Projeto pretende limpar metade do Pacífico em até dez anos

Por: Paula Craveiro
11 Setembro 2014 - 01h44

Tecnologia funciona como uma barreira flutuante, que aproveita as correntes oceânicas para bloquear a passagem de resíduos encontrados no mar

Idealizado em 2012 com o objetivo de retirar o lixo dos oceanos, o projeto The Cleanup Ocean foi criado pelo estudante de Engenharia Aeronáutica Boyan Slat, um holandês de 19 anos, e consiste na utilização de correntes oceânicas naturais e dos ventos para transportar passivamente o plástico e demais resíduos para uma plataforma de coleta.
Em vez de usar redes e embarcações para a remoção do material, barreiras flutuantes sólidas em forma de V, ancoradas ao fundo mar, serão utilizadas para esse fim. “Como não há redes neste processo, a limpeza é inofensiva ao ecossistema marinho”, destaca Slat.
A ideia surgiu quando o jovem, aos 16 anos, fez um mergulho durante suas férias na Grécia e viu que havia mais garrafas de plástico do que peixes na água. “Infelizmente, o plástico não desaparece sozinho do meio ambiente. É preciso que haja a ação humana para que ele saia da água. Então, pensei, o que podemos fazer para limpar isso?”, lembra o criador da iniciativa.
A principal vantagem do método proposto está em permitir que os mares sigam seu fluxo normal, sem prejuízos à vida marinha e, ainda assim, juntar o material indesejável em um único local para permitir sua retirada. Em vez de ir até o plástico, as barreiras deixam que o plástico vá até elas e, a partir dali, esse material receberá o destino adequado. Com esse método, porém, só é possível reunir o material que fica mais próximo da superfície, nos primeiros três metros de profundidade.
Após ser colocado em prática, a estimativa é de que a taxa de recolhimento seja de 65 metros cúbicos de lixo por dia, e que ele seja pego por navio a cada 45 dias. A expectativa dos pesquisadores envolvidos na ação é de que metade do Oceano Pacífico seja limpo em até 10 anos.
Slat espera compensar os custos da operação a partir da reciclagem do plástico coletado para outros usos.

prototipo em fase de testeEtapas iniciais

Durante a primeira fase do projeto, iniciada no segundo trimestre de 2013, foi realizada extensa pesquisa científica de oceanografia, engenharia, ecologia, direito marítimo, finanças e reciclagem, que contou com o envolvimento de mais de cem especialistas.
O estudo resultou em um relatório de 530 páginas, que procurou demonstrar que o conceito consiste em um método viável para remoção de detritos da mancha de lixo existente entre o Havaí e a Califórnia, na qual as correntes marinhas se encontram, concentrando toneladas de plástico e outras substâncias poluentes.
Para confirmar a eficácia do projeto, foram realizados testes com um protótipo, que mediu a capacidade de captura e a concentração da barreira, que atinge até três metros de profundidade, onde normalmente esses resíduos são encontrados.

Captação

As primeiras doações, recebidas em abril de 2013, viabilizaram a criação da Fundação The Cleanup Ocean e os estudos iniciais sobre o experimento, que contaram com contribuições voluntárias de pesquisadores.
O próximo passo é colocar em funcionamento uma plataforma-piloto para a realização de testes por um período de até quatro anos, antes de sua implantação total. A arrecadação para essa nova etapa começou em 3 de junho de 2014 e tem o objetivo de captar US$ 2 milhões em cem dias.
Próximos passos
A fim de preencher a lacuna entre o resultado do estudo e a plena implantação do conceito, será necessária a realização de uma série de testes de escalas, que resultará em um piloto operacional de grande porte, com início previsto tão logo seja concluída a captação de recursos para financiamento.
“Pela frente, há ainda outros desafios, como descobrir se a estrutura suporta tempestades e como mantê-las no mesmo lugar. Esse tem sido nosso foco desde o ano passado”, explica Boyan Slat.
A equipe de pesquisadores também está preocupada com a logística e o transporte, por exemplo, se o navio precisa ser registrado em algum país e se o equipamento não interferirá no tráfego marítimo. “Investigamos ainda se o projeto não causaria algum tipo de mal ao ambiente. O destino dado ao plástico foi outro ponto de preocupação, e descobrimos que o material pode ser transformado em óleo ou aproveitado em outros produtos”, completa.
Embora a iniciativa apresente boas perspectivas para os oceanos e, consequentemente, ao meio ambiente, Slat ressalta que não se trata de uma solução definitiva. “Embora a limpeza tenha um efeito profundo, ela é apenas parte da solução. Precisamos também de nos conscientizar e evitar que qualquer plástico chegue aos oceanos”, enfatiza.

Link: www.theoceancleanup.com

EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
15.827
Oportunidades Cadastradas
9.593
Modelos de Documentos
3.162
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
30 Abr
2020
Dubai International Best Practices Award
Prazo
20 Mar
2020
16ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas...
Prazo
6 Mar
2020
2020 DRL Internet Freedom Annual Program Statement
Prazo
6 Mar
2020
Children’s Peace Prize 2020
Prazo
21 Mai
2020
Zayed Sustainability Prize 2021
Prazo
30 Jun
2020
Prêmio Internacional de Seguros Julio Castelo Matrán
Prazo
31 Dez
2020
Patrocínios e Doações - Instituto Usiminas
Prazo
31 Mar
2020
Edital X - Fundo Dema - Fortalecer a Agroecologia a...
Prazo
20 Mar
2020
IX Prêmio Fotografia-Ciência & Arte - CNPq
Prazo
8 Abr
2020
Research Enrichment – Public Engagement

PARCEIROS VER TODOS