O ovo, a galinha e a educação para a cidadania

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
21 Junho 2013 - 21h31

Alguns temas são imortais. A educação possivelmente tem posição de destaque nesse rol. Antes, porém, vale lembrar que em quaisquer momentos da história nos quais floresceram grupos humanos com algum ou muito apreço pela vida, a educação se fez presente e pulsante.
O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? É a típica pergunta que aguça a curiosidade de crianças e adultos que Na relação umbilical entre cidadania e educação, a dúvida não é diferente. O que vem primeiro em uma sociedade: a maioridade cidadã ou a estrutura educacional? Primeiro se aguarda a revelação espontânea de cidadãos éticos para depois se providenciar educação de qualidade, ou primeiro se investe apaixonadamente em educação para se ver nascer uma comunidade solidária e justa?
Talvez a ética seja um tempero essencial para se lidar com a equação envolvendo o ovo e a galinha, a educação e a cidadania. Em uma sociedade, ainda que primitiva em termos culturais e tecnológicos, imagina-se uma gestão mais possível entre as causas e consequências. Em uma sociedade repleta de fontes culturais e alternativas tecnológicas cada vez mais aumentadas e disponíveis não parece
ser diferente.
Como a proposta é compreender mais do que definir, por que não aproximar educação e cidadania? Quem sabe o namoro entre elas conceba um espírito protagonista nos indivíduos, uma força individual, conectada a uma rede que a todos inspira, capaz de propor, fiscalizar e ajustar os assuntos de interesse público?
Muito se fala sobre a postura excessivamente passiva dos brasileiros em relação ao que é de todos, mas que muitas vezes parece estar sendo cuidado por ninguém. Diz-se que o brasileiro reclama pouco e quando o faz normalmente é na mesa do bar, em discursos frágeis que se perdem quando chega a próxima rodada de cerveja. Será que o brasileiro, então, não leva consigo o gene da defesa de seus direitos?
A Agência Nacional de Telecomuni-cações divulgou, em março de 2013, que recebe diariamente em seus canais de atendimento 30 mil reclamações de clientes insatisfeitos com os serviços prestados pelas companhias do segmento (telefonia, televisão a cabo etc.). Isso não parece confirmar a tese de que o brasileiro é frágil no esporte da reclamação.
No entanto, observando-se o relatório emitido pela Ouvidoria da Prefeitura de São Paulo relativo a 2012, percebe-se que, ao longo de 12 meses, em uma cidade com quase 12 milhões de cidadãos, foram registrados nos canais oficiais de reclamações, sugestões e elogios a intrigante quantidade de 11.929 protocolos abertos. Ou seja, um em cada 10 mil paulistanos efetivou formalmente alguma reclamação.
Seria falta de motivos para reclamar (hipótese pouco provável dados os desafios enormes que a cidade ainda possui) ou falta de protagonismo individual? Ou seria falta de pessoas educadas para o exercício da cidadania quando estão em pauta os tais assuntos de interesse coletivo?
A questão vai além da reclamação pela reclamação. Como nas antigas propagandas publicitárias, que buscavam chamar a atenção dos clientes para o produto exposto, o objetivo e sentido da reclamação é a demonstração de vigilância, derivada do real interesse do reclamante, ampliando-se as chances de respostas afirmativas pelos responsáveis pelos serviços deficitários.
Uma pista para compreender a motivação da reclamação pode estar relacionada à clareza sobre quem está pagando a conta. O indivíduo sente o golpe explicitamente em seu bolso quando chega a fatura mensal da telefonia. Menos clara é a relação com a maior parte dos tributos, que são embutidos nos preços e não oferecem a chance de visualização de quanto representam na conta final. Uma medida já adotada em diversos países é a separação, no recibo da compra, dos valores do produto ou serviço adquirido do que é a sua tributação, ou seja, a contribuição de cada um para que os direitos de todos sejam atendidos com qualidade.
A escola é terreno indispensável para o plantio de mais consciência e atitude protagonista. Pode-se até criar um conteúdo específico para se tratar desses temas relacionados à cidadania, mas ainda mais importante do que o currículo acadêmico é o verdadeiro interesse dos comandantes da educação em espalhar essas sementes em toda a estrutura, seja pública ou privada, para que se reverbere nos alunos a vontade e a competência de ser vigilante e atuante nos assuntos de interesse coletivo. Fora das escolas, a sociedade civil organizada tem papel cada vez mais fundamental para a ampliação do processo de desenvolvimento da musculatura cidadã, sensibilizando, informando e capacitando mais e mais pessoas.
Sem ovo não se faz a galinha; sem galinha não se faz ovo. Sem cidadania não se faz educação; sem educação não se faz cidadania. Sem ética aplicada e apaixonada unindo os pontos desse caminho não se rompem os laços atrozes e históricos de culto à ignorância.

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