Qual peso você dá para as coisas ruins?

Por: Marcio Zeppelini
08 Outubro 2015 - 11h26

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A balança

Quando menino, eu vivia brigando com meus amigos. E voltava para casa lamuriando e queixando-me deles. Isto ocorria, na maioria das vezes, com Beto, o meu melhor amigo.

Um dia, corri para casa e procurei mamãe para queixar-me do Beto. Ela me ouviu e disse o seguinte:

- Vá buscar a sua balança e os blocos.

- Mas, o que isso tem a ver com o Beto?

- Você vai ver... Vamos fazer uma brincadeira.

Obedeci e trouxe a balança e os blocos. Então, ela disse:

- Primeiro, vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do Beto. Conte-me quais são.

Fui os relacionando, e certo número de blocos foi empilhado daquele lado.

- Você não tem nada mais a dizer? Eu não tinha, e ela propôs: Então você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no outro prato da balança.

Eu hesitei, porém, ela me animou, dizendo:

- Ele não deixa você andar em sua bicicleta? Não reparte o seu doce com você?

Concordei e passei a mencionar o que havia de bom no caráter de meu amiguinho. Ela foi colocando os blocos do outro lado. De repente, eu percebi que a balança oscilava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.

Dei uma risada, e mamãe observou:

- Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.

Para cada defeito, duas qualidades.

É comum ficarmos tristes ou desapontados com a atitude de alguém que gostamos. Isso deve-se ao fato justamente de darmos valor a essa pessoa. Por isso, gostaríamos que ela agisse sempre da forma que nós agimos. Só que a individualidade é um conjunto de experiências vividas e, portanto, cada um tem sua própria personalidade por ter vivido experiências diferentes da sua ao longo da vida.

Quando encontramos pontos de sinergia com outras pessoas, é natural nos envolvermos e criarmos uma nova amizade. Mas isso não significa que vamos concordar em tudo, nem tampouco agirmos da mesma forma em diferentes situações. Faz parte da individualidade, e as diferenças, se bem respeitadas, tornam-se complementos um do outro.

Isso vale para amigos, familiares, colegas de trabalho ou mesmo aquelas pessoas com as quais teremos relacionamento por um curto período - durante um treinamento ou uma viagem, por exemplo.

Saber balancear, dando o devido peso às qualidades e minimizando aquilo que, para você, é um defeito, é sinônimo de um relacionamento sustentável e duradouro.

Portanto, perdoar e ser perdoado são dádivas que devemos dar e aceitar diariamente!

Que tal praticar a partir de hoje?

Abraços sustentáveis,

MARCIO ZEPPELINI

 


Perdoar e ser perdoado: dádivas que devemos dar e aceitar diariamente

Marcio Zeppelini

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