Sustentabilidade e a crise global

Por: Marcelo Linguitte
01 Março 2009 - 00h00

Muito se fala sobre a crise que o mundo atravessa. Preocupações sobre o futuro da economia são prodigamente apresentadas pelos veículos de comunicação e pelos especialistas de plantão, com prognósticos que vão desde pequenos impactos até situações comparáveis àquelas que o mundo viveu em 1929. Alguns setores da economia têm sido fortemente afetados e, no Brasil, há demissões, férias coletivas e negociações envolvendo empresas, trabalhadores e governos locais em busca de favorecer a continuidade das operações das empresas instaladas em seu território.

Nesse contexto, tenho presenciado algo interessante: várias empresas estão extinguindo ou diminuindo suas áreas de sustentabilidade e de responsabilidade social, entendendo que, nesse momento de expectativas, o melhor é excluir todos os setores que não geram receita ou economia de recursos. Essas áreas são percebidas como geradoras de despesas, então, acabam se tornando alvos prioritários nos cortes das empresas. Porém, cabe a pergunta: “Por que isso acontece se o tema é tão importante e cada vez mais exigido pela sociedade? Não estariam as empresas cortando de forma pouco inteligente?”

Estive recentemente em viagem aos Estados Unidos para alguns encontros com empresários e acadêmicos que tratam do tema sustentabilidade. A visão norte-americana, como se sabe, é muito pragmática e focada em resultados. Ou seja: muito boa e importante a questão da sustentabilidade e a de ajudar o planeta. Porém, que resultado objetivo minha empresa pode obter com esse tema?

Por mais duro e egoísta que pareça esse ponto de vista, ele tem uma orientação muito clara para aqueles que trabalham com a sustentabilidade. Se considerarmos que o tema passará como outras modas, caso não traga benefícios sociais e ambientais concretos, será sempre considerado um assunto marginal que nunca estará presente nas estratégias principais das empresas. Assim, nas primeiras marolas e ventos de crises, o “facão” da redução de custos será implacável com as áreas de sustentabilidade e responsabilidade social.

Nota-se claramente que apenas aqueles setores que percebem benefícios concretos para as empresas atuam de forma sustentável. Seguem alguns exemplos:
Conscientes de que a utilização dos Princípios do Equador pode significar uma importante redução no risco de concessão de crédito – e, em certa medida, na inadimplência – alguns bancos têm adotado esses princípios ou outros critérios socioambientais;

Tendo em vista a percepção de que a sociedade está interessada em aspectos ambientais, várias empresas vinculam sua imagem a estratégias de “comunicação verde”, o que lhes garante um melhor posicionamento de marca;

Visando a atender as exigências de redes varejistas da Europa, vários produtores agrícolas seguem critérios de produção sustentáveis e buscam certificações que demonstrem essa preocupação.

Isso não significa que as empresas que desenvolvem tais práticas somente o fazem por questões de interesse, sem uma real consciência social e ambiental. Porém, elas veem a sustentabilidade como algo que lhes agrega valor verdadeiro ao negócio por vários motivos: pela redução de custos ou riscos de operação; pelo aumento de receitas; pela melhoria da imagem e, consequentemente, pela contribuição para ampliação do market share; pela ajuda ao desenvolver o capital humano; ou, ainda, pelo acesso a outras fontes de capital. Assim, a sustentabilidade, da mesma forma que a qualidade, a inovação e o marketing, melhora alguns aspectos da competitividade empresarial. Mesmo com todas essas vantagens, para algumas empresas a área ainda é vista como um custo adicional.

Seria isso “miopia” das companhias? Não creio. Acho que existe um vício de partida de consultores e ONGs que trabalham com o tema em dar toda a ênfase aos benefícios que a sustentabilidade traz à sociedade e ao meio ambiente, e pouca importância aos resultados que traz para as empresas.

Ou seja, de nada adianta que as ideias sociais e ambientais sejam maravilhosas se o EBITDA (sigla inglesa para lucro auferido antes de juros, impostos, depreciação e amortização) for diminuto, com pequena capacidade de geração de caixa. Além disso, muitas vezes os consultores e ativistas de ONGs não conseguem comprovar que a sustentabilidade tem realmente a capacidade de contribuir para seus negócios em longo prazo.

Daí, o resultado é que a sustentabilidade continua sendo vista como algo importante, mas não fundamental para a sobrevivência do negócio. Em um momento de crise, ninguém pensa em cortar algo que lhe permita aumentar vendas e margens, reduzir custos e diminuir o capital empregado. Será que as empresas acreditam que a sustentabilidade tem essa capacidade? Creio que, a maioria, por não acreditar nisso plenamente (ou por não ter comprovado), acaba cortando ou diminuindo as áreas e projetos relacionados a esse tema.

Portanto, o maior desafio para quem atua na área é o de mostrar-lhes o contrário. E isso não se faz apenas com belos discursos, como, infelizmente, tem sido a regra, inclusive entre ONGs e consultorias importantes. Isso se faz com método e com uma gestão da sustentabilidade voltada para resultados. Somente com essa visão o assunto irá avançar entre as empresas. Pelo menos com a atual compreensão do que ela significa.

Apesar de este artigo parecer muito business-oriented e um pouco pessimista com relação ao tema, ocorre justamente o contrário. É certo que apenas posturas gerenciais sustentáveis têm a condição de viabilizar a operação das empresas em longo prazo e de permitir o seu bom funcionamento no futuro. Até por isso é importante revisar um pouco nossos conceitos sobre como a sustentabilidade deve ser trabalhada no âmbito corporativo. Somente entendendo sua dinâmica e necessidades é que poderemos fazer com que elas promovam seus negócios de forma mais sustentável.

É nas crises que se encontram grandes oportunidades. Já que a China está também sendo muito impactada, vale lembrar que, quando escrita em chinês, a palavra crise é composta de dois caracteres. Um representa o perigo e o outro representa a oportunidade. Assim, como disse Richard Nixon: “em uma crise, esteja consciente do perigo, mas identifique a oportunidade”. A sustentabilidade está procurando a sua.

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