). Não há mais espaço para a mendicância, nem para doações baratas.

É necessária uma política séria de captação de recursos e, mais que isso, ter um planejamento para que a mesma se torne constante, o que pode dar trabalho no começo, mas sua continuidade é certa.

A Instituição Vida Jovem, que assiste cerca de 30 crianças e adolescentes entre 4 e 15 anos em suas quatro unidades, tem uma forma bastante peculiar de aumentar seus recursos. Às segundas-feiras, os freqüentadores do bar Favela (um barzinho da moda em um dos bairros mais chiques de São Paulo) se divertem no happy hour tomando um chopinho e beliscando um petisco rodeado de amigos. Ao pagar a conta, sabem que estão deixando 10% para a entidade. “É um dinheiro certo, que entra toda semana”, comenta aliviada a diretora da instituição.

Ledo engano achar que instituições que são beneficiadas com promoções e recursos do Segundo Setor são privilegiadas. Exatamente por esse motivo, muitas entidades ficam de braços cruzados esperando que o empresário “salvador da Pátria” bata na porta e resolva todos os problemas bancários da instituição. “É necessário correr atrás, criar alternativas e alicerçar-se em promoções com empresas”, enfatiza Custódio Pereira, presidente da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos).

Uma boa política de captação de recursos deve descaracterizar a sensação de mendicância da entidade e fazer com que o doador prefira consumir algum produto que destine parte da verba a ações sociais do que produtos que não tenham tal objetivo. Assim, em uma atividade cotidiana, como jantar fora, por exemplo, o consumidor paga a conta e pratica o bem.

“É necessário correr atrás, criar alternativas e
alicerçar-se em promoções com empresas”,

Custódio Pereira

Presidente da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos)

É o que vem fazendo o Restaurante Spadaccino e a Associação Viva e Deixe Viver. Em uma ação gastronômico-social, o cliente do restaurante, ao escolher a “Sugestão do Chef”, além de saborear uma receita exclusiva, estará contribuindo para a Associação e recebendo, como lembrança, um prato de porcelana que representa o trabalho do Viva. 50% da renda daquele prato, que gira em torno de R$ 35 cada, é destinada às ações do Viva.

Até o final de março, a mesma ação será lançada no Spadaccino Al Mare, do Projeto Tamar, Praia do Forte e na filial da Costa do Sauípe, abrindo espaço para o desenvolvimento da “Letra Viva”, afiliada baiana da Associação Viva e Deixe Viver.

Muitas dessas iniciativas partem do próprio empresário, vendo que seu negócio pode afundar se não se preocupar em ajudar a comunidade em que está estabelecido ou praticar a filantropia de alguma maneira. Mas essa mão não é via de regra. Pode-se muito bem trabalhar de forma inversa, em que o dirigente da entidade procura empresários que estejam dispostos a fazer promoções com seus produtos, em prol daquela instituição. Essas ações tendem a se perdurar por vários meses ou, até, anos, o que certamente dará um alívio e uma sobrevida à entidade.

Uma entidade pode ter esse tipo de convênio com várias empresas e com os mais diversos tipos de produtos ou serviços – de um happy-hour a um par de sapatos - desde que, por ética e bom senso, não o faça com concorrentes diretos. Quanto mais recursos, melhor – afinal, o “lucro” resultante dessas ações será todo revertido à prática do bem e do desenvolvimento social do Brasil.

EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
19.064
Oportunidades Cadastradas
9.597
Modelos de Documentos
3.404
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
30 Jun
2020
Linha emergencial de crédito Conexsus
Prazo
Patrocínio BS2
Prazo
31 Jul
2020
GlobalGiving Accelerator - Virtual Training Program...
Prazo
30 Nov
2020
Stop Slavery Award 2021
Prazo
31 Jul
2020
AEB - Chamamento Público para lançamentos a partir...
Prazo
4 Set
2020
Ideias para o Futuro
Prazo
Matchfunding Enfrente o Corona
Prazo
1 Ago
2020
Todos os olhos na Amazônia
Prazo
1 Ago
2020
The IFREE Small Grants Program
Prazo
31 Dez
2020
Patrocínios e Doações - Instituto Usiminas

PARCEIROS VER TODOS