Carta Global de princípios

Por: Felippe William
23 Janeiro 2015 - 10h27

Promovendo a visão global sobre o investimento social privado

O conceito de filantropia está enraizado sobre as palavras gregas philos e anthropos, que podem ser traduzidas, respectivamente, como “amor” e “ser humano”. Logo, pode ser associada ao “amor ao ser humano” ou, de uma maneira mais abrangente, “amor ao próximo”. As ações filantrópicas ocorrem quando são realizadas atividades que ajudam outros indivíduos sem que haja interesse em qualquer tipo de retribuição, e essas ações são encabeçadas por organizações sociais.
No Brasil, as ações filantrópicas foram iniciadas pela Igreja Católica quando o Brasil ainda era uma colônia de Portugal. Essa atuação das igrejas no auxílio a comunidades mais necessitadas perdura por todo o período colonial. A partir do século XX, outras religiões também passam a se envolver em atividades voluntárias como políticas básicas de educação e saúde.
Já na década de 1930, devido ao amplo crescimento do país, da industrialização e da urbanização, é possível verificar um aumento da complexidade de diversos problemas sociais e, por esse motivo, surgem muitas entidades da sociedade civil. Em 1935 foi decretada a lei de declaração de utilidade pública, que regulamentava a colaboração do Estado com quaisquer instituições de fins filantrópicos.
Com o início do processo de redemocratização do país, com base na Constituição de 1988, verifica-se um aumento considerável da quantidade e variedade de associações que surgem, em um primeiro momento, devido à ineficiência da atuação do Estado no âmbito social. As ONGs tornam-se um meio alternativo de atender a crescente demanda por serviços da sociedade, solicitados por uma quantidade razoável da população menos favorecida.
Na década de 1990, o tema “responsabilidade social” passa a sensibilizar muitas empresas do Brasil. O crescimento da participação de iniciativas privadas em políticas sociais do governo, aliadas às enormes carências, desigualdades e à incapacidade do Estado em resolver grande parte dos problemas sociais, aumenta ainda mais o destaque ao tema. Esse processo resulta no nascimento de diversas organizações comprometidas em mobilizar o setor privado em torno desse assunto.

Entendendo o conceito de investimento social privado

Segundo o GIFE, podemos definir o investimento social privado como um repasse voluntário de recursos de forma planejada, monitorada e sistemática para projetos sociais de interesse público. A associação possui mais de 130 associados e, juntos, representam mais de 30% do investimento social privado realizado no país.
No seu 5º Censo, em uma pesquisa realizada com seus associados, observou-se que foram aplicados mais de R$ 2 bilhões em diferentes áreas sociais, beneficiando cerca de 24 milhões de pessoas. A área com maior foco por parte das organizações é a de educação, seguida por cultura, artes e meio ambiente.
Nos dias de hoje, pode-se perceber que a maioria dos investidores sociais privados é constituída por associações, fundações e empresas. Isso sugere que, de forma geral, tais investimentos são administrados tendo como base a lógica empresarial. Os programas podem ser executados de maneira própria, com foco em temas definidos e com uma margem menor de tempo para conclusão.
Quando falamos em investimento social privado, precisamos entender que ele está inserido dentro da responsabilidade social da empresa. Trata-se de uma forma de gerenciamento definido pela ética e transparência da instituição, com todos os públicos relacionados a ela, e pela criação de metas que alavanquem o desenvolvimento sustentável da sociedade. Tal modelo de gestão respeita a diversidade e promove a redução de desigualdades sociais. Desse modo, pode-se dizer que o investimento social privado desempenhado pelas empresas tem como beneficiário principal a comunidade e faz parte de um todo maior, que é a responsabilidade social da empresa.

A Carta Global de Princípios

Um dos principais e mais importantes documentos relacionados ao investimento social privado é a Carta Global de Princípios para Dados do Investimento Social Privado, que tem como objetivo auxiliar instituições e organizações a ampliarem os dados sobre o tema e reconhecerem a diversidade do contexto em que estão incluídas. O documento foi elaborado por uma equipe de profissionais que atuam com coleta e difusão de dados por todo o mundo. O projeto teve a coordenação do Worldwide Initiatives for Grantmaking Support (WINGS) e foi traduzido pelo GIFE a fim de que potenciais investidores brasileiros possam se aproximar e se sentir engajados a promover ações baseadas no investimento social privado.
A carta aborda o contexto histórico e os objetivos almejados com relação ao investimento social privado, demonstrados por meio de dados comprobatórios. Dentre algumas de suas finalidades encontra-se a promoção de uma visão global e o uso de dados sobre o investimento social privado. O documento também visa promover um fórum para analisar as eventuais necessidades e capacidades atuais com relação a esses dados.
Todas as instituições que dão apoio à carta partilham da ideia de que a implantação dos princípios e valores descritos é um fator primordial para que sejam aperfeiçoados dados sobre o investimento social privado. Expandir a visão e o impacto desse tipo de investimento é uma visão que muitas organizações do Terceiro Setor possuem e, para isso, buscam constantemente novos tipos de abordagens e estratégias para suprir, de maneira cada vez melhor, o seu público-alvo.
Para que dados como esses possuam credibilidade, é essencial que eles sejam abertos e respeitem todas as partes interessadas, tendo o comprometimento em se aperfeiçoar cada vez mais, podendo ser usados futuramente para amplificar o impacto social. Há quatro valores que servem como base para que sejam feitas a coleta e disseminação dos dados relacionados ao investimento social privado:

  • Abertura: é parte primordial do processo; é necessário que os dados sejam abertos a terceiros, respeitando-se as restrições e direitos legais relacionados a direitos autorais;
  • Inclusão: esse recolhimento de dados deve ter em vista a diversidade do setor e a natureza das organizações, as questões envolvidas e os contextos culturais onde são agem;
  • Respeito: para que todo o processo seja baseado na confiança e legitimidade, é de extrema importância que sejam reconhecidos os provedores de dados e, nesse caso, todas as partes envolvidas devem assumir a responsabilidade por sua disponibilização;
  • Aperfeiçoamento: todo o procedimento relacionado à coleta de dados deve ser monitorado pelas organizações e, com o aperfeiçoamento destes, é fundamental aplicar um feedback às partes interessadas à medida que os dados forem disponibilizados.

Com a criação desse documento e sua tradução, é perceptível que organizações irão poupar tempo e recursos no compartilhamento de informações, aliado ao desenvolvimento de novos sistemas e estruturas de dados. Dispositivos coordenados para o recolhimento de dados permitem que as instituições atuem cada vez menos de forma isolada e aumentem a ação cooperativa, podendo, assim, lidar mais efetivamente com questões críticas.

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