É Possível Captar Recursos em Meio à Crise Econômica Mundial?

Por: Tahiana D’egmont
09 Junho 2016 - 03h54

 

 

O crowdfunding é uma ferramenta de empreendedorismo, realizações e promoção criativa e empresarial, que tem muito a contribuir para o fortalecimento da economia e para a melhoria de problemas sociais

O maior desafio das organizações sem fins lucrativos sempre foi e continua sendo encontrar a melhor forma de captar recursos para seus projetos. Com o passar dos anos, cada vez mais pessoas têm conhecido e procurado o crowdfunding, enxergando-o como a alternativa mais simples e viável de continuar lutando por uma causa. Embora esse modelo de financiamento venha sendo trabalhado há bastante tempo no cenário mundial, ainda é pouco reconhecido como uma nova indústria para muitas instituições brasileiras.

O crowdfunding oferece a essas instituições uma nova chance de sucesso, possibilitando-as apresentar seus projetos para o mundo inteiro. Ao contrário do modelo de investimento tradicional, o financiamento coletivo é, por definição, a prática de financiar um projeto captando pequenas quantias de dinheiro por intermédio de um grande número de pessoas, geralmente pela internet.

Existem diversas plataformas de crowdfunding seguras e confiáveis no Brasil e, embora cada site ofereça seus diferenciais, o conceito por trás é o mesmo. O financiamento coletivo possibilita a captação de recursos de forma rápida, fácil e, sobretudo para o Terceiro Setor, muito benéfica, já que a organização não-governamental não precisa esperar o período de maturação exigido pelo governo para começar a arrecadar.

Outra vantagem ao falar de crowdfunding em meio à crise econômica é que os contribuidores não são muito afetados pela crise, pois as contribuições tendem a ser de valores pequenos. Aqueles que não podem contribuir, mas que se interessam pelo projeto, podem facilmente ajudar divulgando-o em sua base de contatos e redes sociais.

Ainda, os doadores tornam-se fiéis à ONG e com muita frequência passam a contribuir de forma recorrente, sem sair de casa. Isso contrasta com a teoria de que doadores e instituições precisam estar perto ou de que as instituições só devem arrecadar doações pela comunidade ou de pessoas próximas.

Crescimento do Financiamento Coletivo Brasileiro

No Brasil, o crowdfunding segue um padrão contrário ao dos Estados Unidos. Enquanto lá não param de surgir novas plataformas, aqui vemos cada vez menos plataformas com valores impressionantes sendo arrecadados.

Em 2015, o recorde de arrecadação latino-americano, que ultrapassou R$ 1 milhão, foi conquistado por uma organização sem fins lucrativos.

As plataformas já oferecem alguns diferenciais para o Terceiro Setor que ajudam a potencializar a arrecadação de fundos. Geralmente, quando se captam recursos para uma causa nos métodos tradicionais, é preciso contratar uma equipe para gerenciar a campanha. Já no crowdfunding, a plataforma realiza todos os papéis: recebe e registra as contribuições por você, contabiliza a quantidade já arrecadada e estima quanto ainda falta para alcançar o objetivo financeiro. Algumas oferecem dicas e estratégias de divulgação. Por fim, o site também registra os dados dos apoiadores da causa para o seu controle e para, eventualmente, no fim das arrecadações, retribuir quem doou com recompensas simbólicas.

Além disso, o grande aumento de campanhas de financiamento coletivo de ONGs nos últimos meses foi por conta do surgimento da opção de campanha flexível, trazida pela plataforma Kickante. Antes, no Brasil, só havia a opção tradicional de campanha tudo ou nada – a ONG só recebe o valor arrecadado se bater ou ultrapassar a meta. Com a opção de campanha flexível, a ONG leva o que arrecadar, independentemente de atingir a meta.

