Awakening Customers

Por: Felipe Rosito
01 Maio 2009 - 00h00

Como sabemos, o mundo está passando por uma grande crise. E essa crise não diz respeito apenas à falta de empregos, oportunidades e dinheiro. É uma crise também de valores. Talvez uma grande revolução que seremos forçados a viver. Mas nem tudo está perdido. Se é verdade que em toda crise existem novas oportunidades, chegou o momento de conhecer quem possivelmente é o nosso mais novo público-alvo.

Sacrifice will become simplicity (o sacrifício se tornará simplicidade). Essa é a mais nova premissa do marketing mundial. As pessoas que foram afetadas pela crise vão mudar os seus padrões de consumo, optando por uma vida mais “simples”. Com a falta de dinheiro e a incerteza sobre o futuro, a palavra de ordem é segurar a onda na hora de consumir. Algumas famílias vão apreciar esse nível de simplicidade no seu dia-a-dia, procurando atividades mais caseiras, trazendo um novo sentido à vida em família. Receitas tradicionais, como uma pizza em casa seguida de um filme no DVD, vão ganhar popularidade e haverá uma rejeição do consumo de produtos percebidos como poluentes, principalmente no segmento de carrões de luxo.

O consumidor tradicional irá questionar o que a sua marca está fazendo. Algumas teorias empresariais pregam que é hora de dar a ele menos opções, como vem fazendo a Patagônia, que reduziu algumas linhas de produtos. As marcas serão avaliadas conforme a sua pró-atividade em resolver questões sobre desenvolvimento sustentável, evidenciando o equilíbrio do uso dos recursos naturais para a produção de produtos de consumo.

Mas não é só nas empresas que a mudança está ocorrendo. Cada vez mais o comportamento das pessoas na hora de comprar algo seguirá o seguinte raciocínio: “Será que eu preciso disso?”. Em tempos de crise, os produtos também se transformam. Hummers vão passar de automóveis de “pessoas VIP” para “OVSP (Official Vehicle of Stupid People – veículo oficial de pessoas ignorantes).

Entretanto, o consumo de alto escalão ainda existirá, porém com um foco diferenciado. Sai o produto de status e entra o que realmente merece um preço mais alto, principalmente no que se refere aos bens duráveis. Resumindo: o luxo, antes fator de diferenciação, acaba de se tornar supérfluo.

Outra “novidade” que a crise está trazendo é um novo senso de participação das pessoas na sociedade. Com a recessão econômica e os escassos recursos financeiros, a colaboração e o espírito de solidariedade estarão em evidência. Um grande senso de comunidade irá emergir, substituindo o conceito de globalização por humanidade, assumindo o meio ambiente como nosso lar.

Concluindo, por mais incrível que possa parecer, a nova possível quebra de paradigmas da vida em sociedade partirá novamente de um momento de recessão, e não de fartura, como vivemos nos últimos quatro anos em escala global. Mesmo com tanto dinheiro circulando em épocas prósperas, não conseguimos erradicar a miséria do mundo por pura falta de interesse. Só para termos uma ideia, se os 20 países mais ricos do mundo doassem apenas 0,6% do seu PIB, tiraríamos da miséria 1,1 bilhão de pessoas. Mas quem sabe essa crise não tenha surgido justamente para questionarmos esse modo insustentável de vida? De agora em diante, o mundo empresarial terá quatro pilares da sustentabilidade (simplicidade, igualdade, responsabilidade e comunidade) totalmente baseados nas pessoas.

Essa nova visão do mercado vem substituir o atual Triple Bottom Line, que classifica a atuação das empresas apenas no desenvolvimento social, ambiental e empresarial. As marcas mais prósperas no mercado serão aquelas que conseguirem articular melhor esses valores. Boa sorte a todos nós!

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