Você é você mesmo?

Por: Marcio Zeppelini
23 Outubro 2015 - 18h53

iStock 000039316654 Double

O louco no asilo

Estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jovem rapaz lendo um livro de filosofia.

Pelo seu jeito, e pela saúde que mostrava, não combinava muito com os outros internos.

Sentei-me ao seu lado e perguntei:

- O que você está fazendo aqui?

O rapaz olhou, surpreso. Mas, vendo que eu não era um dos médicos, respondeu:

- É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele. Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Minha mãe desejava que eu fosse a imagem do seu adorado pai. Minha irmã sempre citava seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido. Meu irmão procurava treinar-me para ser um excelente atleta, assim como ele.

Parou um instante e continuou:

- E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglês - todos estavam determinados em suas ações e convencidos de que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem, mas como se olha no espelho.

"Dessa maneira, resolvi me internar neste asilo. Pelo menos aqui eu posso ser eu mesmo".

(Do livro: Histórias para pais, filhos e netos - Paulo Coelho)

Seja você!

É claro que não há necessidade de se internar em um asilo para ser você mesmo. Mas muitas de nossas inquietações cotidianas existem justamente por estarmos tentando agradar aos outros, sem olharmos para dentro de nós.

Kennedy dizia: "Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos".

Então, pare e repense sua vida: O que você faz para VOCÊ? Quais são as áreas de sua vida em que você mais acredita? Quais aquelas que lhe dão mais prazer?

Existe uma fórmula fácil de conseguir descobrir se o que você faz é por prazer ou por obrigação:

Imagine uma ilha deserta. Lá você é livre para tomar qualquer decisão, ser feliz, fazer só aquilo que gosta.

Daí, faça a pergunta: Eu faria isso que estou fazendo se estivesse "na ilha"?

Por exemplo: Eu comeria esse chocolate se estivesse "na Ilha"? Eu estaria lendo essa metáfora se estivesse "na ilha"? Eu estaria fazendo esse relatório se estivesse "na ilha"?

Se a resposta for SIM, continue fazendo, pois isso lhe dá prazer e felicidade.

Se a resposta for NÃO, faça outra pergunta: "isso me levará um dia para 'a ilha'"? Se SIM, você tem um propósito e está no caminho certo.

Mas se, mais uma vez, a resposta for NÃO, é melhor você repensar suas atividades. Elas não lhe dão prazer hoje, nem darão amanhã.

Isso é um exercício diário. Suas atividades, suas decisões, suas escolhas - elas devem sempre o levar à "Ilha". Não custa repetir que a ilha é imaginária, e que ela é uma metáfora do "que te deixa feliz".

Até a semana que vem... NA ILHA!

Abraços sustentáveis,

Marcio Zeppelini

 

"A Felicidade não está no topo da montanha. Mas em todo o caminho a ser percorrido"

MARCIO ZEPPELINI

PARCEIROS VER TODOS