Se eu fosse rico

Por: João Paulo Vergueiro
06 Setembro 2019 - 00h00

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Se eu fosse rico, e tivesse a visão sobre o Terceiro Setor que tenho hoje, eu faria muita coisa diferente.

Eu provavelmente criaria minha própria fundação, que poderia inclusive levar o meu nome, ou da minha família, mas não para investir em projetos meus. A maior parte dos meus recursos iria para apoiar as organizações que fazem bem feito e fazem a diferença no país, na causa que eu escolheria.

Eu não apoiaria qualquer projeto, ou qualquer história bonita. Muito menos porque tem uma liderança carismática, cativante ou bem articulada. Eu escolheria as organizações que fossem capazes não só de entregar resultado, mas que também fossem transparentes e tivessem uma gestão profissional, com Conselho independente, equipe, orçamento anual e sem líderes que se perpetuam no poder.

Mas se a organização não tivesse estrutura, eu fosse rico, e suas lideranças fossem verdadeiramente comprometidas, eu a apoiaria na consolidação da sua gestão. Eu daria recursos para que investissem em uma área de captação de recursos, contratassem captadores e implementassem uma estratégia efetiva de geração de receita. E tomaria os devidos cuidados para que, quando eu deixasse de apoiar a organização, em três ou quatro anos, ela seguisse forte, ativa e independente.

Se eu fosse rico, eu também apoiaria as organizações da sociedade civil para que desenvolvessem estratégias de geração de renda que fossem além da doação.
Mas eu entenderia que o modelo de negócios de impacto social não serviria para todas elas, tampouco substituiria a doação que elas recebem de quem acreditam em sua causa. Iria complementar, como uma forma de diversificação de fontes de receita.

Se eu fosse rico, eu adoraria inovar. Inovação é importante, mas a sustentabilidade financeira de uma organização começa pelo básico, por organizar a casa, pelo planejamento. E não há inovação sem uma estrutura mínima que a mantenha e faça com que se dissemine de forma sustentável.

Eu atuaria de forma simples, e não pediria centenas de documentos (certidões negativas de débito, etc.) de todo mundo que quisesse receber meu apoio financeiro. No máximo, pediria daqueles que fossem efetivamente aprovados para isso. Aliás, eu também não pediria dezenas de relatórios o tempo todo, ainda que, sem dúvida, o compliance fosse também fundamental para mim.

Mas eu não sou rico. Eu sou um captador de recursos. E estou do lado de cá da mesa, de quem vai atrás dos recursos.

Bem, quem sabe um dia todo mundo que tem recursos para fazer a diferença, e acredita na importância das organizações da sociedade civil, não pense também como eu, não é mesmo?

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