Continuam roubando nosso “ouro”

Por: Instituto Filantropia
20 Outubro 2012 - 13h28

O Brasil-Colônia historicamente já nos fez perder riquezas gigantescas aos países que nos “descobriram”. Levaram nosso ouro, nossa borracha, nossas florestas, entre tantas outras divisas que, se aqui tivessem permanecido, nos colocariam em um cenário social e econômico bem diferente do atual.
Agora, é importante que prestemos atenção a um novo tipo de “evasão de divisas”: o da pesquisa científica.
O pesquisador brasileiro – em diversas áreas do conhecimento – vem ganhando notoriedade no cenário científico internacional. Nos últimos 20 anos, políticas públicas que aumentaram substancialmente as verbas destinadas à pesquisa nacional, aliadas a investimentos privados com claros interesses comerciais, fizeram o Brasil sair da posição de simples fornecedor de matérias-primas e riquezas que nossas florestas produzem a um importante império de pesquisa tecnológica e científica. O próprio Ministério da Ciência e Tecnologia já mostrou com números cada vez maiores como o pesquisador brasileiro tem tido influência nas novas descobertas do mundo.
Com a mesma mão que devemos aplaudir essas políticas públicas e órgãos de incentivo à pesquisa como Capes, CNPq, Fapesp e Scielo, devemos segurá-los pelos colarinhos e chacoalhar seus diretores para que se atentem ao fato de que o Brasil está dando de graça esses resultados a editoras internacionais, para que elas usufruam nossas pesquisas e até as usem em outros estudos.
Então, na prática, o pesquisador brasileiro, que é financiado pelo Governo ou pela Indústria Nacional, tem seu trabalho transitando livremente na mão de pesquisadores estrangeiros antes de serem publicados em território nacional. Pior: essas editoras têm ainda o livre arbítrio de querer ou não publicar esses resultados – dados estes que podem ser ponto de partida para um pesquisador de fora iniciar uma nova pesquisa – e receber os méritos, as honras e os royalties daquilo que outrora um brasileiro já havia descoberto.
É fácil imaginar o perigo econômico que isso pode representar. A descoberta de uma nova droga, por exemplo, fortalecerá os cofres da indústria farmacêutica internacional. O desenvolvimento agrário, biotecnológico ou de uma ciência da computação, por exemplo, corre o risco de sucumbir a poderosos países do Hemisfério Norte. E nós, mais uma vez, “chuparemos os dedos”, pois daremos a informação – e seus direitos autorais – para ser publicada lá fora.
Internacionalizar nossa pesquisa e fazer com que ela circule pelo mundo é importante e, evidentemente, importante, já que o Brasil é um dos emergentes que mais crescem no mundo. Mas essa internacionalização deve ser feita de dentro para fora – e não de fora para fora, como vem acontecendo.
É necessário dar um basta nisso! Mandar nossa pesquisa para outro país é querer continuar sendo colônia.
É contribuir com o desenvolvimento dos outros países com a nossa mão de obra “escrava”.

Marcio Zeppelini
editor científico e conselheiro da ABEC –
Associação Brasileira de Editores Científicos.
marcio@zeppelini.com.br

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