Você está sempre certo?

Por: Marcio Zeppelini
05 Outubro 2016 - 19h05

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O menino e as uvas

Um dia, a mãe mandou seu filho Nelsinho, de sete anos, comprar dois quilos de uvas no mercado. O homem pesou as uvas e as entregou ao menino.

Após certa demora, o menino voltou e entregou as uvas para a mãe. Ao pegar o pacote, dona Lídia achou que estava muito leve, pesou o pacote e já telefonou para o mercado.

- Seu Manoel, o Nelsinho chegou com as uvas. Mas eu pedi dois quilos. Parece que o pacote não tem isso não.

- A senhora pesou as uvas?

- Sim, pesei na venda aqui ao lado. Deu menos de dois quilos.

- Pode ser que minha balança não esteja certa. Porém, lhe dou uma sugestão: Não me leve a mal... mas seria bom pesar o menino também, antes e depois de comprar as uvas.


Analise todas as alternativas

Nesta minha coluna semanal, já abordei o assunto "julgamento" algumas vezes. E sempre digo que todo cuidado é pouco antes de esticar o dedo para culpar alguém.

No acidente ocorrido semana passada com o time da Chapecoense, não faltaram dedos estirados culpando o piloto, o irmão do piloto, a funcionária do aeroporto da Bolívia, o despachante... enfim... Será que encontrar um culpado alivia a dor da perda? Fará alguém voltar a viver ou confortará uma mãe que acabou de perder seu filho?

Independentemente de quem foi mais ou menos culpado, alguém tinha a intenção de derrubar o avião? Essa é a pergunta que eu sempre faço quando algo grave acontece, seja no quintal da minha casa ou da casa de outrem.

Evidentemente, esse tipo de experiência serve para que autoridades competentes revisem leis, aumentem a fiscalização, mudem procedimentos. Então, antes de julgar (ou, pior, culpar), vamos investigar o que aconteceu e, sem querer falar juridiquês, verificar se o ato foi culposo ou doloso - ou seja, fazer a pergunta: por mais culpado que alguém seja, houve intenção dessa ou daquela consequência?

Usei como exemplo o acidente aéreo ocorrido na Colômbia. Mas a mesma atitude deve ser tomada quando sua filha de 5 anos derruba uma xícara, quando sua mãe queima o bife, quando seu funcionário perde um cliente ou quando seu irmão bate seu carro novo.

Nosso organismo possui um íntimo relacionamento entre o sistema imunológico, nervoso e endócrino. Por isso, o estresse intenso afeta esses sistemas, causando dores e sequelas futuras que podem levar até ao infarto do miocárdio.

Conte até 90*, respire fundo e, com toda a calma do mundo, questione: o que, de fato, aconteceu? Onde podemos melhorar para isso não ocorrer novamente? Como posso ajudar para que os "culpados" se sintam melhor e encarem o erro como aprendizado?

E, assim, com menos julgamentos e mais reflexões, levaremos uma vida mais tranquila, mais pacífica e muito mais saudável.

Abraços inspiradores, beijos sem culpa!

Marcio Zeppelini

* Segundo a neurocientista Jill Boyle Taylor, o organismo precisa de 90 segundos para deixar de ter reações fisiológicas, transferindo ao cérebro a responsabilidade de decidir quais serão as próximas reações. Ou seja, após 90 segundos, nossas reações já são conscientes.

"Respire fundo e, com toda a calma do mundo,
questione: o que, de fato, aconteceu?"
Marcio Zeppelini

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