Falta De Berço

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
11 Novembro 2014 - 00h27

Em um país que experimentou por grande parte de sua trajetória e, bem recentemente, por mais de duas décadas, a feiura da falta de democracia, os momentos que antecedem o voto deveriam ser sagrados. A campanha eleitoral deveria ser um ritual de celebração de uma conquista inesquecível e preciosa (infinitamente mais importante do que os interesses mesquinhos de boçais bem-assessorados). Deveria ser como uma romaria de propostas e ideias circulando pelas comunidades, com postulantes contando e cantando como, quando e onde fariam jus às conquistas já feitas pela sociedade, ao mesmo tempo em que mostrariam novos caminhos para avanços ainda necessários. Só que não. Não é assim. Nem perto disso.
As campanhas que invadem as ruas, a internet, a TV etc., em sua imensa maioria, exalam um cheiro de coisa velha, podre, ácida. Dá até ânsia de criticar, assim, diretamente. Talvez uma analogia convença o estômago embrulhado a suportar o tema.
Existe uma expressão popular que tenta qualificar a natureza de uma pessoa. Não sei a sua origem, mas já a ouvi em diversos cantos, ricos e pobres, urbanos e rurais: “fulano (ou fulana) tem berço”. Pelo menos em minha experiência como ouvinte da expressão, a recebi muito mais como uma adjetivação ética do que material. Gente com berço sendo sinônimo de gente praticante de valores nutritivos. Dá até para engatar a expressão com a etimologia da palavra “ética”, derivada do grego “ethos”, que em sua origem significava também “casa, morada”. Gente que tem casa, gente que tem berço. Ou não.

Enfim, a analogia

Na sala de aula de uma escola qualquer em qualquer lugar, a professora do segundo ano do Ensino Fundamental reuniu seus alunos para uma atividade importante: a escolha do líder da turma. O próprio grupo teria uma tarde toda para escolher entre aqueles que se candidatassem. O eleito teria algumas atribuições, nada de mais, pois o objetivo era estimular pequenas responsabilidades, cooperação e respeito à diversidade de ideias, sempre em busca das melhores propostas para a coletividade.
Depois de certo alvoroço, alguns meninos e meninas declararam-se candidatos. A professora, satisfeita, anunciou a próxima etapa: cada um poderia se apresentar e explicar por que deveria ser escolhido pelo grupo. Mais alvoroço. Enfim, uma ordem foi definida. Ato contínuo, três deles subiram em suas cadeiras e começaram a monopolizar as atenções, desequilibrando a proposta de igualdade no processo de escolha.
Balbúrdia. Caos. Gritos histéricos das crianças. Um grito ainda mais histérico da professora. Susto coletivo. Alguns instantes de silêncio. Era oficial: quem não respeitasse a sua vez de falar sofreria sanções.
A atmosfera ordeira durou pouco, mais precisamente até o momento em que aqueles mesmos três iniciaram uma troca de farpas infantis entre si. Mães foram xingadas, segredos revelados, sentimentos aviltados.
Curiosamente, duas dessas três crianças eram amigas até pouco tempo antes desse episódio. Abraçavam-se e defendiam-se. Trabalhavam juntas em projetos. Toda essa história de amizade foi para o espaço quando a disputa se acirrou, em questão de segundos. A ponto de uma revelar a todos, em tom de escárnio, que a outra fazia xixi na cama. Como resposta, a vítima, aos prantos, devolveu dizendo que a fofoqueira comia meleca do nariz o dia inteiro. E tinha um chulé horrível.
A caixa de pandora estava aberta. Qualquer chance de uma tarde cívica havia perdido a chance de existir. Os três falastrões continuaram brigando entre si, claramente indiferentes em relação a qualquer coisa distante de seus umbigos antidemocráticos.
A professora tentou apaziguar. Sem sucesso. Desistiu no exato momento em que as crianças da plateia daquele circo de horror, uma a uma, perderam o interesse naquilo que os candidatos a candidatos estavam fazendo. Cabisbaixas, preferiram ir mais cedo ao recreio, resmungando que não queriam perder tempo com aquele tipo de comportamento infantiloide, destrambelhado e egoísta. Uma deixou escapar uma confissão:
— Já tenho de aguentar meus pais fazendo isso todos os dias. Aqui eu não estou a fim de papo chato de adulto!
Queriam adiar tanto quanto possível a proximidade com aquele mundo feio, que nada acrescentava a quem estava com vontade de viver em paz. Se era para se comportar como criança, que fosse pelo bem, no pátio, brincando, em grupo, com o mínimo de respeito às regras do jogo e ao jogo em si.

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