Como melhorar a gestão dos projetos realizados em parceria entre empresas e ONGs

Por: Fábio Rocha
01 Maio 2007 - 00h00

Não existem dúvidas a respeito da dimensão e da importância das ações, projetos e investimentos sociais realizados pelos setores privado e não-governamental no Brasil. Estima-se que ambos totalizem mais de 2,5% do PIB do país.
Este cenário também propicia uma movimentação bastante comum, anterior ao crescimento do movimento de responsabilidade social empresarial no Brasil, que é o da realização de parcerias entre o setor privado e o Terceiro Setor, sendo este último muitas vezes representante da comunidade em que o projeto será realizado (associação de moradores, grupos locais) ou o próprio público-alvo da ação (ONG ambientalista, direcionada à terceira idade, voltada para o segmento cultural, entre outras).

A maior preocupação, já discutida em trabalhos, pesquisas e artigos acadêmicos, é que muitas empresas têm demonstrado insatisfação na qualidade destas relações e, principalmente, com o amadorismo que costumeiramente permeia a gestão das instituições sem fins lucrativos.
Este contexto tem reforçado a idéia no setor privado de que a solução é o fortalecimento de suas fundações privadas e/ou a criação das suas próprias organizações não-governamentais – hoje, muito bem representados pelos institutos, o que fragiliza as organizações não-governamentais de base ou da sociedade civil organizada.

Muitas instituições são apoiadas por uma mesma empresa há mais de cinco anos e estão cada vez mais dependentes e fragilizadas, da mesma maneira que a ineficiência e o desperdício de recursos também crescem quando os volumes transacionados são maiores

Vale lembrar que o verdadeiro Terceiro Setor brasileiro não se assemelha às características presentes pelas instituições associadas ao Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) ou por instituições que estão na mídia e são exceções nos aspectos de profissionalização da gestão como, por exemplo, Instituto Ayrton Senna, Viva Rio, Obras Sociais Irmã Dulce, Ibase, Fundação Gol de Letra, entre tantas outras.
A palavra “verdadeiro” aqui significa o sentido de grande parte das instituições que integra o setor e não de apropriação indevida de personalidade jurídica ou de representação do setor.
Assim, a maioria das ONGs brasileiras, independente das polêmicas conceituais presente nas comunidades, tem as seguintes características:
• Domínio da sua atividade-fim;
• Criatividade;
• Capacidade de trabalhar com o imprevisto;
• Compromisso com a causa social;
• Atividades assistenciais;
• Deficiência crônica na estrutura de gestão;
• Amadorismo;
• Indefinição de foco;
• Inexistência ou deficiência no planejamento estratégico e/ou operacional;
• Pouca representatividade;
• Processo de decisão lento e centralizado;
• Inexistência e/ou deficiência do sistema de informações;
• Falta de sensibilização de pessoal para o trabalho voluntário;
• Processo de decisão lento e centralizado;
• Falta de recursos humanos e materiais, como também de um sistema administrativo;
• Influência político-partidária;
• Nível de escolaridade inadequado para o exercício do papel dos gestores;
• Inexistência e/ou deficiência na área de comunicação/marketing.

Dependência
Diante deste panorama, podemos destacar que as principais dificuldades destas instituições referem-se aos aspectos de gestão, o que compromete muito o atual modelo de parceria empresa-Terceiro Setor, excessivamente concentrado no repasse de recursos financeiros e com pouca presença de ações de desenvolvimento institucional.
Portanto, muitas destas instituições são apoiadas por uma mesma empresa há mais de cinco anos e estão cada vez mais dependentes e fragilizadas, da mesma maneira que a ineficiência e o desperdício de recursos também crescem quando os volumes transacionados são maiores. Em outras palavras, quem gerencia de maneira pouco eficiente a quantia de
R$ 10 mil terá problemas gerenciais muito maiores com R$ 100 mil.

Precauções
Com este quadro, no intuito de maximizar a riqueza destas relações de parceria e o quão positiva para ambas ela pode ser, seguem abaixo algumas sugestões de mudanças neste modelo de conexão. São elas:
• Parcerias devem ter objetivos claros;
• Cada projeto precisa ter início, meio e fim determinados;
• O envolvimento da empresa com a organização não-governamental e o projeto jamais pode ser baseado em mero repasse de recursos;
• Durante o projeto, deverão ser formados multiplicadores internos na ONG parceira para dar continuidade às ações realizadas;
• É fundamental que o enfoque seja dado a partir de uma organização não-governamental que não seja beneficiária do processo e, sim, um agente ativo na parceria, inclusive com a obrigação de oferecer uma contrapartida real (mobilização da comunidade, disponibilização de voluntários etc.), evitando relações de simples patrocínio;
• Definir como condição desejável ao repasse/apoio da empresa uma ação específica na área de gestão e/ou treinamento gerencial, que pode ser executado até por uma terceira instituição, como, por exemplo, uma consultoria ou alguma universidade;
• Buscar a união nas ações de negócio da empresa e ação social (domínio do negócio), ou seja, aproveitar a expertise da empresa para os projetos sociais;
• Definição de estrutura própria na empresa para a área social e/ou parceria com entidades especializadas;
• Estimular, apoiar, desenvolver e priorizar que seus gestores e colaboradores exerçam o chamado voluntariado do conhecimento (orientação técnica nos aspectos de gestão, apoio na captação de recursos e na articulação de outros parceiros, construção de sites, elaboração de um plano de comunicação etc.);
• Conceber e negociar com a entidade parceira um sistema de avaliação da parceria e/ou do projeto (indicadores de resultados).

