Ecorrelações: a prática da sustentabilidade

Por: Joana Mao
01 Janeiro 2010 - 00h00

Sustentabilidade é a nova proposta para a sociedade. Um novo paradigma no qual o pensar e o agir têm visão social, ambiental e econômico-financeira, objetivando resultados benéficos aos três aspectos, de maneira equilibrada. Conciliar o propósito de cada organização com as demandas do ambiente e o exercício da sustentabilidade se tornou fundamental para os dias de hoje. Ninguém discute isso.

Por outro lado, deve-se reconhecer que a sustentabilidade virou rótulo para um conceito que pouco se entende na prática. A discussão é imensa diante de seu entendimento. A expressão está nas conversas do dia a dia como uma espécie de mantra: é repetida quase à exaustão, nos mais diversos contextos, e, mesmo assim, ainda parece distante da vida cotidiana.

Gestores estão cientes de sua importância para a perenidade do propósito de suas organizações. Todavia, entendem o termo como mais uma metodologia ou ferramenta a ser implementada, colocando-a na agenda como uma meta interessante, mas distante. O mesmo aconteceu nos anos 1990 com a internet: sabia-se que mudaria a forma de trabalho e que iria revolucionar o mundo, mas ninguém sabia como. Com a sustentabilidade é semelhante. É como se ela estivesse no alto de uma estante, impossível de ser alcançada, porém vista e entendida por inteiro.

Chega a causar desconforto àqueles que ainda não decidiram implementar mais essa “lição de casa” nos negócios. Não bastassem todos os processos produtivos, resultados financeiros, vendas e recursos humanos, surge mais um item a ser adicionado: ações ambientais. Esse é o engano. A sustentabilidade não para no plantio de árvores para compensação de carbono ou na coleta seletiva. Ações necessárias, mas definitivamente insuficientes. Também não começa e não se resume a ações que somente minimizam impactos e não transformam os processos e, principalmente, os indivíduos. Então, o que é sustentabilidade e onde ela começa?

'Primeiramente, não é meta, mas, sim, um caminho. Não é mais uma tarefa, mas um novo modelo mental de gestão e de tomada de decisões. Quando se pode usar o modelo funcional da natureza para inspirar esse conceito, é ambiental, já que, na natureza, os sistemas sustentáveis demonstram ser possíveis, pois estão baseados em padrões de relacionamento. Assim, sustentabilidade é a maneira como se estabelece a relação unidade-mundo; pode-se incluir também o ambiente, mas não apenas isso. É coisa de gente com o mundo que é gente. É tornar-se mais humano na visão de mundo para um progresso individual rumo a um progresso social. Para isso, o conceito tem de estar próximo das pessoas, ser compreensível e desejável.

Não adianta a organização possuir apenas uma postura ecologicamente correta no final de seus processos, seja no descarte adequado dos resíduos ou na compensação de carbono de suas emissões. É necessário pensar e fazer para ir além dessa consciência ecológica. Pensar e fazer atingindo a consciência sobre si mesmo no mundo. É entender que não há dualidade nisso e que a sustentabilidade é o relacionamento de união. É despertar e interagir com a sociedade, incrementando a convivência com valores humanos, ambientais e organizacionais. Uma organização mais lúcida e mais consciente é mais ativa para a prática da sustentabilidade, ou as chamadas ecorrelações.

As ecorrelações se aplicam no cotidiano. Proporcionam um despertar sobre a consciência de mundo na vida e da vida no mundo. Aqueles que despertarem para ter um relacionamento ético, sensível e participativo, internamente e com o entorno, vão se tornar agentes poderosos de transformação social e terão mais sustentabilidade para si. Passarão a ter mais entendimento e facilidade de comunicação e envolvimento com consumidores, colaboradores, fornecedores, comunidade, agências governamentais, e terão ambiente para o desenvolvimento de programas socioambientais; serão fomentadores de novas formas valiosas de mercado; estabelecerão relações de qualidade e confiança, fortalecedoras para a perpetuação de seus propósitos e o alcance de resultados desafiadores em longo prazo, mesmo diante das presentes e futuras demandas socioambientais.

No desempenho das ecorrelações, a ética é a base, e a participação para benefícios multissociais é o objetivo. Nesse conceito, ações ambientais não estão isoladas. Elas vêm na sequência de outras ações, frutos do princípio de convívio na identidade da organização. Missão, visão, valores e recursos humanos na mesma mira: sustentabilidade da organização no mundo e para o mundo.

Diante de uma sociedade “não-ambiental”, o posicionamento tradicional – igualmente “não-ambiental” – dos agentes de mudança (governo, organizações e sociedade civil) não poderá incorporar esse adjetivo sem que passe por profundos questionamentos acerca de seus valores. Antes de se estudar o ciclo da natureza para as decisões cotidianas, estude-se o da gentileza. Busquem-se novas formas de pensar o ambiente e a sustentabilidade, começando por repensar as relações humanas. O exercício da sustentabilidade são as ecorrelações.

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