Sustentáveis, porém rentáveis

Por: Luciano Guimarães
19 Dezembro 2012 - 23h21

Como uma empresa pode adotar práticas sustentáveis e, ao mesmo tempo, ser rentável? Eis uma das grandes questões que atualmente tiram o sossego dos executivos em todo o mundo. Encontrar meios para se chegar a uma relação harmônica entre os dois pratos da balança invariavelmente é tarefa para lá de complicada.
Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) mostra que o próprio mercado e os investidores andam prestando muita atenção em companhias com missão e valores com viés verdadeiramente mais sustentável.
Tanto é verdade que do início deste ano até o dia 8 de agosto, fundos de ações da categoria de sustentabilidade e governança corporativa renderam incríveis 13,69%. Em contrapartida, os fundos de ações negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiram apenas 5,55%, enquanto os do IBrX Ativo (fundos de ações de alta liquidez) elevaram-se 7,81%.
Também chama muito a atenção a enorme diferença entre o rendimento histórico do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa & BMF e o do Ibovespa tradicional. Do dia 30 de novembro de 2005 – quando foi criado o ISE – até agosto de 2012, o placar estava em 137% a 85,24%.
Em artigo publicado no site do Instituto Ethos, o vice-presidente da entidade, Paulo Itacarambi, comentou que “um indício de que os critérios socioambientais começam a ser aceitos para avaliar riscos nos investimentos é dado pelo JP Morgan”. Citando o conceituado jornal britânico The Guardian, lembrou que “os executivos do banco mudaram sua percepção e passaram a compreender esses critérios como oportunidade para o cliente”.
“Com isso, as questões socioambientais deixaram de ser consideradas como ‘mata-negócios’ e passaram a abrir novas perspectivas. Primeiro, porque essa avaliação representa uma consultoria gratuita, apontando os pontos de melhoria do projeto ou da empresa em relação a riscos socioambientais. Segundo, porque o crivo do banco equivale a um selo de qualidade para o avaliado, agregando valor à própria empresa, ao produto ou ao serviço comercializado”, escreveu Itacarambi.
Despesas X receitas
Qualquer empreendimento candidato à sustentabilidade em suas atividades precisa equilibrar despesas e receitas. Esta equação pode até soar óbvia, entretanto, o balanceamento de tais grandezas carece de um mínimo de coerência, não podendo ser episódico, mas perene. A detalhada explicação é do advogado Artur Lopes, sócio-fundador da Artur Lopes & Associados, consultoria especializada em recuperação, consolidação e ampliação de negócios.
“As receitas devem ser recorrentes e constantes, todavia, os gastos precisam ser milimetricamente medidos para evitar o endividamento desnecessário que comprometa não o fluxo de caixa de maneira abstrata, mas sim a operacionalidade de maneira concreta”, argumenta.
Paralelamente aos índices contábeis e financeiros, as empresas estão cada vez mais buscando adotar boas práticas de sustentabilidade não apenas na área ambiental, mas investindo em educação, cultura, esporte e lazer para as comunidades de seu entorno. Aliar a marca a uma causa, ainda que por meio de institutos e fundações, também surte bons efeitos, pois aprofunda os vínculos com consumidores.
Segundo Lopes, os consumidores em geral e o mercado estão dando mais importância para aspectos que vão além da utilidade prática do produto ou do serviço oferecido. “A sustentabilidade ambiental, o fair trade (comércio justo) e outras práticas socialmente responsáveis começam a ser mais relevantes na opção de compra ou de realização de negócios”, resume.
Em consonância com essas mesmas ideias e conceitos, o CEO da Prosoft Tecnologia, Carlos Meni, vai ainda mais longe, acreditando que ao se tornar sustentável uma empresa tem chances aumentadas de ser rentável em menos tempo.
Fundada em meados dos anos 1980, não é à toa que hoje é uma das desenvolvedoras de tecnologia da informação que mais crescem no Brasil. Fornecedora de softwares e soluções para o mercado contábil, foi a terceira companhia desta indústria – e a primeira em seu segmento – com a maior expansão de sua receita líquida (receita bruta menos deduções, como tributos e descontos comerciais) entre 2009 e 2011.
Os números fazem parte do recente ranking divulgado pela revista PME Exame, que analisou 250 pequenas e médias empresas que atuam no país. No geral, a Prosoft Tecnologia ficou na 22ª colocação. Nestes três anos, expandiu em 328,3% sua receita líquida, fechando 2011 com faturamento total de R$ 52 milhões, aumento de 269% em comparação a 2010.
“Para ser sustentável e rentável ao mesmo tempo, não basta criar estratégias ‘mirabolantes’, mas cumprir à risca as leis tributárias e trabalhistas, fabricar produtos em conformidade e respeitar tanto o meio ambiente quanto os concorrentes, fornecedores, colaboradores e clientes”, destaca Meni.
Selo de qualidade
Este mesmo entendimento é levado muito a sério por diversos setores econômicos, principalmente aqueles que passaram anos tentando conscientizar a cadeia produtiva a qual representam. É o caso da Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC).
A entidade criou o Programa Selo de Responsabilidade Socioambiental com o objetivo de certificar empresas produtoras de cal com base na qualidade das suas práticas de produção e gestão. São avaliadas as áreas de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança, ética e responsabilidade social.
Durante anos, os revendedores estavam inundados por produtos fabricados fora dos padrões de qualidade exigidos, geralmente vendidos a um preço mais baixo – o que ainda ocorre, em menor grau. Além de provocar problemas estruturais nas obras, tais produtos acabavam canibalizando o mercado.
“Este processo contribui para o reconhecimento das empresas pela adoção de boas práticas e, paralelamente, ajuda no fechamento de negócios, por ser uma certificação reconhecida internacionalmente como referência de qualidade”, atesta Mauro Seabra, secretário-executivo da ABPC.
Se há pouco tempo o compromisso de uma corporação estava em grande parte em atender bem o consumidor, atualmente ele se estendeu para além do ambiente corporativo, envolvendo todos os públicos, pois sustentabilidade e rentabilidade agora andam de mãos dadas.

“Um bom começo é respeitar tanto o meio ambiente quanto os concorrentes, fornecedores colaboradores e clientes”
Carlos Meni
CEO da Prosoft Tecnologia

 

“Consumidores consideram a adoção de práticas sustentáveis determinante no momento de decidir a compra ou realizar negócios”
Artur Lopes
Artur Lopes & Associados

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