Elaboração de Projetos e Captação de Recursos Primeira Parte

Por: Ricardo Falcão
01 Março 2004 - 00h00
Este é o primeiro de cinco artigos que apresentarão uma maneira simples e objetiva de se elaborar projetos, pensando em sua captação de recursos e desmistificando sua complexidade.

Elaborar projetos, à primeira vista, parece complicado. Pode-se pensar que curso superior seria pré-requisito para tal; outras vezes encontram-se pessoas “criando dificuldades para vender facilidades”, supervalorizando a tarefa. Na realidade, essa atividade está ao alcance da maioria. Um novo e bom projeto leva no mínimo um mês para ser elaborado e dá muito trabalho, mas não é nada impossível. Um projeto é composto por 5% de inspiração e 95% de transpiração.

Recursos existem, o que falta são boas propostas. Quantas vezes já nos perguntamos porque projetos tecnicamente inferiores conseguem mais recursos, têm maior impacto e visibilidade que os nossos? É fácil entrar em contato com financiadores – o que se diz, no entanto, é determinante para conseguir ou não os recursos necessários.

Hoje é preciso que haja uma mudança no entendimento do que é um projeto. Um livro ou uma tese de mestrado são resultados de um projeto, mas não um projeto em si. Ele é antes de tudo um planejamento e, como toda e qualquer atividade desse tipo, deve responder a três perguntas básicas: onde estou?, onde quero chegar? e como chegar lá?

No passado, eram comuns projetos com mais de cem páginas, que pareciam ter como preocupação mostrar mais o conhecimento do autor que o objetivo em si. Sabe-se que, atualmente, clareza e objetividade são fundamentais na elaboração dos tópicos da proposta.

Instituições utilizam diferentes nomenclaturas para os itens apresentados a seguir; portanto, não nos fixemos em nomes, mas sim nos conceitos por eles representados. A nomenclatura a ser admitida deve ser aquela solicitada pela instituição que o receberá. Um bom projeto deve conter:

1: Instituição

2: Justificativa do projeto

3: Objetivo geral

4: Objetivo específico

5: Sub-produtos

6: Atividades

7: Indicadores

8: Fatores de risco e mitigantes

9: Metodologia

10: Cronograma

11: Orçamento

Um projeto também precisa de financiamento

De nada adianta desenvolvermos um projeto novo, perfeito em todos os aspectos, se não encontrarmos um financiador. Escrever um bom projeto é trabalho demorado e caro. Assim, de nada adianta gastar tempo e dinheiro escrevendo um, sem antes saber se existe financiador interessado. Antes de elaborar um projeto com esses 11 tópicos, é imprescindível realizar uma pesquisa com um pré-projeto composto pelos quatro primeiros itens, sendo que serão estimados o custo e a duração que aparecerão na justificativa que será melhor abordada na próxima edição.

Sendo o planejamento uma ação coletiva, a elaboração de projeto deve ser, conseqüentemente, feita em grupo, junto com os beneficiários e parceiros. Nos projetos de sucesso, uma palavra comum é comprometimento, que é ainda maior quando se está implementando o próprio projeto. Ao escrever, deve-se procurar usar uma linguagem adequada à instituição que irá recebê-lo, ser objetivo e ressaltar as partes positivas, tais como:

  • Participação dos três setores: público, privado e sociedade civil. Os projetos mais bem sucedidos no mundo contam com a participação de todos os setores.

  • Auto-sustentabilidade: sabe-se que nem todos os projetos são auto-sustentáveis, mas, se for o caso, dê o maior destaque possível a tal fato.

  • Credibilidade e experiência da instituição na área: quem irá executar o projeto é tão ou mais importante quanto o próprio projeto.

Em suma: projeto é planejamento; dessa forma, todas as atividades que envolvem sua elaboração devem ser levantadas, analisadas e suas ações, executadas profissionalmente.

