Pensando no futuro do país

Por: Paula Craveiro
01 Março 2010 - 00h00

O Instituto Unibanco é um dos braços sociais do conglomerado Itaú Unibanco. Criado em 1982, tinha por objetivo coordenar as ações sociais do banco. “Numa época em que a questão da responsabilidade social ainda era pouco disseminada entre as organizações brasileiras, a proposta era ampliar e dar mais efetividade a essas iniciativas”, destaca Wanda Engel Aduan, superintendente-executiva do Instituto Unibanco.

A partir da década de 1990, quando a questão ambiental cresceu em importância, o Unibanco criou o programa Unibanco Ecologia, destinado ao patrocínio de projetos na área ambiental, posteriormente incorporado ao Instituto Unibanco. “Essa ação chegou a beneficiar mais da metade das cidades onde o banco estava presente”, segundo Wanda.

No ano de 2002, a instituição promoveu uma ampla revisão em seu plano de ação social, adotando a juventude como foco de atuação e, a partir de 2007, direcionou seus trabalhos à melhoria do Ensino Médio público, considerado estratégico tanto para a formação e inserção laboral das novas gerações, quanto para a diminuição da pobreza e da desigualdade, assim como para o desenvolvimento sustentável do país.

Foco na juventude

O instituto tem a missão de contribuir para o desenvolvimento humano de jovens em situação de vulnerabilidade e defende valores como transparência, coragem de ousar, responsabilidade e corresponsabilidade com os resultados de suas ações, busca de excelência desses resultados, utilização do conhecimento produzido e uso da identidade como instrumento de integração e fonte de fortalecimento.

“Investimos na juventude por acreditarmos que se trata de um momento decisivo para o futuro do ser humano, um momento de escolhas que repercutirão ao longo de toda uma vida, cuja soma representa o futuro de um país. Assim, buscamos desenvolver tecnologias que possam colaborar para que o jovem, aluno da rede pública de ensino, permaneça na escola e complete o ensino médio, desenvolvendo as competências mínimas para o mercado de trabalho e para a vida”, aponta a superintendente-executiva.

Por outro lado, o desenvolvimento econômico e social sustentável e o nível de competitividade global de um país dependem fundamentalmente do estágio educacional de sua população. Assim, o período de forte crescimento que o Brasil experimenta no momento só poderá ser mantido através de um esforço coletivo de formação educacional das novas gerações. “Os investimentos do Instituto Unibanco são importantes justamente porque têm como objetivo colaborar com esse esforço, por meio da concepção e validação de possíveis saídas para os problemas que atingem as políticas públicas de educação”, ressalta Wanda.

Projetos em andamento

As tecnologias criadas destinam-se a melhorar as políticas educacionais. Elas se voltam prioritariamente ao jovem, aluno do Ensino Médio de escolas públicas, mas também beneficiam aqueles que atuam diretamente na formação desse jovem, como professores, supervisores e diretores de escolas, além de universitários que atuam nos projetos.

Entre os principais programas desenvolvidos pelo Instituto Unibanco estão o Jovem de Futuro e o Entre Jovens.

O Jovem de Futuro visa contribuir para o aumento do desempenho escolar e para a diminuição dos índices de evasão de escolas públicas de ensino médio, por meio de uma proposta de gestão escolar para resultados. O projeto oferece às escolas apoio técnico e financeiro necessários. A assessoria técnica destina-se à concepção de um plano de três anos de duração e à gestão físico-financeira desse plano. Para 2010, estão previstos investimentos no projeto da ordem de R$ 17 milhões, destinados a atender 98 escolas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O Entre Jovens é uma iniciativa desenvolvida em parceria com governos estaduais, em escolas públicas do Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, Campinas e Juiz de Fora, e visa enfrentar a situação de alunos que chegam ao Ensino Médio sem o domínio das competências básicas previstas para o final do Ensino Fundamental. Essa falta de condições acadêmicas é, em muitos casos, responsável pelo baixo desempenho no ensino médio e também pelo abandono escolar. O projeto oferece atendimento educacional complementar a alunos da primeira série de escolas públicas de ensino médio, por meio de um programa de tutoria desenvolvido por estudantes universitários de cursos de licenciatura.

O instituto conta, ainda, com um programa de voluntariado empresarial, realizado por colaboradores do Itaú Unibanco, que oferece opções de atividades solidárias, de acordo com suas habilidades e disponibilidade de tempo.

Gestão

O Instituto Unibanco é administrado por um Conselho Administrativo, presidido por Pedro Moreira Salles. Seus recursos provêm dos rendimentos de um fundo criado pelo banco em 2000 para manter as suas atividades. Deste modo, o Instituto não depende de novos recursos financeiros por parte do conglomerado.

“Utilizamos os serviços do Itaú Unibanco para o acompanhamento financeiro e jurídico de suas atividades, bem como para a análise dos riscos envolvidos, dispondo de uma auditoria externa e de avaliadores também externos para a aferição do impacto de seus projetos”, conta Wanda.

Bons resultados

De acordo com a superintendente-executiva do instituto, as principais conquistas obtidas foram os resultados aferidos a partir de avaliações de impacto, realizadas pelo Ipea, no caso do Jovem de Futuro, e pelo Banco Mundial, em relação ao Entre Jovens, que atestaram a efetividade dessas tecnologias.

“As escolas de Porto Alegre e Belo Horizonte que participam do projeto Jovem de Futuro, por exemplo, conseguiram em apenas um ano que seus alunos do ensino médio dessem um salto significativo no desempenho em português e matemática”, conta. A partir da comparação do resultado de testes aplicados em dois grupos de alunos – o das escolas beneficiadas pelo projeto e o daquelas ainda não atendidas –, os pesquisadores concluíram que, após um ano de implantação do Jovem de Futuro, as escolas beneficiadas aumentaram a porcentagem de alunos com proficiência em português e matemática, de acordo com a terceira meta do Todos pela Educação, na mesma proporção que as demais escolas só alcançam em cinco anos.

A avaliação de impacto do Entre Jovens mostrou que os estudantes beneficiados melhoraram consideravelmente seu desempenho em português e matemática. Além disso, a frequência nas aulas dessas disciplinas também aumentou. A pesquisa detectou ainda que os alunos que frequentaram mais intensamente o programa apresentaram rendimento superior àqueles que não o fizeram com a mesma intensidade.

“Estes resultados propiciaram a pré-qualificação dessas tecnologias pelo MEC. O ministério incluiu o Jovem de Futuro e o Entre Jovens no seu Guia de Tecnologias Educacionais 2010, recomendando a sua adoção nas escolas públicas de ensino médio”, destaca Wanda.

Perspectivas

O reconhecimento da efetividade das principais tecnologias desenvolvidas foi muito importante para as perspectivas futuras do Instituto Unibanco. “Nossa organização não pretende atender, diretamente com seus projetos, o universo dos alunos do ensino médio. Nossa pretensão é testar essas tecnologias por meio de projetos implantados em parceria com as secretarias estaduais para, uma vez comprovado seu impacto, poder transferi-las para os sistemas de ensino, de modo que eles próprios se encarreguem de sua implantação”, explica Wanda Engel Aduan.

Neste sentido, serão investidos recursos em 2010 para consolidar a avaliação e sistematizar essas tecnologias, de maneira que, em 2011, quando se iniciarem os novos governos estaduais, elas possam ser oferecidas e transferidas para os Estados que assim o desejarem.

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