Uma homenagem a João de Deus

Por: Conselho Editorial
01 Março 2005 - 00h00
Já estávamos com a edição fechada e no prelo, quando veio a esperada e dolorosa notícia da morte do Papa João  Paulo II. Não hesitamos em parar as máquinas e prestar homenagem a Karol Josef Wojtyla, carinhosamente chamado pelos brasileiros de João de Deus.

Após quase 27 anos de pontificado, Karol marcou a história da Igreja Católica não só pelo terceiro maior mandato, mas por tomar atitudes grandiosas entre raças e povos. Com sorriso cativante e olhar sereno, capaz de sensibilizar o mais frio dos fiéis, João Paulo II foi o primeiro papa a entrar em uma mesquita e a falar com um líder ortodoxo, rogando a harmonia entre os povos. Foi também o primeiro pontífice a pisar em solo cubano.

Esses são apenas alguns exemplos de como Karol Wojtyla, um operário polonês que gostava de encenar peças de teatro, cativava católicos e não-católicos com seus gestos de fraternidade e simplicidade. Determinação e proficiência foram combustíveis essenciais para sua eterna militância pela paz mundial e pelos direitos humanos, sempre lutando contra injustiças sociais, guerras e o próprio comunismo.

De Wadonice, na Polônia, para o Vaticano, capital da Igreja Católica, João Paulo II percorreu 1,2 milhão de quilômetros, visitando 125 países. Foi também o papa que mais canonizou – 482 pessoas transformaram-se em santos durante seu pontificado.

No Vaticano, às 21h37 do último dia 2 de abril, João Paulo II deu seu último suspiro. Olhando para a janela que dava para a multidão de fiéis em vigília na Praça São Pedro, o Santo Padre levantou a mão, como quem desse a última benção, e ainda resgatou força para pronunciar um “até logo”: Amém!

Um bilhão de católicos espalhados pelo mundo esperam agora o Conclave – a reunião dos cardeais antes da escolha de um novo papa. Entre eles há três brasileiros, que terão direito ao voto. Além disso, um de nossos representantes está bem cotado a vencer a eleição: Cláudio Hummes, arcebispo metropolitano de São Paulo.

Sendo brasileiro ou de qualquer outra nacionalidade, conclamemos que o próximo pontífice ajude a humanidade, católica ou não, a ver um mundo mais digno e com menos diferenças sociais.

Que o ritual da queima de votos dos cardeais traga em sua fumaça branca um sinal de esperança, e que esta saia do Vaticano e espalhe paz pelos ares do mundo todo.

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