Turismo para gerar renda

Por: Marcio Zeppelini
01 Janeiro 2004 - 00h00
É público e notório que o Brasil deverá ter, nas próximas décadas, seu crescimento fundamentado principalmente na agricultura e pecuária – áreas constantemente pesquisadas e detentoras de volumosos investimentos.

Entretanto, sempre defendi o investimento maciço e pesado no turismo nacional – realidade ainda muito distante no cenário tupiniquim. Trazer turistas estrangeiros ao Brasil não só traz divisas ao mercado interno, incrementando o PIB, como é importante processo gerador de empregos e, conseqüentemente, de bem-estar social. De acordo com a ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), a cada US$ 7 mil deixados no Brasil, surge um novo emprego.

O São Paulo Convention Bureau constatou também que, a cada um milhão de turistas que visitam determinada cidade brasileira, são gerados cerca de 55 mil postos de trabalho diretos. Este ano, em função das comemorações dos 450 anos de São Paulo, espera-se um salto de 6,5 milhões para cerca de 8 milhões de turistas que visitarão a metrópole. Isso significa consideráveis 80 mil novos empregos.

O Brasil tem riquezas naturais, históricas e culturais de dar inveja ao restante do mundo. Em todo o Nordeste, o sol brilha mais forte nas belíssimas praias de areia clara e mar azul. A gastronomia do Sul e Sudeste brasileiros dá água na boca de europeus (até de franceses e italianos!). São Paulo já detém “frota” cultural e gastronômica maior que Nova York. O ecoturismo pode ser explorado do Oiapoque ao Chuí e, em especial, na maior floresta do mundo – a Amazônia. No Rio de Janeiro, um misto de beleza natural, festas, praias agitadas e gente bonita (aliás, as mulheres brasileiras completam tão bem o cenário da beleza do país, que estrangeiro nenhum tem como colocar defeito). Sem contar a alegria, irreverência e hospitalidade da gente brasileira.

Com tudo isso, o Brasil ainda peca em infra-estrutura, especialmente no Norte e Nordeste, destinos que deveriam ser mais freqüentes para europeus, japoneses e americanos. Faltam investimentos em hotéis, restaurantes, centros de lazer e educação para o turismo.

Proponho um pacto entre os três setores – governo, empresas e ONGs – a fim de incrementar o turismo nacional e gerar riqueza ao país.

O governo fará seu papel por meio de incentivos fiscais e investimentos em transportes e comunicações. A iniciativa privada, investindo pesado na rede hoteleira e na indústria do entretenimento de cidades potencialmente turísticas.

Já ao Terceiro Setor cabe uma política de investimento em educação para o turismo com ênfase na qualidade do atendimento. Proponho a profissionalização de ONGs que formem meninos e meninas para trabalhar na atividade localmente, ensinando ofícios como os de garçons, cozinheiros, camareiros, guias turísticos, animadores e as mais diversas profissões do turismo e entretenimento, ramo que o Brasil tem muito o que aprender e explorar. Mais que isso: ensiná-los a perceber a importância que o turismo tem para a vida de cada brasileiro.

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