Não há dúvida da existência de muitas destas características em alguns modelos de gestão da atuação social externa de algumas empresas, mas ainda são exceções. A melhoria da relação da empresa com esse stakeholder (parte interessada) tão importante é apenas um dos capítulos da extensa agenda da responsabilidade social empresarial.
Mas, com certeza, é uma alternativa melhor do que criar um braço social da empresa (uma outra personalidade jurídica) e desconsiderar os trabalhos sociais já realizados pelo setor não-governamental.


Fábio Rocha. Sócio-diretor da Damicos Consultoria e Negócios.
EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
10.287
Oportunidades Cadastradas
8.101
Modelos de Documentos
2.226
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
9 Out
2018
Habilitação de Entidades para Indicação dos membros...
Prazo
28 Set
2018
JBC – Janeiro Brasileiro da Comédia
Prazo
14 Out
2018
Concurso Literário “Virtudes em Prosa e Verso"
Prazo
30 Set
2018
Festival Estudantil de Teatro de Caraguatatuba
Prazo
20 Nov
2018
Virada Cultural 2019
Prazo
28 Set
2018
Polo Regional 3 - Território Sesi-SP de Arte e Cultura...
Prazo
28 Set
2018
Polo Regional 3 - Território Sesi-SP de Arte e Cultura...
Prazo
30 Nov
2018
Programa Selos Postais
Prazo
11 Out
2018
Artes Cênicas -SESI Viagem Teatral - Produções Inéditas
Prazo
28 Set
2018
SESI – Música -Série Palco Aberto
Prazo
28 Set
2018
Polo Regional 2 - Território Sesi-SP de Arte e Cultura...
Prazo
28 Set
2018
Polo Regional 2 - Território Sesi-SP de Arte e Cultura...
Prazo
28 Set
2018
Polo Regional 3 - Território Sesi-SP de Arte e Cultura...
Prazo
1 Dez
2018
The Prince Claus Fund 2nd Open Call: First Aid to Documentary...
Prazo
17 Out
2018
Banco de Projetos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos
Prazo
23 Out
2018
III Concurso de Crônicas Ivone dos Santos
Prazo
11 Out
2018
Edital LGBT+ Orgulho
Prazo
15 Out
2018
Programa Capes/Iiasa de Pós-Doutorado
Prazo
15 Out
2018
Programa CAPES/IIASA de Doutorado Sanduíche
Prazo
Contínuo
Política de Patrocínios da CEMIG
Prazo
22 Out
2018
WORLDLABS - Elevating Ideas Competition
Prazo
10 Out
2018
Seleção e Contratação de Atividades Culturais para...
Prazo
8 Out
2018
Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR
Prazo
9 Out
2018
Avaliação da Implementação da Rede de Cuidados...
Prazo
31 Out
2018
Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros - 2018
Prazo
23 Nov
2018
Chamada CNPq/SNSF
Prazo
9 Nov
2018
Concurso de Cartazes para Dia Mundial da Alimentação...
Prazo
31 Dez
2018
Credenciamento de Artistas
Prazo
15 Out
2018
Prêmio INCM - Vasco Graça Moura
Prazo
15 Out
2018
3ª Edição Prêmio Kindle de Literatura
Prazo
5 Out
2018
CNPq-MCTIC -Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias...
Prazo
10 Out
2018
CNPQ-MCTIC-SETEC -Programa para Concessão de Bônus...
Prazo
30 Jun
2019
Chamada Pública Bilateral FINEP-CDTI para projetos...
Prazo
21 Mar
2019
Seleção de Projetos Esportivos - Lei de Incentivo
Prazo
Contínuo
Revista Científica de Direitos Humanos - Submissão...
Prazo
4 Out
2018
Chamada Pública MCTIC/FINEP/CT-INFRA – Campi universitários...
Prazo
16 Out
2018
SENASP – Ação 8855 – Segurança Pública Nos...
Prazo
21 Set
2019
Crédito De Pesquisa Para Comitês Técnico-Científicos
Prazo
15 Dez
2018
The Awesome Foundation - Awesome Disability
Prazo
Contínuo
Chamada Pública ANCINE-FSA - Coinvestimentos Regionais
Prazo
15 Out
2018
Human Rights Prize of the French Republic 2018
Prazo
31 Out
2018
Empowering People Award 2019
Prazo
Contínuo
Filiação ao Departamento de Informação Pública...
Prazo
2 Out
2018
Seleção de Boas Práticas na Temática Educação...

PARCEIROS VER TODOS