Sustentabilidade de valores e ideais

Por: Marcio Zeppelini
01 Março 2008 - 00h00

Sustentabilidade é a bola da vez. Depois dos diversos chavões criados pelo universo do Terceiro Setor, como responsabilidade social, investimento social privado e tecnologias sociais, desenvolvimento sustentável (ou simplesmente sustentabilidade) é o termo mais discutido em fóruns, congressos e demais eventos ligados à nossa área.

Isso tudo faz parte de um ciclo de amadurecimento iniciado nos primórdios da filantropia – o puro amor à humanidade –, que hoje chega ao desenvolvimento sustentável – este grande motor cheio de engrenagens que, para funcionar corretamente, ainda serão necessários diversos ajustes em cada uma de suas peças.
Primeiro, é importante salientar que a responsabilidade social é apenas um dos quatro grandes eixos da sustentabilidade, somando-se aos outros três aspectos de igual importância: o cultural, o ambiental e o econômico.

No entanto, pouco se fala sobre nossos valores e ideais. Onde eles se encaixam neste cenário? Devem eles ser postos de lado em nome do desenvolvimento mundial equilibrado? Ou estariam intrinsecamente envolvidos em um desses quarto pilares citados anteriormente?

Seriam nossos valores e ideais o trabalho em prol do social, ou seja, pro bono? Ou meramente capitalista, “pró-bolso”, e, assim, já exacerbado nos aspectos sociais ou econômicos da sustentabilidade? Ou, ainda, seriam eles de ordem cultural, já que nossas crenças e folclores estariam intimamente ligados à cultura de nosso povo, nossa comunidade ou de nossos ancestrais?

Valores e ideais devem ser elevados a um patamar acima dessa discussão, pois são pessoais e intransferíveis. Ainda que os princípios éticos de igualdade, liberdade e fraternidade tenham uma unanimidade entre os povos – pelo menos aos que se “entendem” harmoniosamente –, o que é certo para mim, pode não ser tão certo para o outro. O que é saboroso ao meu paladar, pode ser acre ao meu semelhante; o que é prazeroso à minha vivência, pode ser um duro fardo à sobrevivência de um irmão.

Por isso, acima das catracas que integram os aspectos sociais, culturais, ambientais e econômicos da sustentabilidade, devemos ter uma outra grande peça que mova – ou, ao menos, subsidie – todo o conjunto de maneira suave, sem “ranger” nenhuma volta sequer: a sustentabilidade de nossos valores e ideais.

Traduzindo isso à administração de nossos projetos sociais, para que possamos desenvolver nossas atividades de modo sustentável, é imprescindível que as decisões não sejam tomadas por mera empolgação ou modismo, tendo por base o que se aprende em aulas de desenvolvimento sustentável lecionadas em congressos e universidades – que, importante salientar, lhe darão os instrumentos básicos para tal prática –, mas, sobretudo, verificar se cada decisão, ação e reação conferem com seu estatuto, com sua missão e seus objetivos sociais.

Ou seja, de nada adianta todas as atividades e ações estarem amparadas simplesmente no que é substancial para o planeta. Mas, além disso, tais ações devem ser condizentes com nossas missões, ideais e valores próprios. Somente assim seremos politicamente corretos e plenamente satisfeitos!

Isso, talvez, seja a tradução de mais uma expressão que deve virar moda no Terceiro Setor: a responsabilidade moral de cada organização e de cada indivíduo.

“O melhor guia da razão prática é a moral”
(Jaime Balmes, filósofo e jornalista espanhol)


Marcio Zeppelini
marcio@revistafilantropia.com.br
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