Compras com estilo e responsabilidade

Por: Fernando Credidio
01 Novembro 2007 - 00h00
A cena é comum: o consumidor vai ao supermercado, compra um ou dois produtos e, para carregá-los, apanha várias sacolinhas plásticas. Além de embalar as compras, elas servirão, certamente, para acondicionar o lixo da residência, do escritório e até para recolher os dejetos de seu animal de estimação, no passeio diário. Atire a primeira pedra quem nunca agiu assim. Infelizmente, esse é um hábito arraigado na maioria das pessoas, para dano do planeta e das gerações futuras.

Ninguém discute que o plástico tornou-se indispensável para boa parte das atividades essenciais ao desenvolvimento humano, a partir de sua utilização em escala industrial, há mais ou menos 50 anos. Contudo, esse material leva muitos anos para ser decomposto na natureza. Ainda que a ciência não tenha determinado o tempo exato dessa transformação, alguns calculam que esse prazo possa chegar a 400 anos.

O plástico que dura não é o vilão. O problema não está no material em si, mas na má utilização que a sociedade faz dele. O Brasil produz, anualmente, 210 mil toneladas do chamado plástico filme, a matéria-prima dos saquinhos plásticos. Esse total representa cerca de 10% do lixo do país. Por essa razão, é preciso minimizar, com urgência, o emprego desmedido de sacolas plásticas pelos consumidores.

O que fazer então?

O correto seria o cidadão levar sacolas de pano de sua própria residência, mas isso ainda requer uma conscientização maior da sociedade. O mesmo vale para a troca de sacolas de plástico por embalagens de papel, solução adotada em diversos países. Alguns supermercadistas alegam que os custos serão repassados ao consumidor, o que vem sendo desmentido pela prática de redes que adotaram o material sem aumentar os preços.

Paralelamente, os governos buscam alternativas para reduzir o uso de sacolas plásticas. O Estado do Paraná tem como meta diminuir em 30% todo resíduo que vai para os aterros sanitários. Para reduzir o lixo produzido pelas sacolas plásticas, o governo distribui, gratuitamente, sacolas oxibiodegradáveis – obtido a partir de um aditivo que acelera a degradação do material em contato com o ar, o calor, a terra, a luz e a umidade, podendo desaparecer na natureza em um prazo até 100 vezes menor que o plástico comum. Esse tipo de sacola já é utilizado em mais de 40 países, entre eles Inglaterra, França e Portugal. Em São Paulo, chegou a ser aprovado um projeto de lei que obrigaria os estabelecimentos comerciais a trocarem as sacolas de plástico comum por material biodegradável. Entretanto, absurda e estranhamente, o projeto foi vetado pelo governador José Serra.

As empresas estão igualmente atentas ao problema. Dia a dia, estabelecimentos com comprometimento ambiental comercializam em suas lojas bolsas confeccionadas em tecidos e outros materiais duráveis, estimulando os consumidores a terem sua própria sacola. O principal exemplo vem da Europa.

Confeccionada em 100% algodão, com um estilo simples e preço acessível – aproximadamente US$ 15 –, a sacola que leva o selo da designer de acessórios inglesa Anya Hindmarch é a coqueluche do momento no Reino Unido. Batizada pela loja de “bolsa ambiental”, ela possui a inscrição em letras grandes “I´m not a plastic bag” (“Eu não sou uma sacola plástica”).

Mais que uma frase bem-vinda, a sacola carrega uma filosofia de consumo sustentável, hasteando uma bandeira pelo fim do desperdício e incentivando o reuso. Idealizada para substituir as rivais de plástico, a bolsa tem sido usada no shopping, na escola, no trabalho, no supermercado e até em festas badaladas. Não à toa, a bolsa se tornou uma peça cult, existindo até lista de espera e disputas a preços inflacionados no site eBay.

Outros mercados também embarcaram na onda. A rede inglesa Tesco, por exemplo, oferece pontos no cartão fidelidade do cliente que dispensar as sacolas plásticas. Já as redes de lojas Marks & Spencer, também do Reino Unido, e a alemã Aldi, têm projetos para cobrar a sacola usada pelo consumidor, desencorajando seu uso.

Iniciativas nacionais

Por aqui, a moda também pegou. Campanha similar à lançada pela grife Anya Hindmarch vem se desenrolando, e uma exposição itinerante chamada “Eu não sou de plástico” reúne sacolas de tecido criadas por mais de cem estilistas e grifes de todo o país. A campanha visa sensibilizar as pessoas para a necessidade de minimizar o consumo de sacolas e sacos plásticos, adotando o uso de sacolas permanentes.

A grife Cavalera – criada pelo músico Igor Cavalera, ex-baterista da banda Sepultura –, conhecida pelas irreverentes coleções de streetwear, criou uma bolsa de plástico reciclado que traz a frase “Eu sou de plástico”, contrapondo o mote da campanha, mas com o igual objetivo de alertar para a preservação do meio ambiente. A Levi’s investiu no jeans orgânico (com algodão cultivado sem agrotóxicos). Na Y/MAN, referência em moda náutica, a opção foi pela sarja de cor natural, sem tingimento químico. Já a Góoc, fabricante de vestuário, bolsas e calçados, criou uma sacola ecológica de lona reaproveitada.