Outra vantagem do financiamento coletivo para projetos sociais é que as ONGs podem receber doações das mais diversas cidades do Brasil e do mundo – algumas plataformas já aceitam doação do exterior – doadores que não saberiam da instituição ou do projeto social se não fosse o financiamento coletivo. Aliás, essa dispersão geográfica talvez seja uma das características mais marcantes do financiamento coletivo. Quando o contribuidor se identifica com o projeto social realizado pela ONG, ele contribui, ajudando a transformar a vida de diversas pessoas.

O Terceiro Setor é um mercado que, mesmo com a crise, continua em pleno crescimento no Brasil, por isso as novidades não param de aparecer. Uma delas é o Clube de Contribuição Mensal, em que as ONGs podem arrecadar doações continuamente para seus projetos sociais. Essa é uma opção que pode ser realizada após uma campanha de financiamento coletivo normal, pois já houve divulgação prévia da ONG, do projeto social e de suas necessidades, e seus contribuidores tornam-se recorrentes.

Outra novidade lançada recentemente é o Kick Solidário. Nesse caso, o contribuidor torna-se um voluntário digital e pode criar uma campanha de crowdfunding para arrecadar fundos para uma ONG de que goste. A plataforma já possui o cadastro prévio de dezenas de organizações e todas as doações vão diretamente para a instituição escolhida.

Para os próximos anos, a projeção é que ainda mais organizações e projetos sociais como um todo passem por um processo de experimentação com o financiamento coletivo, montando seus planos anuais de arrecadação já contando com a criação de uma campanha de crowdfunding.

Terceiro Setor Bate Recorde Latino-americano

O recorde da América Latina de arrecadações via crowdfunding, que ano passado pertencia ao Médicos Sem Fronteiras, ultrapassou em 2015 a faixa de R$ 1 milhão com a campanha Santuário Animal, da instituição Rancho dos Gnomos. A Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos (Aserg) arrecadou recursos para comprar um novo terreno para abrigar os animais resgatados, e com R$ 10 o contribuidor ajudava a comprar 1 m².

A campanha, que teve tíquete médio de R$ 65, atingiu milhões de pessoas ao redor do Brasil e do mundo. Com muito apelo emocional e forte assessoria de imprensa, o projeto foi exibido em programas de televisão em rede nacional, como o CQC, apoiado por instituições como ONG Ampara Animal, Instituto Luisa Mell e grupo Porta do Fundos, além de inúmeras celebridades, como Neymar, Glória Pires e até mesmo a cantora britânica Joss Stone.

Uma campanha bem-sucedida não necessariamente precisa da ajuda de celebridades, mas todas, sem exceção, consistem em três pilares: importância, clareza e urgência. Isto é, o criador deve explicar aos seus contribuidores por que cada contribuição é tão importante para a sua organização, o objetivo e a ambição do seu projeto e por que eles devem contribuir agora, e não depois.

Além disso, são de exímia importância o relacionamento e o engajamento da organização com seu público. As pessoas que abraçam sua causa e se envolvem com seu projeto serão seus melhores promotores. Além disso, você constrói uma base de contatos para ser usada futuramente.

A Kickante aproveitou o fim de ano e a campanha de incentivo à solidariedade #diadedoar para reunir depoimentos dos contribuidores sobre o que os motiva a ajudar um projeto a sair do papel. “Vejo pessoas que querem mudar o mundo em que vivem e trabalham para isso. Poder ajudá-las é uma sensação muito prazerosa, pois sinto que estou fazendo a diferença em algum lugar do mundo, mesmo que seja pequena; sinto que ajudei a construir um mundo um pouquinho melhor”, afirma Rafael Ghidini, contribuidor da campanha Santuário Animal.

O crowdfunding no Brasil é, sim, uma ferramenta de empreendedorismo, realizações e promoção criativa e empresarial. Uma ferramenta que tem muito a contribuir não só com o fortalecimento da economia, mas com a melhoria de problemas sociais brasileiros.

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