Quanto de sua vida é VIRTUAL e quanto é REAL?

Por: Marcio Zeppelini
05 Outubro 2014 - 18h56

Peço, de antemão, desculpas por lhe enviar um texto tão grande… mas achei essa história imperdível!

sua-vida-VIRTUAL-e-REAL

O que é virtual?

Entrei apressado no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e responder alguns e-mails, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são. Pedi um prato qualquer do cardápio e abri meu notebook. Escutei uma voz baixinha atrás de mim:

— Tio, dá um trocado?
— Não tenho, menino.
— Só uma moedinha para comprar um pão.
— Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo o facebook, dando risadas com as piadas malucas, acomanhando a tabela de meu time pela internet. Ah! Essa música... me leva a Europa... e a boas lembranças de tempos idos.

— Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
— OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Digo que não… que está tudo bem, ele pode ficar ali, aproveitando para pedir uma refeição decente a ele. Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

— Tio, o que está fazendo?
— Estou lendo uns e-mails.
— O que são e-mails?
— São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet. É como se fosse uma carta, só que via Internet. — Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários, tentei ser breve.
— Tio, você tem Internet?
— Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
— O que é Internet, tio?
— É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
— E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição e ler meus e-mails, sem culpas:
— Virtual é um local que imaginamos algo, mas não podemos pegar nem tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias e as transformamoss num mundo em que queríamos que fosse.
— Legal isso. Gostei!
— Mocinho, você entendeu o que é virtual?
— Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
— Você tem computador?
— Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo do mesmo jeito... Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigadão tio, você é legal!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!

Vamos viver de experiências!

Confesso que o sujeito da história acima em muito se parece comigo… mas tenho diariamente praticado o exercício de transformar um dia qualquer em "O DIA".

E isso se faz com experiências reais, não virtuais: Um passeio de bicicleta no Parque da cidade, um "acampamento" no meio da sala com a filha pequena, um jantarzinho preparado pela filha mais velha, uma baladinha só com a esposa - sem os filhos - relembrando os tempos de namoro.

Torcer para meu time deixou de ser um estorvo, depois que simplesmente parei de acompanhar a tabela, mas curtir um gol - sofrido ou ganhado! Um churrasco improvisado, uma sala compartilhada com o sócio (que também é irmão…rs) para nos deixarmos mais unidos, mesmo que as horas "não-virtuais" sejam poucas no escritório. Deixar a esteira elétrica de lado e correr em um lugar arborizado - ou na praia.

O mundo é feito de relações pessoais e reais. Claro que isso não me fará abandonar a tecnologia - que eu adoro - até porque ela deixa a vida mais prática a fim de termos mais horas vagas e curtir as coisas simples que a vida oferece - longe do mundo virtual.

Agora que acabou de ler, feche o notebook e curta seu mundo não virtual.

Tenha um excelente e REAL final de semana!

Abraços sustentáveis,

PARCEIROS VER TODOS