Infância crescentemente ambientalizada no Brasil e nas Américas

Por: Market Analysis
06 Setembro 2019 - 00h00

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Alguns falam de aceleração geracional da consciência ambiental; outros em ansiedade climática atacando os mais jovens. Independentemente da leitura mais otimista ou pessimista, um mesmo fenômeno vem se registrando em todo o mundo: a crescente e importante sensibilidade das crianças e adolescentes com o meio ambiente e as mudanças do clima.

Foram eles os principais protagonistas de várias manifestações recentes de maior impacto. Greta Thunberg, a teenager sueca que chacoalhou o mundo político europeu a partir de seus discursos e protestos em prol do meio ambiente, talvez seja o exemplo individual mais visível.

Com certeza, ele continha a força necessária para inspirar milhares de jovens no mundo todo, inclusive o Brasil, a parar - como aconteceu em 15 de março e voltou a se repetir no final de maio. Só que desta vez não se trata de uma elite ínfima mobilizada em meio a um mar de apatia, como costuma acontecer quando grupos militantes ocupam as ruas e fazem barulho.

Uma pesquisa da Market Analysis, em parceria com a rede WIN Américas, revela que a infância está cada vez mais ambientalizada, isto é, fortemente influenciada por preocupações e expectativas em que a qualidade do meio ambiente e o senso de urgência com relação aos problemas climáticos ocupam um lugar central na agenda pessoal. Sete em cada dez crianças estão interessadas em proteger o meio ambiente, de acordo com a avaliação de mães de crianças entre 3 e 13 anos de idade. Ainda mais, quanto mais próximas da adolescência, maior é a expressão dessa preocupação.

O estudo – realizado entre novembro de 2018 e janeiro de 2019 - explorou crenças e comportamentos das crianças com relação ao meio ambiente, a partir das observações e percepções das mães. Ao todo, foram entrevistadas 4.929 mães em oito países (além do Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Equador, EUA, México e Peru). Essa amostra representa 80% dessa população da região.

Quase dois terços das mães de crianças entre 3 e 9 anos e três quartos das mães de crianças entre 10 e 13 anos acreditam que seu filho/a se interessa por esse tema. Os receios com a qualidade ambiental crescem significativamente na adolescência (+17%!), revelando um momento ímpar para implementar ações educativas e práticas.

Na região, o Chile é o país onde a maioria das mães tem certeza de que seus filhos se preocupam com o meio ambiente, enquanto os Estados Unidos são o país com a menor porcentagem de mães que acreditam nisso. Na visão das brasileiras, seus filhos exibem níveis de preocupação na média.

Engajamento cotidiano dentro de casa

A ambientalização da infância passa pelo compartilhamento dessa sensibilidade ambiental dentro de casa. Uma em cada sete crianças (14%) lembra ativamente e policia os pais sobre proteção do meio ambiente, e em quatro de cada dez lares (43%), as crianças compartilham com seus pais a responsabilidade por lembrar no âmbito doméstico sobre a importância de proteger o planeta.

Essa disposição proativa cresce na medida em que as crianças amadurecem, já que a necessidade de serem lembradas pelos pais a respeito dos cuidados com o meio ambiente diminui (de 48% entre 3-9 anos passa para 36% entre 10-13 anos), refletindo maior autonomia e engajamento dos pré-adolescentes e adolescentes com as causas ambientais. E o Brasil não foge à regra: quanto mais velha a criança, maior a apropriação ativa da pauta ambiental no âmbito doméstico (sobe de 14% entre 3-9 anos para 20% entre 10-13 anos).

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Para além do discurso, embora dentro do repertório convencional

A ambientalização sai do plano meramente discursivo e ocorre no dia a dia, motivando a adoção de condutas concretas no cotidiano das crianças. Quase todas as mães identificam comportamentos pró-ambientais concretos adotados pela sua prole.

Esses comportamentos são principalmente ações preventivas ou de mitigação (tais como descartar lixo adequadamente, desligar luzes ou torneiras, ou poupar recursos naturais otimizando o uso de produtos), todas as iniciativas em sintonia com outros benefícios supra-ambientais, tais como higiene, estética (lixo no lixo) e economia de recursos (poupar luz, água, papel).

É interessante notar as diferenças que existem entre alguns países da região. No topo do hemisfério norte, no Canadá e EUA, separar os resíduos para reciclagem torna-se a segunda forma mais popular de atividades colocadas em prática em defesa do meio ambiente, com 88% e 69% de ocorrência, respectivamente.

No outro extremo do hemisfério, no Brasil e Argentina, o que se revela é a existência de uma grande brecha entre as ações mais convencionais e tradicionais e as novas alternativas de redução do impacto ambiental ou ganhos de qualidade ambiental.

Separar lixo para reciclagem convoca quase ¼ ou 1/5 dos jovens apenas. Adotar mobilidade sustentável como bicicleta ou percorrer distâncias a pé é prática de, no máximo, pouco mais de ¼ do público infantil. Comprar produtos sustentáveis é ainda menos presente, uma prática abraçada por menos de um décimo dos jovens.

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O copo meio cheio... de olho no futuro

As mães reconhecem que a pauta ambiental entrou na infância e se expressa de maneira frequente e intensa, passando a fazer parte do cotidiano e das considerações das crianças. Essa sensibilidade desenvolvida cedo na vida significa que haverá um público interessado e conectado com temas ambientais no futuro, garantindo espaço para a difusão e mobilização de notícias e ações.

Entretanto, ainda há muito espaço para a conversão da preocupação genérica em formas apropriadas de ação prática. De modo parecido, falta tornar a aflição infantil em compartilhamento efetivo de responsabilidades no dia a dia, uma vez que apenas uma minoria das crianças exerce a liderança em casa.

A entrada na adolescência é uma janela de oportunidade para a conscientização ativa, já que cresce o interesse ambiental. No Brasil e na Argentina, ainda persiste uma noção muito convencional e tradicional do que seriam práticas ambientais corretas, limitada a ações preventivas de limpeza/higiene pública e poupança de recursos fornecidos publicamente.

Novas práticas de melhora da qualidade ambiental ou reversão de impactos negativos, tais como reciclagem, tolerância zero ao plástico, mobilidade sustentável, entre outras, atingem pouco ou nada as crianças e suas famílias. Aumentar o repertório de ações possíveis e melhorar os incentivos para colocá-las em prática são os novos desafios para consolidar uma geração de líderes ambientais em nossa região.

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