A Tartaruga Tagarela

Por: Marcio Zeppelini
04 Agosto 2017 - 00h00

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Era uma vez uma tartaruga que vivia em um lago com dois patos. Ela adorava a companhia deles e conversava com eles até cansar. A tartaruga gostava muito de falar e sempre tinha algo a dizer.

Os três tiveram muitos anos de feliz convivência, até que uma longa seca esvaziou o lago em que viviam. Os dois patos viram que não podiam continuar morando ali e resolveram voar para outra região mais úmida.

E foram dizer adeus à tartaruga.

– Oh, não, não me deixem! – Suplicou a tartaruga. – Levem-me com vocês, senão eu morro!

– Mas você não sabe voar! – Disseram os patos. – Como é que vamos levá-la?

– Levem-me com vocês! Eu quero ir com vocês! – Implorava a tartaruga.

Os patos ficaram com tanta pena e começaram a pensar em como poderiam ajudar a tartaruga. Por fim, tiveram uma ideia.

– Pensamos em um jeito que deve dar certo – disse um dos patos. – Mas isso só dará certo se você conseguir ficar quieta por um longo tempo.

– Cada um de nós morderá uma das pontas de uma vara e você morderá no meio – começou a explicar o outro pato. – Assim, podemos voar bem alto, levando você conosco. Mas cuidado: lembre-se de não falar! Se abrir a boca, estará perdida.

A tartaruga prometeu não dizer palavra, nem mexer a boca; estava agradecidíssima! Os patos trouxeram uma vara curta bem forte e morderam as pontas; a tartaruga abocanhou bem firme no meio. Então os patos alçaram voo, suavemente, e foram-se embora levando a silenciosa carga.

Quando passaram por cima das árvores, a tartaruga quis dizer "Como estamos alto!", mas se lembrou de ficar quieta.

Quando passaram pelo campanário da igreja, ela quis perguntar "O que é aquilo que brilha tanto?" mas se lembrou a tempo de ficar calada.

Quando passaram sobre a praça da aldeia, as pessoas olharam para cima, muito espantadas. – Olhem os patos carregando uma tartaruga! – gritavam. E todos correram para ver.

A tartaruga bem quis dizer: "E o que é que vocês têm com isso?".

Mas, novamente, não disse nada. Ela escutou as pessoas dizendo:

– Não é engraçado? Não é esquisito? Olhem! Vejam!

E ela começou a ficar zangada, mas ainda de boca fechada. Depois, as pessoas começaram a rir:

– Vocês já viram coisa mais ridícula? – zombavam.

E aí a tartaruga não aguentou mais, abriu a boca e gritou:

– Fiquem quietos, seus bobalhões...

Mas, antes que terminasse, já estava caída no chão. E acabou-se a tartaruga tagarela.

Você Fala Demais?

Saiba o momento de se pronunciar! Diz o ditado que o peixe morre pela boca. E os tagarelas também. Falam demais e acabam por estragar seus próprios planos.

Então, que tal pensar bem antes de dizer qualquer coisa?

A primeira coisa é considerar: "O que esta pessoa pode agregar se eu contar meus sonhos e ideias?"

"Como ela me ajudaria se eu contasse meus problemas e medos?"

"Qual é a probabilidade de essa notícia se espalhar?"

Enfim, é importante controlar a ansiedade para contar as coisas no momento certo, a não ser que a pessoa seja essencial para que seu plano se concretize ou seu problema se resolva.

Assim, quando noticiarmos alguma conquista ou resolução de um problema, aquele "fofoqueiro" de plantão não vai interferir em seus planos.

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