Captar recursos não é vender um projeto, mas conquistar um parceiro. Não é preciso ser um grande vendedor, e muito menos um bom conquistador, se o projeto for consistente, bem elaborado e apresentado para a pessoa certa, na hora certa. Não existe uma fórmula mágica: deve-se compensar o pouco poder de persuasão com uma boa preparação, sendo que nada deve ficar ao acaso. Existe o fator sorte, totalmente imprevisível – entretanto, quanto maior o preparo, mais sorte se tem.

É fundamental buscar recursos por meio de todas as fontes disponíveis. As agências internacionais, governamentais ou não, disponibilizam para o Brasil milhões de dólares; as fontes de recursos governamentais nacionais são mais conhecidas, mas são muito mais burocráticas em seus trâmites.

A idéia de se colocar um projeto embaixo do braço e sair batendo de porta em porta está sendo substituída por uma atitude mais profissional. É preciso dar ao projeto o mesmo tratamento que as empresas dão a seus produtos. Pesquisas são fundamentais na captação de recursos para determinar o que apresentar, para quem e quando.

Três são os problemas que estão entre os mais comuns na captação de recursos. O primeiro é o fato de termos por hábito pedir um “dinheirinho”, ou seja, mendigar – quem mendiga consegue “trocado”. Se a procura é por recursos, deve-se propor um investimento que dará retorno também para o investidor. É preciso conhecer o financiador para saber que tipo de retorno ele está buscando: financeiro, imagem, satisfação pessoal, reconhecimento, resultados, entre outros. O segundo obstáculo é usar como argumentação algo comovente e sedutor, esquecendo que queremos conquistar outra pessoa que pode ter interesses e motivações diferentes. A terceira problemática reside em outro hábito: vender miséria ao relatar que a entidade está financeiramente quebrada e que, por exemplo, as crianças atendidas estão passando necessidade e por aí vai. Ninguém quer se juntar ao fracasso, todos querem se unir ao sucesso. Um profissional que represente um agente financiador não vai querer se arriscar patrocinando uma instituição que está prestes a quebrar, pois ele precisa apresentar periodicamente os resultados do investimento que fez. O que conquista é o sucesso, que nos leva ao primeiro tópico de nossa proposta. Quem está apresentando o projeto? Como apresentá-lo?

A instituição

A primeira coisa que se faz ao chegar a um lugar é a apresentação – por isso, o primeiro passo é apresentar nossa instituição. Mas o que dizer? Os financiadores têm interesse em saber sobre a ONG – organização não-governamental, e não sobre sua “ING” – indivíduo não-governamental! Os financiadores querem conhecer a vida da entidade, e não a vida do fundador.

Tomemos como exemplo a compra de um apartamento: na planta, o que você gostaria de saber sobre a empresa que irá construir o imóvel? É exatamente o que os financiadores têm interesse em saber sobre a instituição, além dos dados cadastrais, juntamente com os certificados recebidos: a missão, que deve conter o objetivo da entidade; a experiência geral e na área do projeto; os programas relevantes executados, que servem para provar a experiência geral e na área mencionada; os parceiros da instituição, evidências de que existem pessoas que acreditam em seu trabalho; os prêmios conquistados, para mostrar que seu trabalho foi reconhecido; a equipe, que qualifica aqueles que atuam na organização; e, o mais importante, o sucesso medido por resultados práticos.

O sucesso é medido pelo número de pacientes curados, pois o número de pacientes atendidos é a experiência. O número de crianças atendidas por uma instituição é a experiência: o que aconteceu com essas crianças após o atendimento é o resultado prático. Se a instituição é nova e ainda não tem resultados para mostrar, evidencie a experiência de sua equipe. Agora, se sua equipe é ainda inexperiente, fica mais difícil, mas não impossível.

Em tempo: tudo deve ser escrito em não mais de uma página, com o uso de letra e margens padrão.

No próximo artigo será abordada a justificativa.

É preciso dar ao projeto o mesmo tratamento que as empresas dão a seus produtos

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