Seis anos para arrumarmos nossa casa

Por: Marcio Zeppelini
01 Setembro 2007 - 00h00
A Copa de 2014 é brasileira. Depois de 64 anos da derrota em pleno Maracanã para o Uruguai, poderemos ver uma final de Copa do Mundo – ainda que o Brasil não esteja jogando – em terras tupiniquins. Depois do anúncio oficial da Fifa, não faltaram críticos despejando inúmeras argumentações, dizendo não ser prioritária a decisão do apadrinhamento pelo Brasil de um evento esportivo desse porte.

Então, vejamos: se o Brasil tem mazelas sociais que desatinam com a grandeza das riquezas do futebol, oriundas em parte por raízes do desemprego e desigualdade de distribuição de riquezas, desencadeando miséria, violência, entre outros problemas, devemos, ao menos, imaginar que uma Copa do Mundo no país, por outro lado, reflete diretamente a movimentação de cerca de US$ 17,5 bilhões – cerca de R$ 30 bilhões – em importantes incrementos ao crescimento brasileiro, ainda que sejam sazonais e momentâneos.

Somente o governo federal pretende gastar cerca de R$ 1 bilhão em obras de infra-estrutura. Nas esferas estaduais e municipais, candidatos a cidades-sede dos jogos da Copa, cerca de R$ 5 bilhões adicionais serão aplicados. Por enquanto, só estamos falando de recursos públicos. A iniciativa privada despejará incomensurável fortuna na construção civil para atender à demanda gastronômica, hoteleira e turística, priorizando visitas internacionais de 2014.

O futebol brasileiro, em anos de mornos campeonatos nacionais e regionais, chega a contabilizar cerca de R$ 2,5 bilhões em torno da “paixão” pelos gramados. Isso somente em venda de ingressos, transmissões de jogos, camisas, bandeiras e outros produtos oficialmente vendidos com os brasões dos clubes e da CBF. Imagine, então, com uma Copa do Mundo aqui pertinho, vibrando junto com a rede balançada de um gol brasileiro, “catimbando” uma jogada “hermana” ou “à la française”, ao vivo e a cores e cantando o hino nacional em cada vitória.

As cifras não refletem as benesses sociais que um evento desse porte conseguirá trazer ao Brasil, demonstrado por meio da geração de emprego direto oferecido pela indústria da construção civil e do turismo e, indiretamente, pela mídia, pelo comércio e pela prestação de serviços em diversos setores da economia.

Agora, em termos de visibilidade, estamos bem na metade da escalada de um penhasco que, apesar de cansados da trajetória, já trilhamos, e devemos decidir entre:

1. Se jogar lá de cima, entregar os pontos e deixar que a violência, pobreza e desorganização ocupem os álbuns fotográficos dos torcedores internacionais; ou

2. Continuar essa escalada, ainda que tenhamos muita camisa para suar, e “arrumar a casa”, trabalhar metas sociais e econômicas, visando a um crescimento sustentável, e atingir o alto da montanha, proporcionando uma estada aos “gringos” com excelência, qualidade e segurança.

Temos uma missão para daqui seis anos, que trará resultados para as nossas futuras gerações. Talvez esta seja a “desculpa” que precisávamos para atingir um grau de desenvolvimento mais rapidamente. A Copa do Mundo é só um detalhe!

Ou, se você preferir, a “festa de inauguração” de um novo Brasil.

Marcio Zeppelini
editor@revistafilantropia.com.br


“Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar”
Anatole France (escritor francês)


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