Responsabilidade social:consciência e cidadania empresarial

Por: Livio Giosa
01 Janeiro 2008 - 00h00

O Instituto ADVB de Responsabilidade Social acaba de divulgar a 8ª Pesquisa Nacional sobre Responsabilidade Social nas Empresas, que tem como objetivo obter e fornecer informações precisas sobre a atuação das organizações em programas socialmente responsáveis, a evolução deste entendimento no contexto das empresas e do mercado e as tendências sobre o tema. Os resultados apresentados refletem a real importância que as empresas hoje dão à questão da responsabilidade social.

A pesquisa, tabulada em novembro de 2007, foi fundamentada em questionários respondidos por 3.110 empresas, de todas as regiões do Brasil, sendo 33% de grande porte, 56% de médio porte e 11% de pequeno porte. No total, foram utilizados 27 conceitos básicos na elaboração dos temas do questionário, como as normas da AA 1000 (Accoutability 1000), a Agenda 21, a prática de filantropia, o investimento social, as certificações ISO 14000 e ISO 26000 e o Pacto Global.

A base de dados permitiu identificar que em 91% das empresas a responsabilidade social é parte integrante da visão estratégica, número que chega a 87% quando se trata de governança corporativa, apesar de a participação e o envolvimento da alta administração nos programas sociais estar presente em 80%. De todas as empresas pesquisadas, 81% afirmaram divulgar suas ações sociais com todos os públicos com os quais se relacionam.

Em contrapartida, em 51% não há um Programa Interno de Voluntariado com o seu corpo funcional, e 37% não possuem um Código de Ética documentado.

Ainda, 27% das empresas não atendem à legislação quanto à contratação de portadores de necessidades especiais e mobilidade reduzida. Para 54% das empresas, é necessário o aprimoramento da gestão social interna com a criação dos Indicadores de Projetos Sociais (Tabela 1), sendo que 77% das empresas desenvolvem programas sociais voltados para a comunidade.

Somente 30% das empresas pesquisadas destinam parte do Imposto de Renda devido para os Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad), mas 99% são favoráveis à criação de uma Lei de Incentivo Fiscal às empresas que investem em projetos de responsabilidade social. Publicam o Balanço Social 60% das empresas respondentes.

Dessas, 20% elaboram o documento segundo o modelo GRI, mas 45% das empresas não se utilizam de incentivos fiscais de dedução de Imposto de Renda, como a Lei Rouanet, entre outros.

Mais de 55% das empresas têm planos de aumentar os recursos nos projetos sociais externos que vêm desenvolvendo. Estas pretendem aumentar em 20% os recursos para 2008 em relação ao já investido em 2007. A parcela de empresas que já estão planejando novos projetos sociais foi de 89%. A pesquisa revelou ainda que o investimento social das empresas está alocado em cinco principais áreas, pela ordem: assistência social; esporte; alfabetização; lazer e recreação; e saúde (Tabela 2). Esse investimento social está considerado em torno de R$ 472.300/ano (aproximadamente). As principais categorias da sociedade beneficiadas pelos programas sociais das empresas são: Jovens, Comunidades em geral e Criança (Tabela 3).

Somente 34% das empresas desenvolvem alguma ação de modo a organizar uma “Rede de Fornecedores Socialmente Responsáveis”, e 33% têm políticas ou alguns procedimentos em efetivar compras de “materiais verdes” ou “ambientalmente certificados”; 85% das empresas não conhecem a opinião de seus clientes/consumidores e prospects quanto ao seu entendimento diferencial na escolha de uma empresa socialmente responsável.

A prática de consumo consciente é estimulada no corpo funcional de 64% das empresas. Em 62%, não existem avaliações documentadas sobre seus projetos sociais. Com relação à nova norma internacional sobre Certificação em Responsabilidade Social (ISO 26000), 77% das empresas têm interesse em implantá-la, mas 63% não têm pesquisa nem avaliação sobre a melhoria de sua imagem institucional por desenvolver projetos socialmente responsáveis com os públicos com os quais se relaciona.

Os resultados desse levantamento mostram que cada vez mais as empresas aderem às ações socialmente responsáveis, com inteligência estratégica, estabelecendo com as ONGs uma parceria fundamental. E, assim, focadas na ética e na cidadania, as companhias vislumbram, nessas ações, um novo passo de consolidação de sua imagem institucional e na qualificação do seu produto ou serviço com o seu público-alvo.

De todas as empresas pesquisadas, 81% afirmaram divulgar suas ações sociais com todos os públicos com os quais se relacionam

Lívio Giosa. Vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e coordenador geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Social (Ires).
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