Inovação em empreendimentos solidários

Por: Heliomar Quaresma
30 Dezembro 1899 - 00h00

A sustentabilidade e os empreendimentos solidários são temas de profunda interdependência. Se refletirmos sobre as três dimensões (econômica, ambiental e social) que devem ser levadas em conta para o desenvolvimento das políticas organizacionais e de empreendimentos que, dentre outras coisas, possam gerar emprego, renda e bens (in)tangíveis para as comunidades nas quais se desenvolvem, acreditamos que a ideia de inovação pode contribuir para que o olhar se estenda de forma sistêmica sobre o desenvolvimento humano e planetário.

Para tratar de empreendimentos solidários é importante buscar alguns elementos conceituais. Segundo o dicionário Michaelis, a solidariedade é o “estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas”. Pode ser também o “laço ou ligação mútua entre duas ou muitas coisas dependentes umas das outras”. Ou ainda, a “condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora”.

Assumamos como premissa que as organizações e empreendimentos solidários partem de um ideal e possuem princípios e valores (dentre eles, a solidariedade), mesmo que não explicitados formalmente. Esses valores funcionam como catalisadores do alinhamento dos sentimentos e das condutas. Então, é a ideologia básica o alicerce de alguns dos elementos constituintes da cultura organizacional, e que deveriam carregar as ideias de sustentabilidade e solidariedade.

A sustentabilidade, tal como a concebo, está calcada na ética do cuidado, tão bem articulada pelo teólogo e filósofo Leonardo Boff1. Cuidar do meio ambiente, da família, das crianças, daqueles que conosco dividem o dia-a-dia, é base para a experiência do cuidado. Também, respeitar profundamente as opções e diferenças entre as pessoas independentemente de credo, raça, opção religiosa, sexual ou política institui o princípio de solidariedade que deve ser o propulsor dos empreendimentos solidários.
Sob essa perspectiva, a inovação poderia acontecer em relação: ao consumo e à distribuição de riqueza (economia); à educação centrada em metodologias focadas em valores humanos; às formas de gestão participativa e sem preconceitos culturais, sociais ou acadêmicos; e aos processos calcados no protagonismo, na experimentação e no trabalho cooperativo. O resultado tende a ser a transcendência de um sistema ególatra para um sistema de base cooperativa.

A inovação é, portanto, um sentimento de inquietação que nos impulsiona a pensar o novo para promover a sustentabilidade das organizações e a qualidade de vida das pessoas. Sem criatividade e flexibilidade para experimentação e novos aprendizados, os processos se engessam e o aspecto econômico sobrepuja o ambiental e o social, no qual o enriquecimento imediato se estabelece às custas do comprometimento da sobrevivência das futuras gerações. Os empreendimentos solidários não devem buscar apenas uma divisão mais equânime da riqueza gerada, mas também pensar todo o sistema no qual se insere e quais atitudes serão tomadas para garantir que a palavra “solidariedade” não tenha um cunho antropocêntrico.

Além disso, a inovação nos moldes propostos é um conceito que promove o alinhamento dos comportamentos para a construção da solidariedade e da sustentabilidade, sendo que o inverso é, também, verdadeiro. Cabe às lideranças promover e exemplificar tais comportamentos, contribuindo para que as práticas de cuidado e cooperação sejam institucionalizadas nos empreendimentos.

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