Por sua vez, a CNS, rede de calçados masculinos, passou a utilizar papel 100% reciclável, pós-consumo, em suas sacolas, medida que evitará o corte de aproximadamente 612 árvores por ano. Para efeito de comparação, o Parque do Ibirapuera, considerado o pulmão da cidade de São Paulo, possui 15 mil árvores. Além de evitar o desmatamento, a atitude da CNS proporcionará uma economia de 8.500 kW de energia por ano ao país – equivalente ao consumo médio mensal de 38 famílias e de 680 mil litros de água/ano, conforme dados da AES Eletropaulo e da Sabesp.

Muitas dessas sacolas vêm sendo produzidas por organizações da sociedade civil, a titulo de geração de renda para a manutenção de suas causas. O Grupo Pão de Açúcar e a Fundação SOS Mata Atlântica celebraram parceria com o objetivo de estimular o consumo consciente, aliado à preservação do meio ambiente. As lojas da rede oferecem aos clientes cinco modelos de embalagens ecológicas, confeccionadas em TNT (sigla para “tecido não-tecido”), com estampas inspiradas na fauna brasileira: tucano, mico-leão-dourado, onça-pintada, arara azul e lobo-guará, e que trazem a seguinte informação: “Espécies da Mata Atlântica: bichos em extinção”. Dessa maneira, a empresa também desempenha um papel educacional, divulgando a causa da preservação de espécies existentes na biodiversidade nacional. As sacolas retornáveis do Pão de Açúcar não têm sua comercialização vinculada à compra de nenhum outro produto.

De tecido, de papel ou de plástico, o importante é que as sacolas tenham vida útil longa. Além de proporcionarem mais conforto e elegância no transporte das mercadorias, essas bolsas contribuem para a preservação do meio ambiente. Todos lucram com isso. Ganha a natureza, ganha a sociedade e ganha também o lojista, uma vez que, para o consumidor consciente, é uma satisfação freqüentar um estabelecimento comercial engajado nas demandas socioambientais.

Afinal, apesar de as marcas corporativas dependerem de resultados imediatos, não se pode alcançá-los sem atentar, simultaneamente, para a sustentabilidade geral da empresa, do ambiente de negócios, da sociedade e do planeta.

Dia a dia, estabelecimentos com comprometimento ambiental comercializam em suas lojas bolsas confeccionadas em tecidos e outros materiais duráveis, estimulando os consumidores a terem sua própria sacola

Fernando Credidio. Presidente executivo da organização Futuro Sustentável. Entre outras atividades, é professor, articulista, consultor em sustentabilidade corporativa e em comunicação & marketing para o Terceiro Setor, e ministra cursos e palestras por todo o país.

Tudo o que você precisa saber sobre Terceiro setor a UM CLIQUE de distância!

Imagine como seria maravilhoso acessar uma infinidade de informações e capacitações - SUPER ATUALIZADAS - com TUDO - eu disse TUDO! - o que você precisa saber para melhorar a gestão da sua ONG?

Imaginou? Então... esse cenário já é realidade na Rede Filantropia. Aqui você encontra materiais sobre:

Contabilidade

(certificações, prestação de contas, atendimento às normas contábeis, dentre outros)

Legislação

(remuneração de dirigentes, imunidade tributária, revisão estatutária, dentre outros)

Captação de Recursos

(principais fontes, ferramentas possíveis, geração de renda própria, dentre outros)

Voluntariado

(Gestão de voluntários, programas de voluntariado empresarial, dentre outros)

Tecnologia

(Softwares de gestão, CRM, armazenamento em nuvem, captação de recursos via internet, redes sociais, dentre outros)

RH

(Legislação trabalhista, formas de contratação em ONGs etc.)

E muito mais! Pois é... a Rede Filantropia tem tudo isso pra você, no plano de adesão PRATA!

E COMO FUNCIONA?

Isso tudo fica disponível pra você nos seguintes formatos:

  • Mais de 100 horas de videoaulas exclusivas gratuitas (faça seu login e acesse quando quiser)
  • Todo o conteúdo da Revista Filantropia enviado no formato digital, e com acesso completo no site da Rede Filantropia
  • Conteúdo on-line sem limites de acesso no www.filantropia.ong
  • Acesso a ambiente exclusivo para download de e-books e outros materiais
  • Participação mensal e gratuita nos eventos Filantropia Responde, sessões virtuais de perguntas e respostas sobre temas de gestão
  • Listagem de editais atualizada diariamente
  • Descontos especiais no FIFE (Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica) e em eventos parceiros (Festival ABCR e Congresso Brasileiro do Terceiro Setor)

Saiba mais e faça parte da principal rede do Terceiro Setor do Brasil:

Acesse: filantropia.ong/beneficios

PARCEIROS VER TODOS