Lideranças integrais para um mundo sustentável

Por: Marcelo Linguitte
01 Novembro 2009 - 00h00

Um dos aspectos fundamentais quando se fala em implantação da sustentabilidade nas empresas é compreender o tema como um sistema de gestão vinculado aos negócios da empresa, e não como ações isoladas, desconectadas das demais práticas empresariais. Mas o que significa sistema? Segundo o Dicionário Prático da Língua Portuguesa, é uma “combinação de partes coordenadas para um mesmo resultado”, ou de maneira a formar um conjunto que tenha sentido para o resultado que se deseja conseguir.

No caso da gestão para a sustentabilidade, as partes coordenadas que devem compor uma ação efetiva nesse tema são:
• Políticas gerais em sustentabilidade e específicas por stakeholder;
• Estrutura de gestão adequada ao porte e necessidades da empresa nesse tema;
• Conjunto de estratégias, ações e práticas claramente definidas e planejadas;
• Conjunto de indicadores de desempenho que permita monitorar a adequação da empresa aos requisitos obrigatórios aos quais a empresa se submete e aos compromissos voluntários adotados pela companhia.

Para o desenvolvimento de cada um desses aspectos, as empresas contam com metodologias e consultores (quase sempre) capacitados para apoiá-las. No entanto, há um aspecto que está parcialmente descrito no segundo item (estrutura), mas que permeia todo esse sistema e é fundamental para a implantação de um sistema de gestão de sustentabilidade na empresa. Trata-se da liderança integral, responsável por conduzir esse processo.

Um amigo me disse que todos nós somos líderes dependendo da situação em que nos encontramos e da tarefa que deve ser realizada. De acordo. Nesse ponto, o ideal é que líderes e liderados se revezem nesses papéis, na medida da necessidade do objetivo que se quer atingir.

Assim, gostaria de focar na figura que atua como líder dentro da empresa em seu momento específico, e discutir esse papel tão importante. Alguém já disse que os líderes são aqueles que deixam marcas. No entanto, o que temos visto nas organizações são pessoas que deixam cicatrizes, e não marcas. Nossos ambientes empresariais estão repletos de factoides de líderes que atingem resultados a um custo humano bastante elevado. O rastro desses pretensos líderes é feito de mágoas, estresse, desrespeito e assédio moral. Se pretendemos construir empresas mais “sustentáveis”, devemos nos perguntar que tipo de lideranças temos internamente e se elas realmente contribuem para o sucesso do negócio em longo prazo.

Não pretendo abordar os diversos (e inúmeros) atributos ou competências que um líder “sustentável” deve ter. Para isso, há uma miríade de propostas de perfil, check-lists, treinamentos, publicações e consultorias que se propõem a transformar o mais Átila1 dos gestores em um Papai Noel, bondoso e generoso.

A contribuição deste artigo está em questionar os paradigmas de gestores que temos em nossas empresas e compará-los à premissa básica de desenvolvimento sustentável: “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

Nesse sentido, quais são os ingredientes que deveriam estar presentes em uma liderança integral encontrados nessa definição?
• Satisfaz as necessidades presentes: a liderança integral deve conhecer os objetivos que se quer atingir para poder satisfazer determinadas necessidades (sociais, econômicas ou ambientais). Nesse sentido, deve tentar entender com clareza o que precisa ser feito e como.
• Sem comprometer as necessidades das gerações futuras: a liderança integral deve saber os limites de sua atuação e de sua equipe e estar disposto a abdicar de ganhos em curto prazo, para permitir que outros recebam em longo prazo. Isso requer uma dose de altruísmo e de compaixão com as futuras gerações. Requer equilíbrio no que diz respeito aos lucros e resultados que podemos ter hoje.
• Suprir suas próprias necessidades: a liderança integral deve promover o outro, para que ele consiga, por si só, suprir suas necessidades. Trata-se de se colocar no papel de educador, de facilitador. No papel daquele que consegue extrair melhor dos seus liderados de maneira que, ao final de um processo ou de um ciclo, eles possam olhar para trás e dizer: “eu cresci como profissional e como pessoa. Sou melhor do que antes”. O líder deve ter essa preocupação, de promover o outro. O líder existe em função de seus liderados, e não o contrário.

Queiramos ou não, uma coisa é certa: as pessoas que se aproximam de nós em diferentes momentos de nossas vidas têm um papel a cumprir conosco e nós somos responsáveis por essas pessoas. Somos todos responsáveis uns pelos outros. Se não temos essa visão, deixaremos cicatrizes, não marcas. Acima de tudo, creio que um líder integral seja aquele que reconhece o que precisa ser feito e que sabe gerenciar a ação daquelas pessoas com as quais trabalha. No entanto, ele se diferencia de outros líderes por olhar para aqueles que estão junto com ele nessa tarefa com profundo senso de reverência – sabe que suas vidas são uma dádiva que o mundo colocou para que pudessem, de forma sistêmica, realizar uma determinada atividade. O líder integral sabe que não se gerencia apenas com a razão, pois o ser humano não é apenas razão. O líder integral gerencia com razão, emoção, intuição e sensação, o que muitos chamam de “Reis”. Ele sabe articular o que pensa e o que sente com o que intui, de maneira a gerar os melhores resultados com os outros, e não apesar dos outros.

Por isso, creio que já dispomos de uma enorme quantidade de técnicas, ferramentas, informações e tecnologia para trilhar o caminho da sustentabilidade. Faltam, no entanto, líderes íntegros, no desafio de melhor cuidar de nossa grande casa, a mãe terra, e de todos os seus filhos e filhas.

 

1 Átila, ou Átila o Huno (406 - 453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus, foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Tornou-se uma figura lendária da história da Europa. Em grande parte da Europa Ocidental, é lembrado como o paradigma da crueldade e da rapina.

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