Brasileiro é Um Doador Convicto

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19 Janeiro 2017 - 14h45

Mesmo que pesquisas apontem para esse dado positivo, ainda é preciso investir mais em uma cultura da filantropia

Foi uma surpresa e tanto o resultado da Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo Instituto Gallup para o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), anunciada no começo de junho e que conta com apoio do PayPal. Apesar da crise que assola o país, em 2015, 77% dos brasileiros entrevistados disseram ter feito algum tipo de doação. Desses, 62% doaram bens; 52%, dinheiro; e 34%, tempo para algum trabalho voluntário.

Considerando somente os brasileiros que doaram dinheiro para organizações sociais em 2015, segundo o estudo, o índice chega a 46% da população. E o melhor: não estão computados nesse resultado os dízimos repassados às igrejas nem as esmolas. O total doado pelos brasileiros no período? Cerca de R$ 13,7 bilhões, valor que corresponde a 0,23% do Produto Interno Bruto (PIB).

Parece muito — e de fato é —, mas ainda estamos longe de ameaçar os líderes do The World Giving Index (WGI, da britânica Charities Aid Foundation – CAF), que mede o comportamento da população de 135 países quando o assunto é filantropia. Estamos no 90º lugar, ao lado da França. Só para situar o leitor, o México aparece na 83ª posição.

A grande questão quando falamos sobre doação e, mais do que isso, filantropia, é que não existe no Brasil uma cultura de generosidade, de devolver à sociedade parte do que se recebeu. Diferente dos Estados Unidos, por exemplo, que lideram o ranking do WGI ao lado de Myanmar.

No país norte-americano, a maioria dos milionários e bilionários tem uma fundação que administra recursos voltados a benfeitorias sociais de todos os tipos. Claro, a lei estadunidense é igualmente generosa com quem se dispõe a doar, e isso faz muita diferença.

Realidades sociais à parte, o brasileiro desembolsa entre R$ 240 e R$ 480 por ano em doações, de acordo com a pesquisa; nos Estados Unidos, essa média ronda os US$ 400 (cerca de R$ 1.400) se contabilizados apenas os doadores que pagam Imposto de Renda. O último dado disponível é do National Center for Charitable Statistics (NCCS), de 2014, indica que as doações nos Estados Unidos somam US$ 358 bilhões (mais de 2% do PIB).

Saúde Na Frente

Quando o assunto é por que doar, três grandes temas sensibilizam os entrevistados, de acordo com o levantamento do Gallup: a saúde, com 40% das respostas; as questões ligadas a crianças carentes ou a vítimas de alguma doença, com 36% das respostas; e o combate à fome e à pobreza, com 29% das respostas. Uma boa notícia é que cerca de 80% dos entrevistados revelaram não se deixar levar pela emoção na hora de doar, e apenas 20% admitiram praticar a doação por impulso.

Segundo a pesquisa, o termo que tem o maior índice de avaliações positivas dos entrevistados é "solidariedade", seguido por "caridade". "Filantropia" não possui um potencial de associação positiva elevado (aliás, 34,7% dos entrevistados não sabem nem o que a palavra significa), assim como "negócio social", termo igualmente desconhecido do público.

Outro ponto interessante: a maioria dos entrevistados disse sentir vergonha de contar aos amigos que doou dinheiro, tempo ou bens a instituições de caridade ou a organizações não governamentais (ONGs). Creem que devem "fazer o bem sem olhar a quem", mas também sem dizer a ninguém. Isso demonstra o quanto ainda podemos fazer pelo Terceiro Setor no país. A cultura da doação deve ser estimulada, e as pessoas deveriam se orgulhar de fazer parte da solução de uma série de problemas que afligem a nossa sociedade.

Para ter ideia do que estamos falando, voltamos ao WGI. Nos países que encabeçam o ranking mundial de filantropia, os eventos beneficentes promovidos por ONGs e/ou fundações são concorridíssimos e participar de qualquer um deles é prova definitiva de grande consciência social.

Estudos como esse são um passo importante para um futuro mais consciente quanto às doações no país. Idealmente falando, como seria bom, em um fim de semana qualquer, ter dúvidas quanto a que jantar beneficente ir! Estar, de fato, envolvido com a ideia de melhorar o Brasil a partir de uma genuína política de filantropia. É possível, sim, mas devemos fazer a nossa parte.

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