O Ambiente Institucional Civilizatório Em Risco

Por: André Luís Oliveira Marcelo
22 Fevereiro 2018 - 00h00

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Este texto visa refletir sobre a destruição dos ambientes educacionais por parte de seus frequentadores. Cito ambientes educacionais para ampliar a reflexão para associações, escolas, ONGs e outros centros educacionais que se colocam no intuito de realizar alguma forma de aprendizagem a seus frequentadores. Utilizo-me da palavra frequentadores ao invés de aluno para aumentar o panorama de discursão a respeito da forma que esses ambientes educacionais são destruídos/deteriorados pelos mesmos.

Hoje, a violência é um tema em pauta em todas as esferas sociais, estando presente na vida cotidiana, e, assim, os ambientes educacionais não são poupados. Será que atos de violência deveriam não existir nesses espaços? É possível constatar que esses ambientes educacionais são palco de variados acontecimentos que suscitam inúmeras questões por parte de pesquisadores e pensadores. Podemos caracterizar a violência nesses ambientes educacionais em quantidade e qualidade. Se partirmos para a pesquisa quantitativa, ou seja, se levantarmos dados estáticos sobre tais ocorrências, poderemos enumerar quantos casos de violência são registrados. Ou poderíamos pensar qualitativamente quais tipos de ocorrências são mais frequentes. Daí nos perguntaremos quais razões ou circunstâncias que se dão a partir do ato praticado nesses locais educacionais. As duas formas de análise são válidas na pesquisa educacional e dão, de certo modo, uma mensuração a esses fatos. No entanto, a questão circunscrita neste artigo vem no sentido de tentar compreender por que, em alguns ambientes, os frequentadores destroem e em outros não. Qual é o motivo? Qual seria o estopim dessas ações? Nesse caso, fica de fora quem não tem ligação nenhuma com esses ambientes e, mesmo assim, os violenta.

Por falta de estudos sobre casos ou ocorrências de violência em ambientes educacionais que não se configuram como escola, utilizarei a explicação da pesquisadora Viviane Cubas, em seu artigo Violência nas escolas: como defini-las? (2006, p. 167) que delineia a violência à escola e propõe uma ampliação para outros ambientes educacionais. Segundo Cubas, essa violência se configura como casos de violência direta contra a instituição, como a depredação do patrimônio, por exemplo, ou da violência contra aqueles que representam a instituição, como os professores. Ampliando essa ideia, a pesquisadora Flávia Shilling, no artigo Indisciplina, violência: debates e desafios (2007, p. 8), observa outros modos de violência à escola, acrescentando que essa questão é muito complexa e delicada, pois envolve outras relações, não apenas esta abordagem da violência materialista sobre o patrimônio, ou física, contra os profissionais destes ambientes. Segundo a autora, "Geralmente, o exemplo dado quando se fala de violência contra a escola são as pichações, depredações, bombas no banheiro. Os agressores? Alunos ou ex-alunos. Quais são os conflitos que permeiam estas ações contra a escola?"

Estas perguntas fazem um desdobramento para cooptar também as pichações, isto é, frases que dizem algo sobre esses ambientes e seus frequentadores, além de incluir as perturbações como bombas e a depredação. O que poderia ter feito esses ambientes educacionais para causar tanta raiva em um frequentador para que ele tomasse tais atitudes? Essas explicações formuladas pelas duas pesquisadoras citadas implicam em se ter noção do que caracteriza essa violência à escola. São ressaltados os seguintes pontos: a) depredação ao patrimônio; b) violência física; c) violência verbal "simbólica" (mensagens diretas ou subliminares) aos profissionais que representam a instituição; e d) perturbação ao ambiente (bombas etc.). Partindo do pressuposto que a violência perpetrada nesses ambientes, como quebrar, pichar, riscar e xingar os profissionais, não ocorre aletoriamente, mas, sim, é uma forma de expressão. E aí vem a questão: por que isso ocorre? Seria fruto de uma reprodução social? Ou seria um indicativo de mal-estar diante de algum incômodo? Quebra-quebra é um grito e tem como objetivo obter um reconhecimento por meio de ato violento, que anuncia a voz daqueles indivíduos destituídos, que as elites consideram de segunda classe.

Tal observação sobre os motivos que influenciam as ações dos frequentadores em relação aos ambientes encontram- -se, de algum modo, como uma devolutiva do não reconhecimento enquanto pessoa nesses espaços educacionais. Demonstrando e assinalando que esses locais não fazem parte de sua vida, isso quer dizer que o que foi construído para ser desfrutado e utilizado, se não é percebido, se não é entendido como integrante, não precisa ser cuidado por eles. Essa questão pode ser um entrave do problema por questionar se esses ambientes estão prontos para receberem frequentadores que não reconhecem o espaço como parte de seu contexto social. Além disso, fica a questão: quais estratégias tais ambientes poderiam adotar para dialogar com a cultura-realidade de seus frequentadores? Será que os profissionais desses ambientes não têm um público pré-definido, que muitas vezes não condiz com os frequentadores reais? Como se beneficiar dos saberes de seus frequentadores para corroborar com as atividades do ambiente educacional? Quais atividades podem ser realizadas para que eles se sintam partícipes do local? Essas são algumas questões que poderiam ser levantadas, antes de julgarem, uma situação que ocorre no ambiente escolar.

 

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