Arte transformadora

Por: Thaís Iannarelli
01 Janeiro 2005 - 00h00

Há pouco mais de dez anos surgiu no Brasil uma empresa de Tecnologia de Informação, subsidiária da líder mundial em soluções integradas de transações on-line nas áreas financeira e comercial. Essa empresa é a Gtech Brasil que, hoje, atua em 70% do território nacional e é considerada uma das cem melhores empresas para se trabalhar, de acordo com a revista Exame.

Depois de alguns anos de funcionamento, os integrantes da companhia perceberam que podiam, com seu conhecimento, oferecer algo que ajudasse a sociedade a se desenvolver. Com esse pensamento, em 2000 nasceu o Intituto Gtech, com a meta de investir em desenvolvimento social por meio da cultura e de um novo conceito: a arte-cidadania, que vê a prática artística como caminho para a cidadania. A filosofia é explicada por Leonardo Brant, diretor-executivo do instituto: “A arte é um elemento de transformação total dentro de uma comunidade, pois gera transformação individual, comunitária e social”.

Oficina de Arte-Cidadania (Asa)

Primeiro programa desenvolvido pelo Instituto Gtech, o Asa oferece um curso de um ano de duração e é formado por dois ateliês diferenciados: o primeiro utiliza materiais e técnicas tradicionais de arte e o outro possui computadores para criação gráfica. “O Asa é nossa ponte de experimentação, nosso laboratório. É revelador o quanto uma criança ou um jovem muda depois de passar um mês na oficina”, afirma Brant.

Atualmente, o Asa funciona em três unidades e atende alunos de 13 escolas públicas. Além de terem a possibilidade de se expressarem artisticamente, os participantes visitam museus e conhecem um pouco da história da arte. Até hoje, mais de 3,5 mil crianças passaram pela oficina e quatro exposições já aconteceram com obras feitas por elas:

  • 2001: O papel de cada um
  • 2002: Iconografias metropolitanas
  • 2003: Criar, transformar, inventar
  • 2004: Em obras: um olhar em construção

Realizações e iniciativas

Outra iniciativa inovadora do Instituto Gtech é o Centro de Estudos em Arte-Cidadania (Ceac). Criado em 2003, o centro tem como objetivo investir na pesquisa sobre o conceito da arte-cidadania e desenvolver metodologias pedagógicas para a educação dos jovens. O Ceac também oferece seminários sobre o assunto para trabalhadores do Terceiro Setor.

Há também a Rede Arte-Cidadania, desenvolvida para estimular a troca de experiências com iniciativas semelhantes no Brasil. O intuito é formar um patrimônio sobre o conceito de arte-cidadania, fazendo com que se torne uma política pública. Segundo o diretor-executivo do instituto, “a educação sozinha não é a resposta para o desenvolvimento social. Estamos convencidos de que a arte-cidadania é um elemento central nesse processo. O benefício é que a partir da arte você pode transformar um não-cidadão em um cidadão”.

Para incentivar os alunos, as obras produzidas por eles já foram incluídas em grandes eventos artísticos, como a 25ª Bienal de São Paulo, em 2002. O Instituto Gtech também conta com apoio de entidades importantes, como o Instituto Ayrton Senna e a Cidade Escola Aprendiz, e ainda o Ministério da Cultura, entre outros.

A tentativa de fazer com que a arte transforme o pensamento da sociedade carente tem trazido resultado. Um aluno do instituto, de apenas 11 anos, disse que já pensou em um jeito de criar a cidade ideal: “Primeiro, pediria para pessoas de todas as idades escreverem sobre os problemas da cidade. Depois, espalharia milhares de mensagens de paz e protesto pelas ruas. Usaria a arte para manifestar. Quando as pessoas lêem uma mensagem feita com arte, elas param para pensar e começam a fazer igual”.

A afirmação foi coletada pelo instituto, assim como a de muitos outros alunos. Para Leonardo Brant, isso só confirma o ideal do programa: “Nem sempre a pessoa é a mais talentosa, mas com certeza consegue se expressar melhor, ter uma noção do seu papel como cidadão, dos seus direitos, deveres e responsabilidades”.

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