Você devolve aquilo que lhe dão?

Por: Marcio Zeppelini
26 Outubro 2015 - 16h27

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O pequeno do xale grande

O velho André era dono de uma pequena fortuna, que juntara durante uma vida de trabalho e economia. Vivia numa pequena chácara e, como era muito caridoso, repartia sempre o que possuía com os pobres.

Era seu costume dar roupas de seu uso aos pobres, e nunca se esquecia de pôr um dinheirinho nos bolsos. Diziam que ele mesmo comprava roupas para dá-las aos maltrapilhos.

Certo dia, depois de uma chuva diluviana, o velho André examinava os danos causados pelo temporal quando enxergou atrás da cerca de bambu um menino encharcado, que dizia:

- Moço, moço! O senhor tem uma roupa velha para mim? Mamãe me mandou levar ovos à quitanda e a chuva me apanhou no caminho.

- Hum! Hum! fez o velho André. - Você é muito pequeno, mas, ainda assim, pode-se arranjar qualquer coisa. E levou-o para dentro de casa. Pouco tempo depois, o garoto saía com umas calças enormes, enroladas nas pernas e com um xale capaz de cobrir o picadeiro de um circo! Ria feliz e despedia-se, agradecido.

O velho André seguiu-o com o olhar e murmurou, baixinho: talvez...

A noite começava a envolver em trevas o caminho e a casinha modesta, quando alguém bateu à porta. O velho André parou de tomar sua sopa e foi atender. Era o garoto, ainda envolvido pelo xale grande.

- Você por aqui?! interrogou o velho.

- É verdade, eu ainda - atalhou o menino, estendendo a mão com o dinheiro. Encontrei num dos bolsos e vim trazer. O velho André tomou o pequeno pela mão, olhou-o demoradamente e disse baixinho:

- Uma criança! Foi o único!

Era a primeira pessoa que vinha restituir o dinheiro que sempre colocava no bolso das roupas que dava. Não demorou muito tempo e o velho André morreu. Abriram o seu testamento. Tinha legado todos os seus bens ao "pequeno do xale grande", o mais grato, o mais honesto, o mais digno!

Adaptação de conto de J. Car

Doar faz parte do receber

Quantas “caridades” você já recebeu em sua vida, talvez até sem ter percebido? Um prato de comida, um agasalho emprestado, uma ajuda profissional ou uma indicação para um emprego novo?

Ao longo de nossa vida, recebemos “gratuidades” o tempo todo - seja um sorriso ou uma quantia em dinheiro - familiares, amigos, colegas de trabalho, ou mesmo desconhecidos, ajudam-nos a trilhar nosso caminho de forma mais confortável.

Só que, muitas vezes, essas “ajudas” parecem tão pequenas ou involuntárias que nos esquecemos de retribuí-las.

Nenhuma ajuda é involuntária! Se alguém o ajudou a se levantar após um tombo, saiba que ali existiu um investimento de espírito e boa educação, e este quer algo em troca - um “muito obrigado” pode ser suficiente.

Acabo de receber uma gratificação de uma colaboradora da nossa equipe. Após a notícia de ter entrado na USP, um simples post no Facebook me agradecendo por eu ter “apresentado” a ela o envolvente mundo do Terceiro Setor. É como aquele trocado que o velhinho colocava no bolso dos outros - nunca ninguém havia me retribuído por isso.

“Doar” faz bem para a alma. E não pense você que só podemos doar dinheiro ou bens materiais. Doar sua “experiência” é algo fascinante! E a retribuição pode vir assim… num singelo agradecimento numa rede social - mas que representa muito para a alma daquele que doou.

Pense em todos aqueles lhe deram aquele “empurrãozinho” em sua vida. Agradeça-os. Retribua-os com as mais diversas formas de “presentes”.

O ciclo é virtuoso - quanto mais você dá, mais você recebe!

Em tempo: Parabéns, Fê e Tamara, pelas conquistas de "entrada" na faculdade. Parabéns, Ana Luisa e Rodolfo... Pelas "formaturas"! - mas isso é só o começo dessas mentes brilhantes que vocês têm. Sucesso, hoje e sempre!

Abraços sustentáveis,

Marcio Zeppelini

“A graça de um sorriso está naquilo que o motivou”

MARCIO ZEPPELINI

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