Em nome dos nossos filhos

Por: Fernando Credidio
01 Maio 2007 - 00h00
Os grandes problemas da humanidade já começaram. Entre eles, o mais comentado atualmente é o efeito estufa. Cientistas e especialistas no tema alertam: o planeta está esquentando por nossa culpa. Portanto, o aquecimento global é um assunto que deve ser tratado cada vez mais e com mais seriedade, pois é um fator que determinará a perenidade do planeta e a qualidade de vida das futuras gerações.
Por isso, devemos tomar medidas urgentes para mitigar essa situação, porque a destruição do meio ambiente nos conduz a um momento decisivo. Afinal, estamos vivendo um processo que coloca em risco a continuidade da existência da humanidade. Dessa forma, é fundamental que optemos por qual mundo desejamos viver e deixar para nossos filhos.

O aquecimento global segue uma lógica cruel e desumana: os mais pobres pagarão caro pelos erros e pela inércia dos mais ricos. A conclusão é de uma análise produzida por economistas e cientistas norte-americanos da Universidade de Yale, do Banco Mundial e do Instituto de Pesquisas sobre Energia Elétrica. O documento prevê que metade das nações mais miseráveis do mundo sofrerá os principais danos provocados pelo aquecimento global. Ironicamente, as pessoas mais vulneráveis vivem em países que podem se gabar por pouco terem contribuído para a emissão de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa.

Perspectivas
Um relatório da organização WWF – World Wide Fund for Nature, aponta dez maravilhas da natureza ameaçadas de destruição por causa do aumento global da temperatura. Entre elas, estão a Floresta Amazônica, a Grande Barreira de Coral da Austrália e as geleiras do Himalaia. O relatório inclui, também, animais como o tigre-de-bengala, as tartarugas do Caribe e o salmão selvagem do Alasca. As outras são o deserto de Chihuahua (entre EUA e México), as florestas de Valdivia (Chile e Argentina), o Rio Yangtsé (China), as matas costeiras e a vida marinha do leste da África.
Mas não é só. O gelo marinho que cobre o oceano Ártico registrou, este ano, sua segunda menor extensão em toda a história, afirmam cientistas americanos. A área de mar coberta por pelo menos 15% de gelo em abril deste ano foi de 14,7 milhões de quilômetros quadrados, pouca coisa mais que os 14,5 milhões de quilômetros quadrados registrados em março de 2006. Os pesquisadores dizem que este é o terceiro ano consecutivo no qual o gelo marinho – que derrete no verão e congela novamente no inverno – deixa de se recuperar totalmente. A perda se deve a temperaturas acima da média atribuídas ao aquecimento global – este inverno foi o mais quente da história no hemisfério Norte.

O certo é que a humanidade passará por uma divisão sem precedentes causada pelas mudanças climáticas, de acordo com os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), estabelecido em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O IPCC estuda, discute e orienta a implementação da Convenção do Clima e do Protocolo de Kyoto. Segundo o documento, as conseqüências mais graves do aquecimento global previstas para as próximas décadas atingirão, principalmente, América do Sul, Ásia e África. Estados Unidos, Europa e Austrália são os que menos sofrerão.

O mais grave, contudo, é que os mais pobres serão os mais afetados pela combinação das mudanças climáticas com a presença humana. De acordo com os pesquisadores do IPCC, a escassez de água em regiões do planeta já secas e pobres, como o sertão nordestino, e o excesso dela em áreas sujeitas a inundações, como os superpopulosos deltas de rios asiáticos, vai colocar em risco “muitos milhões de pessoas” até 2080. As regiões mais impactadas serão aquelas onde as pessoas são menos capazes de se adaptar à mudança climática. Ainda segundo o relatório, 250 milhões de pessoas poderão ser expostas à falta de água na África até 2020. No nordeste do Brasil, a recarga de águas subterrâneas pode cair 70% até os anos 2050.

A ONU adverte, igualmente, que secas, enchentes e supertempestades aumentarão ainda mais a desigualdade entre países ricos e pobres. O documento também alerta para os efeitos do aquecimento global sobre a saúde humana, com o aumento dos casos de doenças tropicais, das enfermidades provocadas pela falta de água tratada ou pela seca, e afirma que os países do hemisfério Sul, sobretudo os mais pobres, serão os principais afetados.
As conseqüências mais graves do aquecimento global previstas para as próximas décadas atingirão, principalmente, América do Sul, Ásia e África. Estados Unidos, Europa e Austrália são os que menos sofrerão


Atuação brasileira
Em recente palestra na Fundação Oswaldo Cruz, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, afirmou que o Brasil tem pouco a fazer para enfrentar o aquecimento global se o restante do planeta não agir conjuntamente. Segundo a ministra, se reduzirmos 100% das nossas emissões de gás carbônico e os países ricos não reduzirem 80% das deles, seremos afetados igualmente e a Amazônia virará savana. Ainda de acordo com Marina, nos últimos dois anos houve uma redução de 51% do desmatamento no Brasil e deixaram de ser emitidos 430 milhões de toneladas de gás carbônico. Ela calcula que, se já tivesse sido aprovada sua proposta de incentivo financeiro aos países que controlam as emissões, o Brasil teria recebido US$ 800 milhões.

Diante desse quadro, é preciso que o governo brasileiro retome a posição de vanguarda e liderança que teve em 2002 na África do Sul e se una à China, Índia e outros países do Grupo dos 77 – criado em 15 de junho de 1964, quando 77 países em desenvolvimento adotaram, na conclusão da Primeira Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, uma declaração conjunta –, no sentido de adotar medidas concretas juntamente com os países industrializados para reduzir as emissões mundiais. O Brasil pode fazê-lo, facilmente, reduzindo o desmatamento da Amazônia.

A luta contra o aquecimento global não é tão cara quanto se imagina, se governos, empresas e a sociedade, como um todo, tomarem medidas imediatas para impedir uma elevação significativa da temperatura média do planeta. Algumas atitudes, individuais ou coletivas, já estão sendo tomadas. Bancos emitem talonários de cheques e enviam suas correspondências em papel reciclado. O mesmo faz o governo federal, ao emitir os contracheques dos servidores. Na cidade de São Paulo, existe a obrigatoriedade de neutralizar a emissão de carbono nos shows. Mas ainda é pouco, muito pouco! O mercado, que só visa ao lucro, além de ser o maior responsável pela tragédia anunciada, não tem por sua própria natureza condições de deter o processo degenerativo global.

Portanto, é urgente que reflitamos profunda e detalhadamente sobre nossas condutas diárias, a fim de resgatar os valores mais simples e verdadeiros da vida e praticar a doação de nossa melhor postura em relação ao meio em que vivemos. Afinal, se todos os seres vivos desenvolvem sistemas de comportamento compatíveis com sua sobrevivência, por que, então, não reaprendermos a ajustar, harmoniosamente, nosso estilo de vida àquele do restante da natureza?

O fato é que cada ação e omissão deflagrarão inúmeras conseqüências que, reiteradas, transformar-se-ão em acúmulo de problemas que comprometerão, de forma irremediável, a qualidade de vida no planeta. Assim, quanto mais ações hoje contra o aquecimento global, melhor para as futuras gerações.

Fernando Credidio. Palestrante, articulista, gestor e consultor organizacional em Terceiro Setor, sustentabilidade e responsabilidade social empresarial.
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