Os grandes problemas da humanidade já começaram. Entre eles, o mais comentado atualmente é o efeito estufa. Cientistas e especialistas no tema alertam: o planeta está esquentando por nossa culpa. Portanto, o aquecimento global é um assunto que deve ser tratado cada vez mais e com mais seriedade, pois é um fator que determinará a perenidade do planeta e a qualidade de vida das futuras gerações.
Por isso, devemos tomar medidas urgentes para mitigar essa situação, porque a destruição do meio ambiente nos conduz a um momento decisivo. Afinal, estamos vivendo um processo que coloca em risco a continuidade da existência da humanidade. Dessa forma, é fundamental que optemos por qual mundo desejamos viver e deixar para nossos filhos.
O aquecimento global segue uma lógica cruel e desumana: os mais pobres pagarão caro pelos erros e pela inércia dos mais ricos. A conclusão é de uma análise produzida por economistas e cientistas norte-americanos da Universidade de Yale, do Banco Mundial e do Instituto de Pesquisas sobre Energia Elétrica. O documento prevê que metade das nações mais miseráveis do mundo sofrerá os principais danos provocados pelo aquecimento global. Ironicamente, as pessoas mais vulneráveis vivem em países que podem se gabar por pouco terem contribuído para a emissão de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa.
Perspectivas
Um relatório da organização WWF – World Wide Fund for Nature, aponta dez maravilhas da natureza ameaçadas de destruição por causa do aumento global da temperatura. Entre elas, estão a Floresta Amazônica, a Grande Barreira de Coral da Austrália e as geleiras do Himalaia. O relatório inclui, também, animais como o tigre-de-bengala, as tartarugas do Caribe e o salmão selvagem do Alasca. As outras são o deserto de Chihuahua (entre EUA e México), as florestas de Valdivia (Chile e Argentina), o Rio Yangtsé (China), as matas costeiras e a vida marinha do leste da África.
Mas não é só. O gelo marinho que cobre o oceano Ártico registrou, este ano, sua segunda menor extensão em toda a história, afirmam cientistas americanos. A área de mar coberta por pelo menos 15% de gelo em abril deste ano foi de 14,7 milhões de quilômetros quadrados, pouca coisa mais que os 14,5 milhões de quilômetros quadrados registrados em março de 2006. Os pesquisadores dizem que este é o terceiro ano consecutivo no qual o gelo marinho – que derrete no verão e congela novamente no inverno – deixa de se recuperar totalmente. A perda se deve a temperaturas acima da média atribuídas ao aquecimento global – este inverno foi o mais quente da história no hemisfério Norte.
O certo é que a humanidade passará por uma divisão sem precedentes causada pelas mudanças climáticas, de acordo com os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), estabelecido em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O IPCC estuda, discute e orienta a implementação da Convenção do Clima e do Protocolo de Kyoto. Segundo o documento, as conseqüências mais graves do aquecimento global previstas para as próximas décadas atingirão, principalmente, América do Sul, Ásia e África. Estados Unidos, Europa e Austrália são os que menos sofrerão.
O mais grave, contudo, é que os mais pobres serão os mais afetados pela combinação das mudanças climáticas com a presença humana. De acordo com os pesquisadores do IPCC, a escassez de água em regiões do planeta já secas e pobres, como o sertão nordestino, e o excesso dela em áreas sujeitas a inundações, como os superpopulosos deltas de rios asiáticos, vai colocar em risco “muitos milhões de pessoas” até 2080. As regiões mais impactadas serão aquelas onde as pessoas são menos capazes de se adaptar à mudança climática. Ainda segundo o relatório, 250 milhões de pessoas poderão ser expostas à falta de água na África até 2020. No nordeste do Brasil, a recarga de águas subterrâneas pode cair 70% até os anos 2050.
| A ONU adverte, igualmente, que secas, enchentes e supertempestades aumentarão ainda mais a desigualdade entre países ricos e pobres. O documento também alerta para os efeitos do aquecimento global sobre a saúde humana, com o aumento dos casos de doenças tropicais, das enfermidades provocadas pela falta de água tratada ou pela seca, e afirma que os países do hemisfério Sul, sobretudo os mais pobres, serão os principais afetados. | As conseqüências mais graves do aquecimento global previstas para as próximas décadas atingirão, principalmente, América do Sul, Ásia e África. Estados Unidos, Europa e Austrália são os que menos sofrerão |


