Você normalmente pressupõe a culpa?

Por: Marcio Zeppelini
08 Outubro 2016 - 11h54

cao-amigo

O cão do amigo

Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou que ele viesse acompanhado por um cão. Cão forte, saltitante e com um ar agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, efusivamente.

- Quanto tempo!
- Quanto tempo! - ecoou o outro.

O cão aproveitou a saudação e adentrou a casa. Logo um barulho na cozinha demonstrava que ele tinha virado qualquer coisa. O dono da casa encompridou as orelhas. O amigo visitante, porém, nada.

- A última vez que nos vimos foi em...

O cão passou pela sala, entrou no quarto e novo barulho, desta vez de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo do dono da casa, mas perfeita indiferença do visitante.

- E Fulano? Ficou sabendo que ele morreu mês passado? Você se lembra dele?

O cão saltou sobre um móvel, derrubou um abajur, logo trepou as patas sujas no sofá e deixou a marca digital e indelével de seu crime. Os dois amigos, tensos, agora fingiram não perceber.

Por fim, o visitante se despediu e já ia saindo quando o dono da casa perguntou:

- Não vai levar seu cão?
- Cão? Ah... o cão! Agora estou entendendo. Não é meu não. Quando eu entrei ele entrou comigo tão naturalmente que pensei que fosse seu.


Antes de conjecturar, investigue!

"Eu tenho certeza que fulano fez aquilo de propósito". "Ah... tenho certeza que isso é culpa do Sicrano". E assim as pessoas apontam os dedos como se empunhassem uma espada e uma balança que lhes dá a certeza, de olhos vendados, de que o que estão dizendo está coberto de justiça.

Ao pré-julgar alguém ou simplesmente pressupor todo o cenário de um acontecimento como se fosse uma novela mexicana, crie o hábito saudável de, antes, respirar! Com calma, analise cada ponto, perceba as intenções dos envolvidos, tente descobrir o que os motivou a fazer daquela forma e, mais que isso: lembre-se que cada um pensa de um jeito e, provavelmente, é diferente de como você pensa.

Segundo diversos filósofos, para uma orientação cognitiva de um indivíduo, a pressuposição é necessária para que algum valor faça sentido na existência. Mas, para uma vida mais pragmática, pergunto: será que tudo necessita de explicação?

Vamos estabelecer limites maiores de "erros" ou "desvios" e permitir que as pessoas possam ser mais livres em suas atitudes e pensamentos?

Então, antes de julgar, pressupor ou fazer conjecturas, que tal aplicar a tese de que todos são isentos de culpa até que se prove o contrário? E nem procure provas. Perdoe antes. É mais leve, é mais saudável.

E, assim, nós conseguimos viver mais a nossa própria vida, sem ficar nos preocupando com os porquês de alguém ter feito isso ou aquilo.

Na prática: cuide da sua vida e deixe que a dos outros seja cuidada por eles.


Abraços inspiradores, beijos sem julgamentos!

Tenha um excelente (e leve) feriadão!

Marcio Zeppelini

"Não procure provas. Perdoe antes. É mais leve, é mais saudável."
Marcio Zeppelini

PARCEIROS VER TODOS