A Empresa Mais Sustentável E O Consumo

Por: Marcus Nakagawa
07 Julho 2015 - 16h06

rf72 35

A Empresa Mais Sustentável E O Consumo

Nesta sociedade de consumo, falar de sustentabilidade  parece meio contraditório. O crescimento  no consumo é algo que vai de encontro ao desenvolvimento  sustentável, já diziam meus amigos da  Academia e de ONGs mais radicais e idealistas. Um dos responsáveis  pela utilização desenfreada dos recursos naturais e  humanos é este modelo de saciar a alma humana com bens,  status e coisas descartáveis. É a sociedade do ter, e não do ser. 

Porém, a realidade é esta, e ponto. O consumo é algo  que faz parte do nosso dia a dia, e isto, para uma Pequena e  Média Empresa (PME), é o que faz “girar a roda” direta ou  indiretamente. Mas, o que este tema tem a ver com os indicadores  de sustentabilidade de PMEs? 

A ideia para este indicador da PME se relacionando com  o consumidor / cliente é termos um desenvolvimento do  consumo consciente e um relacionamento ético e decente  com o nosso consumidor. 

Por incrível que pareça, ter um relacionamento com o  consumidor é uma pauta que muitas empresas dizem possuir,  porém, muitas vezes o fazem de maneira completamente  errada. Algumas não seguem nem mesmo a cartilha do Código  de Defesa do Consumidor. O artigo 8 deste documento, por  exemplo, é um tópico muito relevante: “os produtos e serviços  colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos  à saúde ou à segurança dos consumidores...”. Mas, mesmo  assim, muitas empresas não pensam nisso. Seja porque não  testaram a embalagem, seja porque não instruíram o funcionário  para explicar o modus operandi do serviço, ou, ainda,  porque não testaram o impacto decorrente do uso desses produtos  ou dos serviços. 

Para este ponto, é fundamental seguir o Código de Defesa  do Consumidor e respeitar o direito do consumidor, que, no  Brasil, é uma lei e deve ser cumprida e praticada. Um bom  exemplo é quando o produto de uma empresa tem algum  problema, como a peça de um carro, algo diferente em um  alimento industrializado, um componente químico em algum  suco, enfim, algo que deu errado na hora da produção e a  empresa avisa seus consumidores para devolverem ou não  comprarem este lote de produtos. É o conhecido recall. Ou,  ainda, nos serviços de atendimento ao consumidor, quando  nos sentimos tratados como robôs e um número de protocolo.  Como fazer para ter um atendimento cada vez mais  personalizado e humanizado? São estes momentos de relacionamento  com o cliente que devem ser realizados de maneira  ética e transparente. Com isso, eles se sentirão bem e voltarão  a comprar o seu serviço ou produto. 

Outro tópico deste indicador é o consumo consciente.  Segundo o Instituto Akatu, consumir com consciência é  consumir diferente, tendo no consumo um instrumento de  bem-estar, e não um fim em si mesmo. É neste movimento  de uma comunicação mais responsável e uma educação para  este consumo diferenciado que as empresas precisam começar  a trabalhar. 

O comportamento do consumidor está em constante processo  de mudança. Em uma pesquisa do próprio Instituto  Akatu, de 2013, 60% das pessoas entrevistadas já tinham  ouvido falar desta tal de sustentabilidade, ou seja, ele está cada  dia mais bem informado e exigente e, além de preços baixos  e produtos de qualidade, começa a pedir mais transparência  por parte das empresas, e também a punir companhias que  possam ter produtos que causam danos à sua saúde e segurança.  Estamos falando de questões ligadas diretamente aos  conceitos e práticas de sustentabilidade empresarial. 

Consumo consciente e relacionamento ético e transparente  com o consumidor. Podem ser tópicos de difícil prática  no dia a dia, porém, se começarmos a colocar agora no  papel, ainda que para começarmos amanhã, quem sabe este  diferencial competitivo não se torne realidade e não comecemos  a vender mais? E aí é seguir a linha. Bom trabalho e  bons negócios!