Faltam transparência e qualidade aos relatórios e balanços sociais

Por: Fernando Credidio
01 Junho 2006 - 00h00

Entende-se por balanço social o relató-rio das atividades de responsabilidade socioambiental de uma empresa. Trata-se, sem dúvida, de uma importante ferramenta a serviço das organizações, independentemente de seu porte e setor de atuação, capaz de indicar os avanços e desafios destas na gestão socialmente responsável para todos os públicos de interesse, sejam colaboradores, acionistas, fornecedores, clientes ou comunidades em que estão inseridas.

Publicado de forma voluntária, com o objetivo de expressar as iniciativas de compromisso social e ambiental, o balanço social tem de complementar as informações contábeis da empresa. Para tanto, alguns pré-requisitos têm de ser seguidos: ele deve ser claro, ter profundo compromisso com a verdade e ser amplamente disponibilizado aos seus públicos de interesse, por todos os meios possíveis. Isso porque os relatórios são utilizados, também, como meio de difusão e instrumento de transparência das ações corporativas, além de uma forma de gestão empresarial e de diálogo com a sociedade.
  
Mas será que as empresas estão cumprindo o papel de bem informar seus stakeholders? Infelizmente, não. Há algum tempo, o jornal Financial Timespublicou um estudo conduzido pela consultoria SustainAbility, do Reino Unido, e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no qual foram analisados 50 relatórios socioambientais de importantes companhias mundiais, à luz de 49 critérios. Constatou-se, à época, que o progresso geral tinha sido mínimo. Os melhores resultados foram obtidos por empresas britânicas e de outras partes da Europa. No Brasil, a situação não é diferente. A maioria das empresas produz relatórios que carecem de explicações sobre a relevância de todos os dados publicados. Parece que a principal preocupação de boa parte das organizações concentra-se mais na estética do que, propriamente, no conteúdo. Outras publicam o balanço social com a clara intenção de receberem prêmios e colecionarem selos que, da mesma forma como acontece com as certificações socioambientais e de qualidade, são mencionados nos anúncios veiculados na mídia. A verdade é que muitos desses relatórios são produzidos, nitidamente, como genuínas peças de marketing, fugindo completamente do escopo ao qual se destina.

 
Ainda que o balanço social seja um excelente e necessário instrumento de comunicação das empresas, as informações contidas nos relatórios não devem se resumir apenas a um check-listdas ações socioambientais corporativas. Mais do que isso, deve ser descrito, de forma fiel e precisa, o retrato das atividades social e ambiental da empresa em determinado período de tempo. Nesse aspecto, observa-se que os relatórios apresentam clara omissão das prioridades, havendo mínima ou nenhuma co-relação e vínculo entre os impactos sociais da empresa em relação aos econômicos. A verdade é que as organizações têm se limitado a apresentar dados quantitativos e numéricos, acompanhados de descrições das ações desenvolvidas envoltas em hábil retórica. Outra deficiência concentra-se na defasagem entre aquilo que foi estimado e o que foi, de fato, realizado. É bastante comum detectar-se solução de continuidade nas ações, de um ano para outro. Contudo, a falha maior das organizações tem sido não divulgar, transparentemente, seus passivos socioambientais. Não é raro empresas mascararem ou omitirem falhas de conduta em seus relatórios, preocupando-se, apenas, em publicar informações positivas. Isso acontece, principalmente, porque as organizações temem que sua dívida social e/ou ambiental tenha de ser paga de imediato, em razão do posicionamento de algumas organizações do Terceiro Setor, em especial, as de atuação na área ambiental.  
Talvez essas empresas se esqueçam de que a transparência, mais do que necessária, é uma importante vantagem comparativa e a prova maior de que a organização está realmente aberta e imbuída no sentido de apontar as suas deficiências e, assim, aprimorar sua performance, demonstrando à sociedade sua verdadeira vocação para promover as transformações sociais tão necessárias e esperadas pelo país.

 

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