Trabalho humano de valor ou valor humano do trabalho?

Por: Marcio Zeppelini, Thaís Iannarelli
26 Maio 2014 - 19h05

“Como? Se já nasci aposentado? Enquanto estiver vivo, vou estar trabalhando.
Tudo o que faço é um prazer e não abro mão da felicidade que esse prazer me proporciona”
José Wilker

Recentemente perdemos um dos maiores atores e pensadores do cenário artístico brasileiro. Não temos intenção aqui de mostrar todo o legado cultural que o crítico cearense José Wilker deixou, mas sim, discorrer acerca de uma frase dita por ele à Revista IstoÉ Gente, grafada acima.
Outras frases, como “o trabalho dignifica o homem”, ou mais motivacionais, como “encontre algo com que goste de trabalhar, e você não trabalhará um único dia de sua vida”, atribuída a Confúcio, são ouvidas todos os dias e em todos os lugares. Mas, de fato, Wilker tinha plena razão ao não abrir mão da felicidade do trabalho.
Trabalhar com o que se gosta já é uma benção para qualquer mortal. Trabalhar no Terceiro Setor, desde que apaixonado por essa ocupação, é, então, uma cobertura de chocolate com várias cerejas em cima do bolo!
Impossível renegar, nos idos de 1800, as benesses que a Revolução Industrial trouxe ao mundo civilizado. Junto com ela, o assoberbado (e apocalítico) ode ao capitalismo, pelo qual tenta-se fazer mais com menos. Mais máquinas, menos homens; mais horas trabalhadas, menos tempos de lazer; mais dinheiros, menos sorrisos.
E nesse vai-e-vem de 24 horas diárias, nossa vida se transforma numa penúria valoral humana em que o “social” pouco se vive. O lucro é o destino dos ponteiros enlouquecidos de nossos relógios.
Pensando nisso, o grandioso professor Muhammad Yunus, Nobel da Paz, tentou definir o que é, hoje, a moda do mundo lucrativo: o Negócio Social. Em face à chegada de mais um Dia do Trabalho, pensamos:
qual o valor de nosso trabalho?
Oras! Todo negócio não deveria ter fins sociais? Não deveríamos pensar sempre nas pessoas que estão envolvidas nos “jobs” nos quais mergulhamos de cabeça, sem abrir mão do lucro? E concluímos, com mais uma interrogação: qual o real valor humano de nosso trabalho?
Para quem trabalha com projetos sociais, a resposta parece óbvia. Então, conclamamos que contagiem as pessoas à sua volta a trabalhar por prazer. Se isso fizer efeito, teremos mais pessoas pensando nas pessoas, a real função dos negócios sociais.
Voltando a falar em Wilker, que viveu intensamente 67 anos, devemos colocar bem acima de salário ou posição de sua “caixinha” no organograma de uma organização, a satisfação pessoal – a sua e a das pessoas à sua volta. Afinal, o trabalho não só dignifica a humanidade: ele a felicita, a mantém viva e, sobretudo, dá sentido à sua vida.

Bom trabalho... ops, boa leitura!

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